sexta-feira, 16 de dezembro de 2016


Tradições de natal na Alemanha

Mercados de Natal
Uma das tradições mais bonitas e famosas do Natal alemão são os mercados de Natal. Cabanas de madeira adornadas com luzes em miniaturas transformam praças centrais de mais de cem cidades em toda a Alemanha em maravilhas de inverno. Vendem-se enfeites ornamentados, brinquedos de madeira, guloseimas e coroas do Advento. O cheirinho de pães de gengibre e vinho quente exala por todos os lugares, o que contribui para o deleite dos sentidos de visitantes e locais.O mais famoso e mais antigo de todos os mercados mercados natalícios alemães é o Christkindlesmarkt (Mercado do Menino Jesus), de Nuremberga. O primeiro registo que se tem desse mercado é de 1628. Outras cidades famosas por seus mercados de Natal são Leipzig, Dresden, Hamburgo e Colónia.As ruas das cidades por onde o mercado se espalha são decoradas com símbolos de Natal e luzes. No centro do mercado há um presépio, em que figuras natalícias contam a história da festividade, ou uma pista de gelo.


Cristkindl ou pai natal
Em muitos lares alemães, Jesus criança chega quando a família está reunida ao redor da árvore de Natal. Algumas vezes, um menino desempenha o papel, mas na maioria das vezes, é uma menina de longos cabelos louros quem representa Jesus. Vestida de branco, com uma coroa e asas douradas, ela carrega uma pequena árvore de Natal em uma das mãos. Os presentes para as crianças ficam empacotados e são entregues pelo “Cristo do lar”.Assim, muitos alemães acreditam que um mensageiro, um anjo feminino chamado Christkindl, traz os presentes do menino Jesus, na véspera do Natal. O nome Christkindl tornou-se um outro nome para Pai Natal na América do Norte, onde muitos o chamam de Kris Kingle.Há séculos, não era o Pai Natal quem distribuía presentes ao redor do mundo, mas sim o Christkindl. Assim, era ele quem fazia viagens ao redor do mundo nas frias – no Hemisfério Norte – noites de Natal. Em muitos países, criou-se a tradição de iluminar os caminhos pelos quais o Cristkindl passava. Por isso, criou-se o hábito, em todo o mundo cristão, de colocar velas acesas em casa, para que o Christkindl soubesse que seria bem-vindo ali.Ao longo do tempo, a figura da criança foi sendo substituída pela do velhinho, de barba e cabelos brancos, que gentilmente distribuía presentes, chamado de Santa Klaus (Pai Natal, em português). Em alguns lugares, esse velhinho acabou sendo identificado como São Nicolau (já falei nele no post anterior).Uma das razões pelas quais isso ocorreu deve-se à crença de que ele acompanhava o seu Mestre, Jesus, em suas voltas ao mundo durante o Natal. Ao longo do tempo, o nome Santa Klaus foi-se tornando uma espécie de abreviatura para São Nicolau.Foi o americano Thomas Nast (1840-1902) quem criou a imagem moderna do Pai Natal. Nast nasceu em Landau, Alemanha, e migrou para os EUA com a família ainda garoto. Suas ilustrações natalinas para a publicação Harper´s Weekly foram publicadas mais tarde em forma de livro e ajudaram a criar uma imagem simpática de Pai Natal.Uma tradicional história alemã conta que a véspera de Natal vem da experiência de um lenhador e sua família. Certa noite, eles estavam em casa, aquecendo-se do frio que fazia lá fora, quando alguém bateu à porta. Quando abriram, surpreendentemente, havia um menino, sozinho, no meio da floresta coberta de neve. Eles o convidaram para entrar e deram-lhe comida, roupas para se aquecer e uma cama para descansar. No dia seguinte, pela manhã, a família despertou com uma música, entoada por um coral de anjos, que preenchiam a casa de luz. Foi quando perceberam que haviam dado abrigo ao menino Jesus. “Vocês cuidaram de mim”, disse ele, “isso vos fará lembrar da minha visita”. Ele então tocou uma árvore que estava perto da porta de casa. “Que essa árvore brilhe para aquecer os vossos corações, e que guarde presentes, para que vocês sejam tão gentis uns com os outros como foram comigo."


Ps- Lembro-me que a minha avó sempre falou no menino Jesus como a figura que oferecia os presentes no Natal.

Véspera de NatalOs presentes na Alemanha são abertos na noite da véspera de Natal. A ceia tradicional é composta de presunto defumado, batatas cozidas com manteiga e chucrute ou então ganso assado e recheado  com Kartoffelklösse (bolas de batata) e o bolo tradicional de Natal é o Stollen.  Após a refeição, algumas famílias leem a história do nascimento de Jesus para os seus filhos. De seguida,, ouvem-se tocar os sinos pendurados à porta da casa. É o sinal para que as crianças corram para ver a árvore de Natal em todo o seu esplendor, carregada de presentes. Todos cantam “Stille Nacht”, canção por nós conhecida como “Noite Feliz”, e começam a abrir os pacotes com grande entusiasmo.A tradição primordial do Natal alemão é a troca de presentes e a reflexão, enquanto se observa a noite escura e fria lá fora. Para muitas famílias, essa é a única noite em que as luzes da árvore de Natal estão acesas, tornando a ocasião muito mais especial.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Tradições alemãs no Natal

O advento como um período de reflexão e celebração

O Advento tem grande importância para os cristãos de ambas as confissões religiosas na Alemanha. Serve para a reflexão e para o recolhimento interior. No domingo que dista quatro semanas do dia de Natal , começa o novo ano litúrgico. Isto foi determinado pela Igreja já no século IV.

O símbolo do período até ao dia de Natal é a coroa do Advento. O símbolo tem a sua origem em Hamburgo. “A primeira coroa estava pendurada, em Dezembro de 1839, no oratório da 'Rauhes Haus'”, diz Uwe Mann von Velzen, o porta-voz desta instituição evangélica para crianças abandonadas e órfãs de bairros degradados da cidade portuária.

Primeiramente a coroa, feita com ramos de pinheiro, encontrava-se apenas nas casas de famílias de fé evangélica, sobretudo no norte da Alemanha. Nos anos 20 do século passado, os católicos também passaram a adotar este costume. As 24 velas originais - uma para cada dia -  foram reduzidas há décadas para quatro, correspondentes aos domingos anteriores ao dia de Natal. “Hoje em dia, muitas vezes, um arranjo de ramos de pinheiro, com uma única vela grande, substitui a coroa”, diz Ute Bleicher, florista de Munique. 

A mensagem da Coroa de Advento é percebida a partir do simbolismo de cada um de seus elementos: o circulo (símbolo da eternidade, da unidade, do tempo que não tem início nem fim, de Cristo, Senhor do tempo e da história), os ramos verdes (sinal de persistência, de esperança, de imortalidade, de vitória sobre a morte) e as velas (o ato de as acender gradualmente significa a progressiva aproximação do Nascimento de Jesus, a progressiva vitória da luz sobre as trevas).

Apesar de não ser uma tradição muito comum em Portugal, na Alemanha quando se aproxima o período do advento estas coroas  são vendidas em todo o lado e a cada domingo é acendida mais uma vela o que  constitui, sobretudo, um hino à vida que brota da verdadeira Vida.


São Nicolau: origens e lenda

A história de São Nicolau, bispo da cidade de Myra, na Ásia Menor remonta ao século IV. Ele nasceu entre 270 e 280, de uma família rica oriunda da cidade de Lycia, na atual Turquia. Ficou órfão cedo e foi criado num mosteiro, onde se ordenou padre com 17 anos. Ele viajou pelo Egito e Palestina antes de retornar a Lycia, para se tornar o bispo da cidade de Myra, onde faleceu em 6 de Dezembro do ano de 343.

Nicolau era um homem muito generoso, conhecido por sua caridade e sabedoria, e que abriu mão de sua riqueza em nome dos necessitados. Ele costumava sair disfarçado à noite para distribuir dinheiro, roupas e comida aos pobres. A mais famosa lenda em torno do santo é a referente a três irmãs pobres, que tinham pretendentes, mas, no entanto, não podiam pagar os seus dotes. Por ser muito tímido, São Nicolau subiu ao telhado da casa das moças e atirou três moedas pela chaminé da casa. As três moedas caíram dentro de três meias, que secavam penduradas na lareira. 

Por esse motivo, estabeleceu-se a tradição alemã de deixar sapatinhos dentro de um prato, do lado de fora da casa. Na Alemanha, durante o período natalício, a figura de São Nicolau está presente em chocolates de variadas formas . Para os alemães, São Nicolau é um bispo de barba branquinha. Para a visita do santo, as casas e os sapatinhos das crianças precisam estar cuidadosamente limpos. Na véspera da visita, as crianças colocam, num prato, em pares de botas ou nos seus sapatos, cartas para o bom santo juntamente com cenouras ou outras comidas para o burro ou cavalo branco que o acompanham.Tudo isso é posto do lado de fora da casa, debaixo da cama ou ao lado do aquecedor, na esperança de que seja encontrado pelo santo na manhã seguinte.

Durante a noite, São Nicolau vai de casa em casa carregando um livro, no qual estão anotados todos os pedidos de todas as crianças. Se elas se comportaram bem durante o ano, ele preenche os pratos, sapatos ou pares de botas com frutas, nozes e guloseimas. Se não, elas encontram batatas, carvão e galhos.

Hoje em dia, em algumas partes da Alemanha, São Nicolau já se parece muito mais com o Pai Natal, e vem no dia de Natal, em vez do dia 6 de Dezembro (dia do santo). A influência vinda de outros países, da televisão e grandes lojas torna muito mais difícil manter a lenda do São Nicolau. A sua aparência actual sugere que as figuras centrais do Natal alemão, como São Nicolau e o Menino Jesus, estão a transformar-se.


Elaborado com base em informações retradas do site da embaixada da Alemanha em Maputo

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

É engraçado perceber que todos temos a nossa visão do mundo, a qual depende das vivências e do caminho de cada um e que todas as nossas decisões futuras derivam da mesma noção das coisas. É como um ciclo, o que fizemos e vivemos vai influenciar as nossas escolhas futuras. Dou muita importância a viajar. Esta é, se bem aproveitada, uma oportunidade de ver que há vidas tão diferentes das nossas e podemos tornar-nos pessoas melhores ou, pelo menos, mais conscientes.

 Virtualmente também se viaja, principalmente quando se para um pouco para pensar. Tenho uma "amiga" virtual da Argentina no Facebook (nem sei bem como) e outro dia percebi (através de um comentário de uma foto dela que começava por  avoelita que se não me engano é avozinha em Espanhol) que a dita senhora tem 39 anos e dois netos pouco mais novos que os meus filhos. Refleti um pouco e percebi que a  vida dela certamente foi e é muito diferente da minha, por isso, tudo que ela faz é também diferente. Os seus valores, ideais, a sua própria personalidade e percurso de vida moldaram tudo e fizeram dela a pessoa que é hoje. 


Por tudo isto, tenho tentado não criticar nem julgar ninguém  (ser mãe foi outra experiência que me ajudou também nisto) e quando o começo a fazer penso e paro: não medir os outros por mim e perceber que todos somos diferentes, nem melhores nem piores apenas diferentes.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Chegou o frio. Há um mês que as temperaturas não vão além dos 10ºC e quando vêm dias mais limpos ou com vento elas descem abaixo de zero. A diferença é brutal quando ultrapassamos a soleira da porta, por isso, temos que (n)os agasalhar bem e as saias e calçado feminino não são muito quentes nem confortáveis para andar sobre poças de água congelada. Os saltos altos são proibitivos (se não quer dar um grande trambolhão)  e o melhor são botas com sola de borracha e com pelo por dentro. Para mim, tenho botifarras quentes e com sola de borracha bastante grossa e tenho botas mais fininhas para usar com um vestido. Estas últimas levo normalmente para Portugal ou uso aqui na Primavera e inicio de Outuno.
Da mesma forma, gosto de vestir e calçar a minha filha cómoda e quente mas também aprecio vê-la com saias ou vestidos à menina e, como já disse aqui e aqui, compro muita roupa  e calçado porque me apetece, porque gosto que andem bonitos e bem arranjados, não precisando de serem caros para cumprir os meus requisitos .
Estas foram as botas que trouxe desta terça feira nas compras, tentei que conjugassem praticidade e adequação às condições climatéricas com beleza e feminilidade (na minha opinião, ficam bem com saias e vestidos). Têm pelo por dentro, sola de borracha, um glitter em cima e a cor que ela adora...


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Tradições alemãs no Natal


Calendário do advento


O calendário do Advento é uma invenção alemã. Ele é formado por 24 janelinhas, que correspondem, cada uma, a um dia do Advento, intervalo de tempo desde o inicio de Dezembro até à chegada do Natal.

No primeiro dia do mês, as crianças alemãs recebem ou fazem elas próprias um calendário do Advento e penduram-no, abrindo uma nova janelinha a cada dia. Nas suas aberturas são colocadas fotos, brinquedos, chocolates ou atividades para serem feitas em família, funcionando como surpresas .

Ao abrir uma janelinha por dia, faz-se a contagem regressiva até ao Natal. O calendário torna a espera pelo grande dia mais divertida e agradável para as crianças.

As origens do calendário do Advento remontam às áreas protestantes da Alemanha do século XIX. O primeiro deles data de 1851. Famílias protestantes desenhavam com giz uma linha que perpassava todos os 24 dias de Dezembro até à noite de Natal.

Os calendários costumam ser feitos com muito esmero. Na cidade alemã de Gegenbach, no sul do país, encontra-se o maior de todos os calendários do advento: 24 janelas da Câmara Municipal da cidade são decoradas com motivos natalícios, todos os anos, para a chegada do Natal.



Árvore de Natal


A árvore de Natal tem origens na Alemanha. É considerada a alma do Natal. Acredita-se que Martinho Lutero deu início à tradição, quando, numa noite de véspera de Natal, trouxe uma para o quarto de sua filha, para que ela pudesse desfrutar da natureza sem sair à rua, por causa do Inverno rigoroso.

A primeira aparição de um Tannenbaum (termo em alemão para o pinheiro de Natal) foi registada na Alemanha muito após a morte de Lutero. Em 1605, na cidade de Estrasburgo, atualmente na França, um cronista escreveu: “Em tempo de Natal, eles colocam pinheiros em suas casas”. Mas o mais provável é que o costume seja de 1550, época em que as primeiras canções que mencionavam os pinheiros de Natal, já eram ouvidas e cantadas frequentemente.

Um Natal alemão sem pinheiro é impensável e as luzes e velas que o adornam são parte essencial dessa festividade na Alemanha. Todas as famílias preservam o hábito de ter um pinheiro em casa, mesmo vivendo fora do seu país, assim como os usam também para decorar espaços públicos. 

As bolas que se penduram na árvore de Natal também são uma invenção alemã e, hoje em dia, são indispensáveis na decoração natalícia. Tradicionalmente feitas de vidro, as bolas estão presentes em árvores de Natal de todos os lugares do mundo. Sua invenção é atribuída a um vidreiro alemão da região da Turíngia, em 1847. Por não ter dinheiro para adquirir enfeites à época mais caros, como nozes, maçãs e doces, o vidreiro decidiu soprar bolinhas de vidro para enfeitar a sua árvore de Natal. Outros vidreiros gostaram da ideia e passaram a produzir os mesmos enfeites, que rapidamente se tornaram populares.


Feito com base em informações do site da Embaixada da Alemanha em Maputo




domingo, 4 de dezembro de 2016

Depois de mais de 3 anos na Alemanha posso dizer que estou bem e feliz com a minha escolha. As saudades estão presentes mas consigo ver mais além, as oportunidades, as vivências, as experiências que vamos tendo e proporcionando aos nossos filhos são muito importantes.
Não tenho saudades de tudo em portugal: não tenho saudades de perder tempo na caixa do supermercado à espera do preço dum produto ou nas repartições de finanças a tratar de algo; dos queixumes frequentes dos portugueses que não fazem nada para mudar; da passividade quando veem sempre os mesmos a serem beneficiados; do chico esperto a tentar safar-se sem ter em conta princípios ou valores; do conformismo das pessoas perante os atos dos politicos e a corrupção que cada vez se torna mais notória;  da curiosidade das vizinhas que perguntam por mim à minha mãe com ar de pena. Sim, estou lá para a Alemanha mas estou muito bem- obrigada pela preocupação.
Vamos deixar-nos de lamúrias. Temos uma boa qualidade de vida, vivemos em família, não (n)os privamos de nada, contactamos com pessoas de diferentes sítios, aprendemos constantemente novas maneiras de fazer as coisas; ganhamos capacidades várias; desenvolvemos habilidades para transformar o complicado em simples: sou uma pessoa muito melhor e mais rica desde que aqui estou, daquela riqueza que importa, que se faz de conhecimento, experiência e consciência. Até as passagens pelo hospital me transformaram para melhor, agora a saúde é o que mais prezo e evito tudo que me tire a paz e o sossego, só me preocupo com o que verdadeiramente importa (ou tento).


 Parei para olhar a minha filha e comparei-a comigo na mesma idade, ela tem vivido muito mais. Outro dia perguntei-lhe, depois de ela ter referido o nome, quem era o Kevin, se era aquele seu amigo chinesinho e ela respondeu, perentória:
- Ele não é chines, ele é igual a mim e a todos la a escola!
Ela tem muita diversidade de crianças na escola, no que respeita a língua, proveniência e aspeto, porém presenteou-me com a resposta mais genial e sábia.   
A minha filha está numa caminhada para se tornar uma verdadeira criança bilingue e a ter uma educação escolar diferente, melhor ou pior depende da perspetiva. O que importa é que ela consiga trazer um pouquinho da espontaniedade e simpatia de Portugal para aqui e consiga levar a organização e a ordem no sentido inverso e esse mix vai torná-la uma pessoa especial.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016



O meu filho vai começar a frequentar a escola da irmã só que no andar dos bebés (como diz a Inês), já ando a tratar dos documentos desde o inicio de Setembro mas só agora tenho os necessários. Vai ficar 4 a 5 horas por dia e vamos pagar 58 euros por mês. 

 Existe uma prática muito boa, ir adaptando as crianças lentamente para não ocorrer o choque de as deixar logo sozinhas. Assim não há gritos, não há súplicas às mães para os levarem e não há também os corações das mães (e das crianças) partidos a sentirem-se culpadas por os terem abandonado, com muitas lágrimas de ambas as partes.Na próxima quinta será o primeiro dia e vamos ficar apenas das 10 às 11h, prolongando o tempo até ele estar preparado para ficar sozinho.

Ele tem quase 20 meses, penso que é uma boa idade mas mesmo sabendo que é  a melhor opção, tenho preocupação com a sesta e a alimentação.

Eu ainda o amamento e ele dorme agarrado à minha mama (penso  que já não para se alimentar mas como consolo), é o nosso momento, porém a partir de agora ele terá que aprender a adormecer sem mim de tarde. Acredito que ele se adaptará bem, eles e as suas capacidades surpreendem-nos frequentemente.

  Quanto a alimentação, eles comem (bebés e crianças de 1 aos 3 anos) o mesmo que os restantes, só que os educadores terão o cuidado de partir em pedaços mais pequeno.  Não acho a comida adequada para crianças, quanto mais para bebés de 1 ano e meio. Não existe a preocupação com a introdução de legumes ou frutas, quase nunca a refeição tem proteína (carne ou peixe ou ovos ou até leguminosas), comem muitas vezes Milchrice que é arroz cozido em leite sem gemas ou qualquer sabor ou então Brei que é  uma espécie de papa de cereais com fruta enlatada, Nudeln mit Tomate Sauce, massa com molho de tomate. O maior problema é  a comida ser artificial, parece feita com base em pós ou caldos processados. Aposto que as cozinheiras (se é que se podem chamar assim)  só sabem cozer massa e arroz ou usar produtos pré preparados. 

Outro dia em conversa com outra mãe fiquei a saber que o filho adora a comida da escola e que, quando ela acrescenta alguma erva aromática ou tempero, ele já reclama e não quer comer e também comentou que o maior entrave na questão da alimentação na escola  é monetário. 

Ora, nós pagamos 1 euro por dia para o almoço e penso que bem gerido poderiam oferecer melhor comida às crianças. Eles oferecem muitas vezes massa recheada com molho. Cada embalagem custa 0,79 euros e tem 250 g, acho que não mexia muito nas despesas comprar também uns tomates e um pepino. Acho que a questão é mais cultural e de hábito  porque pelo que tenho ouvido é igual em todos os outros creches/jardim de infância.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Começam a aparecer boas laranjas. Sumarentas e doces com uma casca fina, da cor do seu próprio nome e tão brilhante, que as conheço à distancia. Costumam ser secas com umas fibras interiores muito desagradáveis mas estas são ótimas e fizeram um bolo delicioso de nome Babá de laranja cuja receita retirei daqui, Fiz uma pequena alteração que equilibrou a grande quantidade de açúcar que levava: na calda acrescentei no fim um cálice de uísque.

Já dei aulas na zona de Cascais, no Estoril e tenho muitas saudades dos lanches de scones (eram novidade para mim) quentinhos com manteiga a derreter ou compota e os chás sofisticados e perfumados que bebia naqueles lanches de fim de tarde com as minhas colegas que se tornaram amigas e que desejo muito voltar a ver brevemente (obrigada Florinda por me teres dado muito apoio quando eu mais precisei, nunca te esquecerei).  Outro dia quis recordar e fiz uma receita de scones de cenoura. Estavam deliciosos e a minha filha levou para o jardim infantil sem problema, uma vez que não tinham açúcar. Já tinha feito anteriormente do mesmo blog este pão com banana que ficou muito bom.     


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Já tinha tido orquídeas em Portugal mas todas tinham morrido. 

No nosso nono aniversário de casamento, o E presenteou-me com uma orquídea muito especial com flores azuis. Está ainda ali verdinha (já sem flores) em cima da minha secretária. Quando as flores caíram, cortei as hastes na diagonal  com uma tesoura previamente passada pelo fogo e coloquei canela na zona do corte. Tenho regado uma vez a cada duas semanas agora no tempo frio e escolhi um sitio com muita luz. Isso e a temperatura que se sente dentro de casa (por volta dos 22ºC) faz com que esta seja a primeira orquídea a sobreviver nas minhas mãos mais de 2 meses. 

Como esta cor não é natural as próximas flores serão mais esbranquiçadas (espero eu que existam próximas).  Aqui estava ela, esplendorosa, a embelezar a minha entrada.


Por falar em plantas, mostro também na fotografia seguinte, uma que a minha mãe me comprou quando nasceu o Eduardo. Está em minha casa há 19 meses e é a segunda vez que floresce mas desta vez está mesmo espetacular com muitas flores e com um ar tão saudável.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Possíveis causas de infertilidade

40% de causa feminina, 40% masculina, e 20% de infertilidade inexplicável

Causas femininas- A mulher pode ter problemas na ovulação tanto na quantidade como na qualidade dos ovócitos. Ocorre frequentemente o síndrome do ovário poliquistico em que os ovários nao produzem regularmente um ovócito, o que acaba por reduzir as oportunidades de engravidar (se durante um ano a mulher ovular 9 vezes, só tem 9 ocasiões para engravidar). Os ovários enchem-se de quistos e têm um tamanho maior que o normal. 
É preciso referir a importância do fator idade da mulher porque a quantidade e a qualidade dos ovócitos reduz muito mas isso acaba por ser redutor porque há inúmeros casos de mulheres de idade avançada com boa reserva e qualidade e vice versa. No meu caso pessoal, foram-me detetados quistos nos ovários (o que se refletia em ciclos menstruais irregulares) mas na Alemanha fiz uma bateria de exames mais completa e foi-me dito que tinha boa qualidade e quantidade de ovócitos, apesar de já ter 35 anos e conheço muitos outros casos de mulheres mais novas em que aqueles se revelaram de péssima qualidade. Foi também o que mostrou a FIV que fiz em que todos os embriões evoluíram bem e um deles acabou por resultar numa gravidez durante a TEC. É importante perceber que neste contexto de fertilidade uma mulher com 35 anos é considerada de idade avançada, o que não exclui atingir uma gravidez mais facilmente que uma de 20 anos.
Existem também mulheres com septos uterinos, o útero tem uma malformação que basicamente é uma divisão incompleta ou então miomas que afetam a nidação (implantação do embrião no útero). 
Por vezes, as trompas estão obstruidas ou cheias de liquido, o que impede a passagem dos espermatozóides e até do próprio embrião, resultante de alterações por infeções sexualmente transmissíveis, gestação ectópica, cirurgias pélvicas ou endometriose. Esta última é uma condição em que o endométrio (tecido interno do útero que se espessa para receber o embrião) aparece noutros locais e pode afetar a fertilidade.
Existem também problemas imunológicos em que o sistema de defesa da mulher-sistema imunitário ataca o embrião na altura em que ele faz o caminho das trompas até ao útero ou quando ele já está implantado, ou ainda trombofilias (dificuldades na coagulação do sangue) que se manifestam por abortos de repetição.

Causas masculinas- o homem deve fazer um espermograma porque, por vezes, a mulher está  a fazer tratamentos que são completamente inúteis, uma vez que pode haver  problemas no esperma não detetados. Estes podem ser teratospermia,  astenospermia, azospermia e oligospermia. A teratospermia é a baixa produção de espermatozóides normais, com a capacidade para a fecundação. A astenospermia é a incapacidade de os espermatozóides se moverem rápido e em linha reta para chegarem em tempo útil ao ovócito. A azospermia é a ausência e a oligospermia é a baixa quantidade de espermatozóides no esperma.
Há aqui a referir o varicocelo que é uma alteração nos vasos sanguíneos dos testículos em que se dá uma acumulação de sangue nos mesmos (aumento da temperatura), o que afeta a produção de espermatozóides. Problemas genéticos também podem contribuir para alterações no espermograma, nomeadamente microdeleções no cromossoma Y (partes do cromossoma Y que simplesmente não estão lá). 
Na maior parte das vezes, estas alterações no esperma não têm causa aparente ou ainda não foi descoberta uma, uma vez que fisicamente, geneticamente e hormonalmente está tudo normal. 
Note-se que a espermatogénese no Homem demora cerca de 72 dias e, se tivermos em conta todo  o processo até à saída do corpo, são cerca de 3 meses, sendo este um processso muito sensível a alterações, tanto na concentração hormonal (testosterona) como na temperatura ( uma febre pode afetar o processo), medicamentos, processos infeciosos, exposição a pesticidas, raios X ou metais pesados, esteróides anabolizantes, tabaco e álcool. Convém repetir o espermograma passados cerca de 3 meses para confirmar os resultados e fazê-los num hospital ou clínica especializada, seguindo à risca os procedimentos.
Por outro lado, no caso masculino ainda não se intervém  diretamente na produção de espermatozóides. O que os médicos aconselham é evitar o calor ao nível das ancas, um estilo de vida saudável e receitam suplementos vitamínicos.


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Estou de queixo caído e a minha surpresa é tanta que não consigo parar de pensar: Como é possível o que aconteceu esta noite? Como é possível que os americanos não tenham tirado lições do que aconteceu no mundo no passado recente? Como é possível não terem ponderado melhor e tomado outra decisão?  Como é possível não terem olhado para os alemães que se envergonham e dizem que as gerações mudaram? Como é possível não verem que em Berlim existem imensos museus, monumentos, referencias a todos que pereceram: judeus, homossexuais, ciganos, deficientes alemães? Como é possível não se interessarem pela história da Sophie Scholl, uma jovem alemã que foi guilhotinada porque entregava panfletos numa universidade? Como é possível não refletirem sobre o que aconteceu na praça em frente à Catedral de Berlim  onde 200 pessoas foram abatidas por metralhadoras enquanto se manifestavam pacificamente contra o nazismo? Como é possível não lerem e não se informarem sobre o que aconteceu na Noite dos Cristais em 9 de Novembro de 1938 e todos os horrores que se lhe seguiram?  Como é possível elegerem para seu presidente um homem racista, xenófobo, insano e completamente descontrolado? Como é possível as pessoas não perceberem que um líder assim e a sua propaganda podem manipular as pessoas e incutir nas suas mentes ideais muito perigosos? Como é possível ter sido eleito alguém que disse que não aceitaria os resultados das eleições?
Digam-me que é um pesadelo e que isto não está a acontecer...



terça-feira, 1 de novembro de 2016

A minha bruxinha a fazer voar as folhas...



O meu pequeno e a chuva de folhas...

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Moçambique
A chegada ao pais foi uma experiência brutal. O bafo quente ao sair do avião foi asfixiante e, como não tinha tratado do visto em Portugal (preenchi um papel a indicar qual a finalidade da visita e a morada da estadia e paguei 10 euros), ainda demorei algum tempo antes de me deixarem sair do aeroporto.
 Nunca esquecerei o caminho até casa. As pessoas, as habitações, o lixo, a sujidade, as estradas, os artigos para venda no chão em cima de um pano, os passeios inexistentes e aquele  turbilhão de gente (muitas crianças) a caminhar na beira da estrada. Odiei tudo. Fiquei mal impressionada com tudo o que vi, era tudo tão diferente, tão pobre e triste.
Depois de uma semana quando comecei a sair e a ver outras coisas, a minha opinião foi mudando. Comecei a ver que as crianças pediam na estrada com um ar lastimoso mas, quando virávamos costas, estavam a brincar e a rir felizes. As pessoas eram livres, alegres, havia festa todo o fim de semana, o clima era bom, no geral, a comida era suficiente para todos. Claro que não havia luxos e que as pessoas precisavam de mais condições de habitação, medicas, sanitárias e outras, mas eram felizes. Felicidade é uma palavra que caracteriza bem o povo moçambicano, tão diferente deste sisudo e carrancudo povo alemão. Parando para pensar, o meu marido já viveu em países diametralmente opostos, Moçambique e Alemanha, a selva e o deserto, não sei qual deles mais selva ou mais deserto.


Tivemos experiências ótimas, algumas chocantes, outras tristes outras simplesmente divertidas.
Uma vez, vimos um homem estendido no chão que tinha morrido num acidente de mota e ninguém o cobriu, já estava meio despido porque, entretanto outros apoderaram-se das suas roupas e sapatos.
Quando estivemos em Inhambane hospedados num lodge que ficava na praia (o local parecia uma língua de terra no mar) e só tínhamos como ligação à cidade uma estrada de terra batida que, de noite ficava coberta pelas águas dum  pântano e num lodge vizinho houve uma explosão seguida dum grande incêndio. Eu fiquei aflitissima porque o telhado da casinha onde estávamos era coberto de palha. eu disse ao meu marido,  primeiro que deviam ser foguetes e depois que os bombeiros já vinham e ele riu-se. O guarda noturno estava supertranquilo, com um sorriso despreocupado disse-me para ir dormir mas eu fiquei acordada até o fogo se extinguir completamente.
Em Inhambane, apercebi-me quando visitei outras praias que eles enterravam os mortos naquele local e, sem querer estava sem cima de uma sepultura improvisada.
Um velhote, idoso como nunca vi lá, fez-nos sinal de paragem com um ar superior, paramos, eu indiquei-lhe para entrar para a cabine e ele subiu para a caixa de mercadorias (é habito andarem atrás). Quando o deixei, apertei-lhe a mão, um ancião que devíamos respeitar.
Por outra vez, paramos para dar boleia a uma jovem mulher que ia carregada e de repente subiu tanta gente para a caixa traseira que não sabíamos se a carrinha aguentaria.
O E num local recôndito encontrou um homem sem roupa nem eletricidade mas com um telemóvel a perguntar quando chegava a rede.
No inicio do mês os supermercados a abarrotar de gente e os carrinhos enchiam-se a uma grande velocidade. no fim quase não havia ninguém.
A empregada da casa, tão humilde e calada, que ouvia o que dizíamos ao almoço entre nós e no dia seguinte ia pedir a varinha mágica à vizinha para fazer a comida como tínhamos dito (comoveu-me a maneira como me agradeceu quando escrevi que podia levar umas roupas do antigo inquilino, só assim a deixavam sair do prédio com elas, na segunda vez que fui, levei mesmo roupa para ela e para os filhos).
O acidente grave que o E teve provocado por um camião que estava parado na faixa de rodagem e não estava sinalizado (de noite não o viu).
Aquele fim de semana na Ilha de Inhaca (tanto medo ao entrar naquele avião minúsculo) em que vimos como as mulheres apanhavam os caranguejos na praia e em que colocamos o ar condicionado no máximo para dormirmos bem cobertos protegidos dos mosquitos.
As condições sanitárias do mercado do peixe em Maputo assustavam qualquer um: terra batida, toldes a proteger do sol, bancas de madeira velha, sem qualquer sistema de refrigeração. No entanto, o peixe e marisco que trouxe foram dos melhores que já comi.
O mercado do pau também vale a pena visitar, das capulanas, aos batiques, às estatuetas de madeira. Todos os sábados negocia-se ali todo o tipo de artesanato moçambicano. Trouxe de lá peças bem interessantes.
A moeda moçambicana é o metical (neste momento, o câmbio  está a 84,28 MT=1 euro) e convém negociar bem porque os preços para turistas são muito diferentes. Tenha cuidado com os levantamentos de dinheiro nas caixas automáticas (multibanco) porque, por duas vezes, pagamos quase tanto de taxas como o próprio levantamento. Maputo tem alguns bons restaurantes relativamente baratos mas recomendo especialmente o Zambi (sobremesas e pão de alho de entrada) e o Cristal (caranguejo de entrada e galinha com coco e arroz- galinha à cafreal) pela comida, pelo atendimento e pelo ambiente (todas estas dicas datam de 2008 e 2009, quando lá estive) . Ficam estas fotos que seleccionei das inúmeras que tirei por lá (colocarei mais)... 

























sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Quando cheguei a casa depois de uma semana em Portugal a tratar duns assuntos, encontrei este poster no meu corredor:

 Uns dias depois, quando fui deitar a minha filha e depois de ler a história, ela começou a chorar e eu perguntei o que se passava e ela disse:
_ Estou a chorar de felicidade!
Quando a questionei sobre o motivo, ela respondeu-me:
-Estou feliz porque a mamã está de volta!
Dei-lhe um abraço e os meus olhos também se encheram de lágrimas.









domingo, 9 de outubro de 2016

A Maria Inês tem 5 anos. Ela é obediente e tímida, introvertida e fechada. Com as pessoas certas é muito carinhosa e meiga mas costuma limpar os beijos porque aqui na Alemanha não gostam de beijos e os colegas na escola fazem o mesmo. 

É preguiçosa, adora que a vistam e dispam e que lhe coloquem a comida na boca, demora eternidades a fazê-lo e estamos sempre a dizer para se despachar. 

Adora ir para o ballet, cantar, dançar e ver desenhos animados. 

No inicio do Verão começou com os medos, tem medo de  cobras, de escorpiões, de insetos e até diz que, de noite, quando olha para os casacos pendurados lhe parece um homem e fica cheia de medo. Temos que ter cuidado com o que dizemos à frente dela, tentar transmitir-lhe confiança e a minha mãe no Verão falava-lhe do anjinho da guarda antes de ir dormir, o que a acalmava muito (nós temos continuado).

Nota-se que tem ainda uma resistência à chegada do irmão e que ainda tem sentimentos contraditórios em relação a ele. Gosta de brincar com ele mas, por outro lado, tenta ter atenção, diz que gostava de ser um bebé e fala como um.

Escreve bem o nome dela, reconhece as vogais e algumas letras, conhece quase todos os números e consegue desenha-los. Pinta bem mas não desenha bem. Adora fazer exercícios de encontrar o caminho, de diferenças e de colar autocolantes. Gosta de ajudar nas tarefas domésticas e fá-lo bem.

É muito responsável e preocupada. Na noite antes de ir ao ballet pela primeira vez diz que não dormiu a pensar nisso e foi um pouco empurrada porque, até ao fim da primeira aula, dizia sempre que não queria.Não gosta de mudanças e fica nervosa e insegura quando tal acontece. Essa insegurança e o perfeccionismo dela faz com que nem tente fazer as coisas e diga à partida que não vai conseguir. Já apertou os cordões dos sapatos várias vezes mas, se não consegue à primeira, fica irritada e diz logo que não vai conseguir. 

É uma vorschule Kind (pré-escolar) e essa insegurança e timidez estão a prejudica-la na escola. Está um pouco atrasada na língua porque só brinca com os meninos pequenos, os quais entende mais facilmente e descobri porque não come na escola: disse-me, depois de muita insistência minha e de algum choro da parte dela, que não sabe comer como as outras meninas de garfo e faca. Para a idade dela acho que ela tem muita preocupação com tudo, tem muita auto critica e compara-se muito com as outras e o pior de tudo diz que elas são mais espertas. Este sentimento só pode advir do fato de ter chegado à escola com 3 anos sem falar uma palavra de alemão e, também da educação que teve mais à portuguesa, em que toda a gente lhe fazia tudo numa tentativa de a poupar e de lhe facilitar a vida. Isso aqui na Alemanha, um país em que as crianças se começam a vestir aos 18 meses e, no primeiro ano são incentivadas a ir sozinhas para a escola, não é muito comum. 

Espero que esta situação não venha a marcar a personalidade da minha Inês e ela possa ultrapassar este sentimento de inferioridade que ela tem.

Está alta e magrinha com umas pernas longas, cara comprida e com um leve tom rosado com uns lábios vermelhos muito bem desenhados. Tem os olhos mais lindos do mundo.






sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O Eduardo faz hoje 18 meses. Está um reguila, sobe a sofás e cadeiras e quer subir a mesas. Imita todos e percebe bem o que se diz e também se faz entender, comunica muito bem. Quando há algo que ele não pode pegar,  aponta e depois com o dedito assinala que não mas, por vezes, apanha-nos distraídos e pega mesmo. Não fala mas palra imenso na sua própria língua (algumas palavras já percebo sapato, pato, tá aqui, mama, papá, mana, anda). Aponta, pega-nos na mão e puxa-nos quando quer alguma coisa. É querido e meigo mas intempestivo, quando contrariado é estalada e pontapé para todo o lado. Com a irmã tanto anda aos beijinhos e abraços como às puxadelas de cabelo e empurrões (nestes últimos dias tem melhorado). Chora para entrar no banho (odeia chuveiro) e para sair, adora brincar com água. Mete tudo no balde de limpar o chão e até tenta meter o próprio pé. Não come muito, não tem muito apetite mas adora provar tudo (fica no nosso colo a petiscar quando comemos). É muito curioso, desarruma prateleiras e gavetas, com ele a casa nunca está arrumada. Atira as coisas para longe e já atingiu algum de nós. Ao contrário da irmã, tem uma tendência natural para os homens, com estes a empatia é automática. É bem disposto mas tem um acordar complicado, principalmente se não dormiu tudo. Custa-lhe adormecer e por vezes desisto e trago-o de volta à sala mas a sesta da tarde é sagrada.  Adora musica e dançar, gosta que as pessoas se riam dele, faz muitas palhaçadas. Nos últimos meses, deu um pulo: media com 17 meses e meio 81cm mas pesava apenas 9kg e meio. Tem 7 dentes e, depois dos quatro incisivos (2 em cima e 2 em baixo), apareceram os molares.  Quando me chateio com ele, procura o contato visual e sorri como que a pedir desculpa. Se estou mesmo zangada e lhe ralho, faz beicinho mas se lhe der colo logo a seguir ele aceita e agarra-se a mim. Sempre foi de sorriso fácil e tem as gargalhadas mais deliciosas do mundo.


É frustrante tentar descrever os meus sentimentos pelos meus filhos porque quanto mais falo mais fica por dizer. O que sinto é tão gigantesco e ilimitado que chamar-lhe só amor é subtrair-lhe grandeza. É assim mais ou menos como falar do sistema solar e querer falar do universo...



sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Mal entramos no Outono, ainda decorria o mês de Setembro, já as lojas em Berlim se enchiam de artigos de Natal. Convém pensar e seleccionar a decoração natalícia e comprar proximamente senão, quando formos ver, só sobram meia dúzia de coisas sem graça. A mesma coisa com os calendários para 2017 que, até ao principio de Novembro desaparecem todos das lojas. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Compro abacate várias vezes mas os meus filhos não gostam muito. Ainda os vou enganando, misturando-o com iogurte e bolacha maria mas nunca tem boa aceitação (eu nãos os censuro, também acho o abacate simples bastante insípido e desagradável), por isso, tinha um abacate a passar do ponto no frigorífico e quando vi esta receita resolvi experimentar. 
Bem, nem vos conto, ficou uma delícia! Nunca mais se vão estragar abacates aqui em casa.

terça-feira, 27 de setembro de 2016


Hoje, o meu filho fez festas a um lavrador que estava parado à porta de um supermercado e hoje uma senhora de alguma idade dirigiu-se ao local onde eles estavam e disse, com um sorriso enternecido:

-Du bist ein schöner Hund!- Tu és um cão espetacular!


Hoje entendi porque existem tantos cães nesta cidade e as crianças têm que ir sossegadinhas no carrinho senão alguém adverte os pais ou as próprias crianças.

Hoje mais uma vez percebi  o quanto os alemães gostam de cães e o quão frios são para as crianças.


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Por vezes, dou por mim a pensar que queria voltar a fazer uma determinada receita mas não me  lembro onde a vi, não a guardei e não sei que alterações lhe fiz. Por isso, resolvi colocar aqui as receitas diferentes que vou fazendo (com os devidos créditos). 
Com uma fruta que foi amadurecendo lentamente até ao limite e que, quando abri, se revelou uma surpresa, doce e aromática, fiz sopa de meloa com presunto (a receita encontra facilmente em qualquer pesquisa na Internet). Fresca é deliciosa, contendo a dose certa de doçura, picante e sal transmitida pela fruta, pimenta e presunto, respetivamente. 
No domingo, fiz arroz árabe (a receita encontra-se facilmente na Internet). Não utilizei passas nem sultanas e substitui óleo vegetal ou azeite por óleo de coco. Moderno e saudável, adorei o sabor que transmitiu ao arroz. Grelhei simplesmente uma costeleta temperada de sal, pimenta e tomilho, o acompanhamento virou o principal e o meu marido lambeu os beiços.
Um bolo maravilhoso, tão simples quanto saboroso, adaptei o recheio e cobertura: em vez de coco fiz creme pasteleiro com amêndoa picada mas não totalmente triturada. Combinei várias receitas no creme pasteleiro e já é a segunda vez que o faço mas nunca fico totalmente convencida, ou não engrossa ou parece que fica com grumos. Quero reproduzir o que se come nas pastelarias e em casa nem sempre é fácil. Mas preciso voltar a salientar esta receita de massa de bolo que me convenceu totalmente e que irei usar novamente (receita aqui).  




sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Muitos casais sofrem de infertilidade e lutam por uma gravidez, nós passamos por isso (é algo que nunca deixamos para trás) e conhecemos bem os sentimentos, dúvidas e perguntas que passam pela cabeça de todos que vivem este problema: querer desistir, achar que nunca vamos conseguir,  confusão por tantas  palavras novas usadas pelos especialistas,  tantos exames com nomes complicados, será que vão doer, em que será que consiste esta FIV ou esta inseminação artificial, preços destes tratamentos, probabilidades de sucesso, o que estou a fazer ao meu corpo, para que servem tantas injeções, será que é desta, não percebo porque não correu bem, não percebo como só correu bem agora, fazer repouso ou não, é normal ficar revoltada com a prima que se queixa porque está gravida novamente ou afastar-me das grávidas e dos bebés que tanto amo... Calma, primeiro é necessário perceber como tudo ocorre no corpo da mulher e como são constituídos os sistemas reprodutores feminino e masculino. Se já não se lembram muito bem das aulas de Ciências Naturais, venham dai, eu vou tentar explicar como faria aos meus alunos (que saudades de ensinar isto tudo e repetir estes termos!!!).


O útero é o local onde se desenvolve o embrião, os ovários é onde se produzem as células reprodutoras, os ovócitos e as trompas de Falópio são  os dois canais que ligam os ovários ao útero.



Representação esquemática do Sistema Reprodutor Feminino (lembrei-me agora que um aluno uma vez me perguntou se estas cores eram mesmo assim. Lindo, tão inocente!!!!)




Representação esquemática do Sistema Reprodutor Masculino


No homem existem os testículos que são os locais onde se produzem os espermatozóides, as células reprodutoras masculinas. As vesículas seminais e a próstata secretam o liquido seminal que se junta aos espermatozóides para formar o esperma. Os epidídimos e o canal deferente  armazenam e transportam os espermatozóides até à uretra para depois o esperma ser lançado para o exterior.



As mulheres nascem com todas as células reprodutoras  que vão precisar desde a puberdade à menopausa e os homens produzem-nas continuamente ao longo da vida.Todos os meses desenvolvem-se no ovário alguns folículos que contêm no seu interior um ovócito mas dos muitos que se desenvolvem, só um atinge a maturação (dimensões de 18mm a 22mm) necessária para que ocorra a ovulação (rompimento da parede folicular externa e da parede ovárica e saída do ovócito para as Trompas de Falópio). As restantes células do folículo mantêm-se no ovário e transformam-se no corpo lúteo ou corpo amarelo que vai produzir a progesterona que tem como função principal aumentar a espessura do endométrio (paredes do útero)  para estar preparado  no caso de surgir um embrião no útero. Por sua vez, o ovócito entra na trompa e vai avançando em direcção ao útero durante aproximadamente 24 horas.


Se durante esse intervalo de tempo não surgir nenhum espermatozóide com a capacidade para a fecundação, o ovócito é reabsorvido pelo corpo feminino e 
passados 14 dias o corpo lúteo degenera e o endométrio descama, surgindo a tão odiada menstruação. Aquele ciclo menstrual acabou (claro que um novo começa nesse dia) e resta esperar por novo desenvolvimento de folículo no ovário que demora mais 14 dias (em ciclos de 28 dias) até nova ovulação.


Se pelo contrario, o ovócito entrar em contacto com um espermatozóide (este em condições normais resiste cerca 3 dias dentro do corpo da mulher) de formato normal (apenas uma cabeça ovalada e uma cauda) ocorre a fecundação (união do espermatozóide com o ovócito). O material genético das 2 células reprodutoras funde-se e o zigoto inicia o seu caminho pelas Trompas de Falópio. O zigoto passa por várias transformações, multiplicam-se as células e fica com o aspeto de uma framboesa- mórula e, de seguida, essas células vão-se diferenciar, organizando-se em 3 camadas distintas,  o embrião atinge o estadio de blastocisto. Durante esta fase do seu desenvolvimento, o embrião é muito frágil e por vezes é identificado como um corpo estranho pelo organismo da mulher e é eliminado.

Fases do desenvolvimento embrionário

Chegado ao útero, o blastocisto inicia o processo de nidação (fixação nas paredes do útero- a espessura ideal destas é aproximadamente 8 mm). Só quando bem fixado é que começa a produzir a Beta-hcg e ela pode ser detetada nos testes de gravidez de urina ou de sangue. Os testes de sangue permitem quantificar a  hormona, são mais precisos e os de urina apenas indicam a sua presença ou ausência. Quando o teste de urina, que deve ser feito de preferência com a primeira urina da manhã der positivo, estamos perante uma gravidez que pode evoluir positivamente ou não. Se esse teste der negativo, pode dar-se o caso da quantidade de hormona não ser suficiente para ser detetável por estes testes. convém repetir passados uns dias ou então fazer o teste sanguíneo no laboratório.


Fica de uma forma muito resumida e simplificada a descrição deste processo, no qual muita coisa pode correr menos bem e não se atingir o resultado esperado. No entanto, é considerada infertilidade se o casal tiver relações sexuais não protegidas a cada 2 ou 3 dias e durante um período de 1 ano não ocorrer a gravidez (no caso de mulheres acima dos 30 anos aconselha-se a pedir ajuda médica ao fim de 6 meses de ciclos sem sucesso). Irei fazer outros posts sobre 
este tema com as possíveis causas da infertilidade, exames e tratamentos no combate a infertilidade...

Post sobre o meu percurso aqui e aqui e outro que também pode ajudar aqui.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Faz-se tudo muito mais devagar com dois filhos e o que queremos terminar demora, demora e demora. Porque um quer comer, quer água, quer mimo ou atenção, o outro precisa de mudar a fralda, quer dormir ou simplesmente ter alguém com quem brincar, ou começam a disputar o mesmo brinquedo e eu tenho que intervir (tento fazê-lo poucas vezes e dar-lhes tempo para que resolvam os seus conflitos). Muitas vezes, desarrumam o que eu arrumo  e no fim está um caos para fotografar. Esta é a vida real com dois filhos, ás vezes sinto que precisava de me dividir mas, nem por um minuto questiono a minha decisão de aumentar a família. Esta é constituída por um pai e uma mãe (ou dois pais ou duas mães- costumo dizer à minha filha quando arranjares um namorado ou uma namorada- isto provoca muitas reacções negativas e dava outro post) e, por isso o papel do pai é ser um pai, não é ajudar e dar uma mãozinha, é ser um pai presente que mete as mãos na massa e se envolve no tratamento e educação dos filhos. Aqui em casa temos um pai assim. 


Acho que o papel da mãe nisto tudo é muito importante: envolver o pai nos cuidados aos filhos desde o nascimento, elogia-lo e solicitar a sua ajuda, sempre. Não querer ser a mãe que tudo faz e tudo pode, admitir que se precisa de duas horinhas nas compras ou a dormir ou no cabeleireiro e aceitar ajuda quando ela é oferecida. Orientar o pai e ensina-lo no que ele precisa. se sempre fez tudo até aos 2 anos de idade das crianças e respondia que fazia e que ele não tinha jeito, não espere que agora, de repente ele queira ou saiba fazer. Por isso, se está gravida ou tem um bebé recém nascido ou até mais velho, integre o seu marido no cuidado e vida dos vossos filhos, nem que seja só por duas horas ao dia. Quando tiver dois ou mais, acredite que vai agradecer. 


Depois disto tudo, quero dizer que terminei a decoração nova do quarto da minha filha e consegui tirar umas fotografias (o pai foi com os miúdos para o parque umas duas horas) e o resultado ficou bem mimoso com muitos passarinhos e umas cores suaves. Estava assim antes.