sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Possíveis causas de infertilidade

40% de causa feminina, 40% masculina, e 20% de infertilidade inexplicável

Causas femininas- A mulher pode ter problemas na ovulação tanto na quantidade como na qualidade dos ovócitos. Ocorre frequentemente o síndrome do ovário poliquistico em que os ovários nao produzem regularmente um ovócito, o que acaba por reduzir as oportunidades de engravidar (se durante um ano a mulher ovular 9 vezes, só tem 9 ocasiões para engravidar). Os ovários enchem-se de quistos e têm um tamanho maior que o normal. 
É preciso referir a importância do fator idade da mulher porque a quantidade e a qualidade dos ovócitos reduz muito mas isso acaba por ser redutor porque há inúmeros casos de mulheres de idade avançada com boa reserva e qualidade e vice versa. No meu caso pessoal, foram-me detetados quistos nos ovários (o que se refletia em ciclos menstruais irregulares) mas na Alemanha fiz uma bateria de exames mais completa e foi-me dito que tinha boa qualidade e quantidade de ovócitos, apesar de já ter 35 anos e conheço muitos outros casos de mulheres mais novas em que aqueles se revelaram de péssima qualidade. Foi também o que mostrou a FIV que fiz em que todos os embriões evoluíram bem e um deles acabou por resultar numa gravidez durante a TEC. É importante perceber que neste contexto de fertilidade uma mulher com 35 anos é considerada de idade avançada, o que não exclui atingir uma gravidez mais facilmente que uma de 20 anos.
Existem também mulheres com septos uterinos, o útero tem uma malformação que basicamente é uma divisão incompleta ou então miomas que afetam a nidação (implantação do embrião no útero). 
Por vezes, as trompas estão obstruidas ou cheias de liquido, o que impede a passagem dos espermatozóides e até do próprio embrião, resultante de alterações por infeções sexualmente transmissíveis, gestação ectópica, cirurgias pélvicas ou endometriose. Esta última é uma condição em que o endométrio (tecido interno do útero que se espessa para receber o embrião) aparece noutros locais e pode afetar a fertilidade.
Existem também problemas imunológicos em que o sistema de defesa da mulher-sistema imunitário ataca o embrião na altura em que ele faz o caminho das trompas até ao útero ou quando ele já está implantado, ou ainda trombofilias (dificuldades na coagulação do sangue) que se manifestam por abortos de repetição.

Causas masculinas- o homem deve fazer um espermograma porque, por vezes, a mulher está  a fazer tratamentos que são completamente inúteis, uma vez que pode haver  problemas no esperma não detetados. Estes podem ser teratospermia,  astenospermia, azospermia e oligospermia. A teratospermia é a baixa produção de espermatozóides normais, com a capacidade para a fecundação. A astenospermia é a incapacidade de os espermatozóides se moverem rápido e em linha reta para chegarem em tempo útil ao ovócito. A azospermia é a ausência e a oligospermia é a baixa quantidade de espermatozóides no esperma.
Há aqui a referir o varicocelo que é uma alteração nos vasos sanguíneos dos testículos em que se dá uma acumulação de sangue nos mesmos (aumento da temperatura), o que afeta a produção de espermatozóides. Problemas genéticos também podem contribuir para alterações no espermograma, nomeadamente microdeleções no cromossoma Y (partes do cromossoma Y que simplesmente não estão lá). 
Na maior parte das vezes, estas alterações no esperma não têm causa aparente ou ainda não foi descoberta uma, uma vez que fisicamente, geneticamente e hormonalmente está tudo normal. 
Note-se que a espermatogénese no Homem demora cerca de 72 dias e, se tivermos em conta todo  o processo até à saída do corpo, são cerca de 3 meses, sendo este um processso muito sensível a alterações, tanto na concentração hormonal (testosterona) como na temperatura ( uma febre pode afetar o processo), medicamentos, processos infeciosos, exposição a pesticidas, raios X ou metais pesados, esteróides anabolizantes, tabaco e álcool. Convém repetir o espermograma passados cerca de 3 meses para confirmar os resultados e fazê-los num hospital ou clínica especializada, seguindo à risca os procedimentos.
Por outro lado, no caso masculino ainda não se intervém  diretamente na produção de espermatozóides. O que os médicos aconselham é evitar o calor ao nível das ancas, um estilo de vida saudável e receitam suplementos vitamínicos.


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