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sábado, 19 de setembro de 2020

 


Os alemães têm a tradição dos coros e a minha filha anda num coro infantil. Incentivada por uma coleguinha, inscreveu-se já há dois anos e gosta muito.
Apercebi-me que deixou de berrar e aprendeu a colocar corretamente a voz, que tem mais noção de como projetá-la, que aprendeu a cantar em grupo e que percebe melhor quando há ou não uma harmonia musical. Além disso, também tem aprendido técnicas de relaxamento e achei isso muito positivo mas o ano letivo começou com muitas regras e uma delas é que é proibido cantar ou falar alto.
Foram descobertos vários surtos em coros, o que motivou a realização de vários estudos e foi provado que o cantar ou falar alto propaga uma maior quantidade de partículas mais pequenas, que podem ser expelidas mais longe, o que contribui para uma maior probabilidade de transmissão do novo coronavírus. Eles levaram isto tão a sério que nem cantar os parabéns a uma criança no seu aniversário é permitido na escola.
Não sei se a DGS de Portugal vai fazer alguma recomendação nesse sentido mas já sabem nada de cantorias ou gritarias.
Nenhuma descrição de foto disponível.


domingo, 19 de agosto de 2018

Ainda o mundial de Futebol
Rússia 2018



 Eu torci pela Croácia porque é um pais pequeno e nunca ganhou o mundial mas fazer o quê? Dou os parabéns à França. 

Portugal ficou pelo caminho nos oitavos de final no jogo contra o Uruguai. Não fiquei surpreendida, tendo em conta a qualidade das exibições da equipa lusa.
 A Alemanha nem passou a fase de grupos o que foi a maior desilusão para um povo competitivo e digamos, para sermos simpáticos, com tendência para o perfeccionismo. O alemão percecionou este resultado como uma verdadeira humilhação (desde 1938  que passavam sempre a fase de grupos) e fizeram uma entrevista ao Treinador na televisão que mais parecia um interrogatório policial: era ver a testa do senhor a ficar cada vez mais brilhante do suor e mais titubeante nas respostas.



À volta dos campeonatos há sempre uma enorme euforia e um negócio associado. Eles adoram enfeitar os carros, colocam bandeiras nos vidros, uma espécie de um pano com as cores da bandeira a tapar o capot, enfeites nos retrovisores. Existem alem dos tradicionais chinelos, calções e t-shirts, brincos, bandoletes, colares tricolores. Na decoração, pintam plantas com as cores da bandeira, fazem grelhadores com os pentagonos pretos e brancos...

Na alimentação, existem salsichas de bolinhas com os pentágonos, bolachas e pão com a forma de bolas de futebol, batatas fritas que são jogadores de futebol. Não há outdoor nem anuncio que se preze em que os jogadores e seleccionador não estejam presentes, de tal forma que, até eu, que não ligo a futebol, começo a reconhecer os jogadores alemães. Os panfletos dos supermercados e lojas de eletrónica enchem-se de televisões gigantes que agora estão ao preço da chuva...










  


  



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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Educação na Alemanha


Acredito na evolução e mudança constante do ser humano e, por isso, acredito também que viajar e principalmente viver noutro país nos transforma, faz-nos ver a vida doutro modo e por outra perspetiva. As pessoas que vivem uma vida estável, sempre no mesmo lugar e a conviver com as mesmas pessoas, têm vantagens mas sair da nossa zona de conforto é muito enriquecedor. Acho que já falei no blog disso e não me quero repetir. 

Tenho aprendido muito na Alemanha, também no que respeita  à maternidade e aos cuidados às crianças. Para mim, ser boa mãe era ser hiper protetora e cuidadosa, fazendo tudo pelas crianças, antecipando ajuda e arranjando soluções rápidas, tirando todas as pedras do caminho dos miúdos. Pelo contrario, os  alemães dão muita autonomia e liberdade às crianças, deixando-as resolver muitos dos seus problemas sozinhas. Vejo várias vezes as mães nos parques a conversar e as crianças brincam sem nenhuma supervisão ou tentam subir sozinhas aos escorregas e aos baloiços (as mães não correm a ajuda-los). Bebés de um ano caem na relva e os pais não se atropelam a ir levanta-los, apenas os incentivam a faze-lo. Mesmo no jardim infantil a minha filha foi aconselhada pela educadora a não ajudar o irmão a trepar a nada até que ele conseguiu. 

Se no inicio essa atitude dos alemães despreocupada e pouco prestável com as crianças me fazia confusão, hoje vejo que pode ser muito benéfica. As crianças aprendem a ultrapassar os obstáculos e mais importante do que isso sentem-se capazes e a sua auto estima é estimulada. Ouvi falar em escolas que seguem o método da Maria Montessori e fui pesquisar. Ela dizia: "As crianças devem aprender a ser autossuficientes. Se souberem atar os atacadores dos sapatos e vestir-se sozinhas, vão sentir a felicidade que resulta da independência." Compreendo agora o quanto isso é importante e tento pô-lo em prática.
Ao meu filho dou-lhe a roupa e os sapatos para a mão, ele come sozinho quase tudo. coloquei copos à disposição e eles vertem do jarro. lava as mãos sozinho, põe a pasta na escova dos dentes e eu só os ajudo quando eles pedem mas controlo-me muitas vezes para não  o fazer (não consigo ainda desprender-me totalmente da mentalidade portuguesa). Têm também pequenas tarefas em casa e adoram ajudar.

No seguimento desta ideia, a Inês pernoitou na Kita com 5 anos e este ano está a passar 3 dias e 2 noites com a professora e as colegas da escola num sítio fantástico. A casa está mais arrumada e silenciosa, o irmão perguntou mil vezes por ela e o meu coração de mãe portuguesa e ainda um pouco galinha, aperta-se quando pensa na cama alta, que ela tanto gosta, vazia  e já por duas vezes me dirigi ao quarto para ver se estava tudo bem com ela, o que me fez sorrir. No entanto, não duvidei um minuto em autorizar a sua ida, estou certa que a minha decisão foi a melhor e confio na minha filha e nas suas capacidades. Acima de tudo, compreendo agora que amar, cuidar e educar não significa apertar e prender mas sim contribuir para formar crianças independentes e seguras para que possam ser adultos preparados e dignos. 


PS- Um conselho dado aqui aos pais das crianças que vão para o primeiro ciclo é treinarem com as crianças o caminho para irem sozinhos para a escola logo no primeiro ano. Confesso que ainda me faz confusão, talvez por viver nesta cidade grande ou pelos casos de desaparecimento. Os polícias tinham que estar em cada esquina, o que me parece que não acontece (por acaso, há uns meses uns policias à paisana tocaram-me à campainha porque tinha deixado o carro com a porta aberta no parque de estacionamento há 15 minutos).

PS2 - Ela já voltou, feliz e cansada. Em conversa com outro pai, fiquei a saber que o filho dele ia com 2 anos e meio passar 3 dias fora com as educadoras e os colegas da kita!


sexta-feira, 20 de abril de 2018

Bomba em Berlim


Foram 532 as vezes que soaram os alarmes de ataque aereo na capital alemã na II guerra mundial. Desde Novembro de 43 até Abril de 45, os ataques intensificaram-se e eram quase diários. Nessa época, os civis em Berlim viviam perigosamente: árvores matavam, paredes desabavam, a pressão das explosão rebentava pulmões e orgãos internos, nos bunkers, onde só havia lugar para 2% da população da cidade, podia-se facilmente morrer sufocado, queimado ou por falta de água. 50 mil pessoas morreram e 500 mil estavam desalojadas. Berlim era uma cidade massacrada, em pânico, desorientada mas, impelidos pelo partido que imponha a normalidade e a confiança no caos e na desordem, os berlinenses eram ainda mais disciplinados e fiéis aos seus líderes. O lema era :"Nossas paredes caem mas os nossos corações não."
Dessas bombas que cairam 20 % não detonaram, não se sabe ao certo quantas. A zona de Oranienburg, a norte de Berlim, foi fortemente bombardeada, uma vez que era um importante centro industrial e muitas eram estoiradas com atraso, só explodindo 24 horas ou até 6 dias após o lançamento ou nem explodiam se os detonadores ficassem danificados no impato com o solo. Muitos destes engenhos explosivos foram desativados no pós-guerra, sem evacuações nem grandes aparatos, uma vez que no meio da  destruição só pode reinar o desinteresse e o desleixo. Outras foram enterradas pelos escombos, escondidas e perdidas por 70 anos...

Hoje Berlim está um caos, novamente. Foi encontrada um bomba aérea da segunda guerra mundial com 500 kg no bairro de Mitte. Para fazer a desativação, a policia estabeleceu um perímetro de segurança e está a  evacuar num raio de 800 m à volta do local onde trabalhadores duma obra se depararam com este achado bélico. Isso quer dizer que o ministério dos transportes e economia, duas embaixadas, o hospital do exercito alemão, a sede federal de inteligência, inúmeros edificios residenciais, parte do maior hospital de Berlim não estão a funcionar normalmente. Duas escolas da cidade estão a ser abrigos temporários para os habitantes. A estação central de Berlim está nesse raio e os transportes públicos estão a ser fortemente afetados, o que faz com que tenham dispensado a minha filha da frequência da escola. Até o tráfego aéreo está a sofrer condicionamentos.
A desativação é um processo lento e cuidadoso e até perigoso mas levado a cabo por especialistas que tudo fazem para que corra sem danos pessoais nem materiais. Não é caso único, já aconteceu em Berlim anteriormente e em Munique onde uma bomba provocou 1 milhão de euros de prejuízos em 25 edificios nas redondezas. Esperemos que tudo corra bem...






sábado, 18 de novembro de 2017

São Martinho na Alemanha


Todos conhecem a história de S. Martinho mas o que provavelmente não sabem é que ele nasceu na área que hoje pertence à Hungria e que com 15 anos já lutava no exército romano. Por volta dessa altura, ele teve o ato caridoso de dividir a sua capa com um pedinte que, doutra forma teria morrido de frio. Nessa mesma noite, ele sonhou que o pedinte era Jesus Cristo que lhe falou e lhe agradeceu a sua boa ação. Depois deste acontecimento, S. Martinho abandonou a vida militar, foi batizado e passou a professar e divulgar a fé católica.
Mais tarde, as pessoas da cidade de Tours (atualmente França) queriam que ele fosse o seu bispo mas o modesto S. Martinho achava que não merecia tal honra e escondeu-se perto dos animais. Diz-se que os gansos fizeram tanto barulho que o denunciaram e, consequentemente, ele tornou-se bispo de Tours e o ganso teve que  pagar, comendo-se desde então assado no dia de S. Martinho. Outra explicação é que os gansos entraram na igreja e com o seu ruidoso grasnar interromperam o sermão do recém eleito bispo e foram assados como castigo. Outra tradição que explica o ganso de s. Martinho tem a ver com a agricultura. O dia 11 de Novembro era o dia do pagamento das rendas aos proprietários das terras, que era quase sempre feito em géneros, tais como, gansos que estavam nesta altura prontos para serem mortos e assados.
S. Martinho foi bispo durante 30 anos, levou uma vida livre de prazeres e conforto material e dizem ter feito muitos milagres. Morreu no dia 8 e foi sepultado no dia 11 de Novembro e, posteriormente canonizado pelo papa. Tornou-se o padroeiro de várias profisoes, nomeadamente, soldados, cavaleiros, produtores de vinho e também o santo dos mendigos.


Outra tradição desta época é a Procissão de lanternas (Laternen Umzug). No dia 11 de Novembro, as crianças percorrem as ruas com as suas lanternas coloridas e brilhantes. Estas são de papel, têm formas e decorações diferentes e possuem uma vara com uma luz led na ponta (Laternenstab).
Desde sempre, a luz teve um signficado especial para os cristãos. Ao contrário das trevas que simbolizam o diabo e o mal, a luz  representa Deus e a santidade de Cristo. Por isso, faziam-se procissões de luz que ocorriam na noite antes dos grandes festivais e, por outro lado, substituiam os grandes fogos (remanescências do festival pré-cristão de ação de graças) que na altura eram muito criticados pelas casas serem feitas de madeira.  Por volta do séc. XIX surgiu a ideia de dar as crianças lanternas e em alguns locais da Alemanha retrata-se a história de S. Martinho. No início da procissão vai um homem num cavalo que representa o soldado romano e, no fim o mesmo corta a capa ao meio e dá-a ao mendigo, inspirando-se no ato generoso de S. Martinho.

Além do ganso de S.Martinho e o desfile de lanternas existem ainda os cânticos de S.Martinho. As crianças vão de porta em porta e recebem bolos e guloseimas. Levam também as lanternas com eles. Isto é mais comum no oeste da Alemanha, na  zona conhecida por Rhineland. Esta tradição tem as suas raizes na época das colheitas e no fato das crianças pobres aproveitarem ser a altura que os agricultores tinham os armazéns cheios de produtos para pedir.

O dia deste santo é comemorado em toda a Europa mas os historiadores encontram ligações muito especiais deste dia com os costumes alemães. O S. Martinho também se comemora desta forma na Aústria, Suiça e no sul do Tirol.



quarta-feira, 12 de julho de 2017

Religião em Berlim


Distribuição


Berlin foi considerada a capital mais ateista da europa uma vez que quase 60 % dos seus habitantes não estão inscritos como sendo de nenhuma religião. Dentre os restantes 40%, 30% são cristãos, 8% são muçulmanos, 1% são judeus e 1% são de outras religiões, como o budaismo ou o hinduismo. 
Os cristãos dividem-se em:  18,7 protestantes, 9,1 católicos romanos e 2,7 % ortodoxos. Numa festa de São Martinho no jardim infantil dos meus filhos fomos em procissão de lanternas da nossa igreja até outra igreja que era um pouco diferente mas com um altar parecido  e a imagem de Cristo muito presente. Era uma igreja evangélica que é basicamente a união dos luteranos e reformadores (protestantes). Existe ainda a igreja ortodoxa e aquela à qual pertenço igreja católica romana. Apesar de algumas diferenças, todos estes cristãos identificam Jesus Cristo como o filho de Deus que se tornou homem e salvador dos pecados da humanidade.


Feriados em Berlim- 2017


Os cristãos atribuem importância acrescida a determinados dias do ano, o que está ligado a acontecimentos na vida de Cristo, como o Natal, Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Dia de corpo de deus, Dia de reis.  Isso influencia os feriados em 2017 que são os seguintes (Berlim é uma das regiões com menos feriados, noutras regiões da Alemanha em que há mais influêcia do catolicismo é feriado, por exemplo, o dia de Corpo de Deus, o dia da Assunção de Nossa Senhora-15 de Agosto, o dia de todos os santos e até o dia 6 de Janeiro-Dia de Reis):


  • ano novo-  1 de Janeiro- Neujahrstag
  • sexta feira santa- 14 de Abril- Karfreitag
  • segundo após a Páscoa- 17 de Abril-Ostermontag
  • dia do trabalhador- 1 de Maio- Tag der Arbeit/Maifeiertag
  • ascenção de Jesus- 25 de Maio- Christi Himmelfahrt
  • pentecostes- 5 de Junho- Pfingsmontag
  • dia da união alemã- 3 de Outubro- Tag der deutsch Einheit
  • dia da reforma protestante- 31 de Outubro- Reformation Tag
  • dia de Natal- 25 de Dezembro- 1 Weihnachtstag
  • dia após o Natal- 26 de Dezembro- 2 Weihnachtstag
saiba aqui como funciona o comércio aos domingos em Berlim



Feriados religiosos



A ascensão de Cristo é comemorada 40 dias após a Páscoa (sempre a uma quinta feira) e refere-se ao momento em que Cristo ressuscitado sobe aos céus perante onze dos doze discipulos. A tradição extra oficial em Berlim e noutras zonas consiste num dia dos pais-Männertag muito esquisito em que homens (pais ou não) se juntam em grandes grupos, saem às ruas e apanham uma grande bebedeira (por isto, estas prendas nos panfletos de supermercado).
Em Portugal numa vila na zona oeste onde trabalhei era feriado municipal nesse dia. Naquela região do país, há a tradição da festa da espiga na qual se vai apanhar um ramo com várias flores campestres, cereais e raminhos de oliveira e este é colocado atrás da porta, sendo apenas substituido no ano seguinte.



O pentecostes comemora a descida do espirito santo sobre Maria e os discipulos e celebra-se 50 dias depois do domingo de Páscoa. No sul da Alemanha faz-se uma festa na qual se levam os animais para as pastagens onde ficarão até ao fim do Verão. Em Berlim, tem lugar o carnaval das culturas, um gigantesco desfile em que se celebra a diversidade cultural da cidade com representantes de vários países (este ano não tive oportunidade de ir porque o meu filho ficou adoentado mas para o ano irei e vou filmar para vos mostrar).


O dia da reforma protestante- 31 de Outubro é feriado em toda a Alemanha em 2017 porque fazem 500 anos que Martinho Lutero pregou as suas teses à porta de uma igreja, iniciando assim a reforma protestante (a igreja cristã protestante tem muita influência na alemanha e é em Berlim a que agrega um maior número de pessoas).
O mais importante é que na alemanha existe liberdade de fé e religião e em certas condições as religiões podem instituir-se como empresas e  inclusivamente cobrar imposto. Quem estiver registado como católico, protestante ou judeu paga cerca de 5% do seu rendimento para a respetiva igreja.

Calendário liturgico


De seguida, coloco aqui a fotografia dum calendário liturgico que está afixado na escola dos meus filhos que é gerida por uma instituição que pertence à igreja católica romana.






quinta-feira, 29 de junho de 2017

As alemãs e a moda

Costumamos dizer que as mulheres têm mais possibilidades do que os homens no que diz respeito ao vestuário. Podem usar calças, saias, calções, vestidos, jardineiras, laços, folhos, drapeado, nervuras, transparências...
Nos tecidos há todo um mundo de estampados floridos, geométricos, tie dry, riscas...

Na Alemanha mal vem um pouco de calor lá vão as mulheres a correr vestir a fardaO que é isso, perguntam vocês? Eu vou explicar (pode ser que tirem umas dicas ih,ih,ih 😊😊). 
As mais novas, adolescentes ou jovens adultas vestem calções curtos quase a espreitar a nádega (atenção que não tenho nada contra) As mais velhas, trintonas ou quarentonas, mais prudentes, aumentam o tamanho da perna e os calções chegam aos joelhos. Já as senhoras de idade mais avançada usam umas calças medianamente largas pela canela, corsários ou, como eu lhes chamo, calças de regar o milho. As t-shirts são básicas e nos pés há quem calce umas meias brancas com umas sandálias masculinas que só podem ser surripiadas dos maridos. Isto das meias brancas com sandálias (volto a repetir, tal a estranheza que me provocou inicialmente) é tipico dos homens alemães e dava por si só um post. Eles que são acalorados, por natureza e por influência do clima, têm um frio danado aos pés, o que os faz andarem nesta linda figura. Quando vejo só me apetece dizer: "Oh homem, tire-me essas meias ou calce uns sapatos fechadinhos!"
De vez em quando, lá se vê uma alminha com um macacão ou com uma saia de ganga mas os vestidos e as saias femininas são rarissimos. Passa semanas ou até meses sem me cruzar com alguém de salto alto e os acessórios também são quase inexistentes. No geral, as alemãs são muito pouco femininas (muitas andam com cabelos curtos espetados) e maquilhagem é algo que lhes passa longe (estão a ver a Merkel, não é?).  A praticidade e a comodidade é o que mais lhes importa e o ramo das roupas desportivas é muito popular por aqui. Eles têm a  Adidas, Esprit, Escada, Hugo Boss, Puma (são marcas alemãs) mas a ostentação e o exibir estatuto é ridiculo e não é olhado com bons olhos, por isso, a simplicidade e a modéstia na roupa costumam estar presentes (eles adoram roupa usada e com história).
Por outro lado, há muitos que tentam ser diferentes e originais nos mais variados estilos. Não é raro ver mulheres e homens com cortes e cores estranhos de cabelo, maquilhagens espampanantes e com roupas super invulgares, são os que eu chamo extravagantes.
As mulheres cuidam do rosto, corpo e cabelo mas estes cuidados são bastante caros e penso que há a tentativa de um equilibrio entre corpo/saúde e mente, em que a importância dada ao cuidado com a aparência não é exagerada. Aposto que muitas alemãs/ães preferem de longe uma massagem num spa, um passeio relaxante ao ar livre ou ler um bom livro do que ir para um cabeleireiro tratar do cabelo ou unhas.
Não se preocupe com isso se vier visitar Berlim, lembre-se que faz bastante frio e chove muito, por isso, traga agasalhos impermeáveis, inclusive no Outono e Primavera. Ninguém repara na roupa nem fica a olhar, por mais diferente que seja. Se forem mais ousadas a vestir e não ouvirem elogios, não foram vocês que perderam qualidades, os homens não assobiam nem mandam piropos (não usam a moda do pisca, pisca, o que eu acho fantástico).






sexta-feira, 12 de maio de 2017

CURIOSIDADES SOBRE BERLIM

Outras curiosidades sobre Berlim aqui

  • Berlim tem cerca de 4 milhões de habitantes distribuídos por aproximadamente 500 mil imigrantes, 1 milhão de alemães descendentes de imigrantes e apenas 1/4 dos habitantes são verdadeiramente originários da cidade.
  • 50 % dos habitantes são solteiros, em 2013 casaram 13000 pares (a mulher casa em média com 32 e o homem com 35 anos) e vivem separados 7500.
  • Um berlinense vive em média 13 anos no mesmo apartamento.
  • Todos os dias mudam-se para Berlim 435 pessoas e para fora de Berlim 327.
  • A temperatura máxima em média no mês de Agosto é 23ºC e a temperatura mínima em média no mês de Janeiro é -3ºC
  • Os berlinenses gastam 39 euros por mês em tabaco e álcool e apenas 20 euros em fruta.
  • Relativamente aos tempos livres, a percentagem de áreas verdes é 12,7% , existem 56 piscinas, 190 discotecas e 315 museus e teatros.
  • Diariamente os transportes públicos percorrem o equivalente a quase 9 voltas completas à Terra. 
  • Uma refeição completa para duas pessoas custa em média 40 euros.
  • As dormidas turísticas aumentaram de 21 milhões em 2010 para 27 milhões em 2013.
  • Em 1848 foi proibido fumar na rua e atualmente são atiradas ao chão 2,9 milhões de beatas por ano.
  • Música de rua não pode ser tocada em todas as estações de metro e não mais que uma hora.






quinta-feira, 11 de maio de 2017

Casas em Berlim

Os apartamentos em Berlim (pelo menos na zona onde vivo) são pequenos mas têm particularidades giras. Vamos lá a ver:
  • Casa/cozinha no mesmo compartimento- Quando casamos e andamos à procura de casa para comprar eliminava todos os apartamentos assim. "Onde já se viu entrar logo na sala? E se esta está toda desarrumada? E os cheiros dos cozinhados?" Pensava eu, muito indignada. Passados nove anos, moro numa casa dessas e adoro. Estou a cozinhar e tenho os meus filhos debaixo de olho a brincar, consigo ao mesmo tempo que preparo as refeições olhar para a televisão e interagir com eles e tenho um compartimento grande em casa, coisa que doutra forma seria impossível. Aliás, fiquei tão fã deste conceito open space que um dia que construa uma casa, as únicas paredes serão as dos quartos e casa de banho.
  • Persianas-  "Vamos fechar as persianas?"- disse quando cheguei à minha nova casa em Berlim e começou a anoitecer. Pois, elas não existem, nem portadas, estores ou algo do género. Na sala gosto de chegar de manhã e ser brindada com um solzinho mas nos quartos não acho graça nenhuma a ser acordada pela luz às 5h e 30m da manhã. Valha-nos umas cortinas opacas que mesmo assim não fazem o serviço completo. Vejo alguns apartamentos que nem isso têm...
  • Jardim de Inverno- Foi algo que eu só conheci aqui mas é tipo uma varanda ou uma parte da sala toda envidraçada. Uma espécie de marquise, não para secar cuecas, mas sim para ter plantas em vasos ou penduradas. Pode ter outras utilidades como um escritório ou um ginásio. Dá um efeito muito lindo, principalmente quando é feito com:
  • Cortinas de vidro- vários vidros que se conseguem abrir e fechar e só têm calha em baixo e em cima, parecendo quase inexistentes. O fato de não terem perfis verticais nem horizontais permite aproveitar a vista panorâmica e dar a sensação de maior amplitude e leveza. Podem-me dizer que isto já existe há milhares de anos mas eu não conhecia e é mais um item para a minha casa ideal.
  • Tijoleira e azulejos- A primeira existe apenas no chão da casa de banho e os segundos só na zona do banho, do lavatório e entre os armários superiores e inferiores da cozinha. 
  • Casas de banho- ando a ver T3 e estes têm apenas uma casa de banho.


PS- Os meninos estão melhores e eu vou tentar durante o mês de Maio escrever um post todos os dias. Torço para ter tempo e frescura mental para isso...

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Tradições de Páscoa alemãs




Na região do rio Reno (zona em que a religião católica é dominante), a Páscoa (Ostern) é comemorada com uma missa muito especial. É feita na noite de sábado uma grande fogueira (Osterfeuer) na porta da igreja e  cada pessoa acende uma velas (Osternkerzen)  e entra na igreja (como uma procissão) que está completamente às escuras, à exceção das referidas velas. A missa contempla cânticos e orações alusivos à época, sendo um ritual lindo de celebração. Nalguns sítios, a missa é feita no domingo de Páscoa bem cedo por volta das 4 horas da madrugada. Antigamente, fazia-se a "limpeza da Páscoa" em que se juntavam e queimavam os galhos e ramos que sobravam do domingo de ramos (Palmsonntag) no pátio da igreja. A Páscoa é vista pelos cristãos como a festa da Ressurreição de Cristo, em que a morte é encarada como um recomeço mas já muito anteriormente estava ligada a ritos da mitologia germânica. O próprio termo Ostern deriva de Ostara, a deusa germânica da Primavera e, por isso, muitas famílias não cristãs também acendem a fogueira e festejam em volta dela, sendo uma forma de representar a vitória do sol quente sobre o frio e as trevas do Inverno mas atenção que muitas das cidades proibiram este costume para evitar a propagação de incêndios.
A maior tradição é esvaziar ou cozer os ovos  de galinha e pinta-los usando as mais variadas técnicas e depois ou esconde-los e promover uma caça aos ovos ou pendura-los em arbustos no jardim, fazendo verdadeiras árvores de Páscoa (as casas são decoradas conforme a época, como no Natal). Esta tradição tem origem na proibição das carnes na quaresma (Fastenzeit) em que os ovos eram cozidos para que não se estragassem e pintados de vermelho para se diferenciarem dos frescos. O costume de se procurarem os ovos no jardim ou em casa tem por base a crença de que o ovo é o símbolo da fertilidade e da nova vida em crescimento. Já o coelho que representava a fertilidade, só é conhecido como "coelho da Páscoa" no norte da Alemanha há cerca de 100 anos.  Atualmente, existem coelhos de chocolate de todos os tamanhos e feitios e alguns até transportam os ovos coloridos (mais no sul da Alemanha), não sendo tão comuns os ovos grandes de chocolate, como em Portugal.
Quanto à gastronomia,  existe o folar da Páscoa (Osterzopf)  mas com ovos cozidos no interior; o cordeiro da Páscoa (Osterlamm) que não é o cordeiro assado mas um bolo com a forma de cordeiro com açúcar em pó por cima; a sopa de cenouras (Möhrencremesuppe), com o ingrediente preferido do coelho e o Osternbraten que é o assado típico com carne que não é necessariamente cordeiro. Naturalmente no pequeno almoço de sábado ou de domingo de Páscoa não faltam os ovos cozidos pintados. 





domingo, 12 de março de 2017

Diz que moro no terceiro melhor pais para se ser mulher. e por o que eu posso observar parece-me que existe bastante igualdade no que respeita ao género. 
No âmbito domestico, os homens equiparam-se às mulheres: levam os filhos à escola, tratam deles, carregam-nos nos panos, dão-lhe comida, limpam a casa de avental, vão às compras e não existem casos de violência doméstica na proporção assustadora em que ocorrem em Portugal. Há casos de homens que tiram a licença de paternidade alargada em vez da mãe mas penso que ainda são muito poucos.
Profissionalmente, elas também dão cartas e estão presentes nos cargos de chefia, embora ainda haja uma diferença de ordenado de 22 % entre homens e mulheres.

domingo, 26 de fevereiro de 2017


Carnaval na Alemanha



FaschingFasnacht ou Karneval constitui uma antiga tradição festejada principalmente  na região do rio Reno e nas regiões católicas da Alemanha. As cidades em que o Carnaval é mais comemorado são Mainz, DüsseldorfBonnAachen mas Köln, dizemtem o Carnaval mais alegre, divertido e contagiante deste país. Nesta cidade, Colónia, no centro-oeste da Alemanha e nas suas redondezas, o Carnaval festeja-se com carros alegóricos, desfiles e todas as pessoas usam fantasias, independentemente da idade e de usarem apenas um pijama ou um roupão de banho. É um típico Carnaval de rua com música, animação e muita gente dançando e saindo da realidade quotidiana. 
Assim como em Portugal, o Carnaval alemão é no inverno, o que faz com que os fatos tenham que aquecer os foliões e são distribuídos doces, guloseimas e rosas pelos foliões. 
Há comemorações no período que começa na schmutziger Donnerstag/Weiberfastnacht (quinta feira), o ápice na segunda feira (Rosenmontag), a terça feira (Faschingdienstag) e a quarta feira de cinzas (Aschermittwoch), embora na região do Reno (Rheinland), a quinta estação do ano começa no dia 11 de Novembro às 11h11m e termina à meia noite da quarta feira de cinzas. A tradição remonta aos costumes de espantar o Inverno. 


Em Berlim, o Carnaval não é uma festa muito popular mas houve um grande desfile no dia 19 de Fevereiro às 11horas e 11minutos na Ku'damm com música ao vivo, guloseimas e festa após o desfile.  ao qual não fomos porque só soube uns dias depois. Os meus filhotes já têm os fatos prontos e, ao contrário da mãe, a Inês adora mascarar-se e conta os dias até ao Fasching.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016


Tradições de natal na Alemanha

Mercados de Natal
Uma das tradições mais bonitas e famosas do Natal alemão são os mercados de Natal. Cabanas de madeira adornadas com luzes em miniaturas transformam praças centrais de mais de cem cidades em toda a Alemanha em maravilhas de inverno. Vendem-se enfeites ornamentados, brinquedos de madeira, guloseimas e coroas do Advento. O cheirinho de pães de gengibre e vinho quente exala por todos os lugares, o que contribui para o deleite dos sentidos de visitantes e locais.O mais famoso e mais antigo de todos os mercados mercados natalícios alemães é o Christkindlesmarkt (Mercado do Menino Jesus), de Nuremberga. O primeiro registo que se tem desse mercado é de 1628. Outras cidades famosas por seus mercados de Natal são Leipzig, Dresden, Hamburgo e Colónia.As ruas das cidades por onde o mercado se espalha são decoradas com símbolos de Natal e luzes. No centro do mercado há um presépio, em que figuras natalícias contam a história da festividade, ou uma pista de gelo.


Cristkindl ou pai natal
Em muitos lares alemães, Jesus criança chega quando a família está reunida ao redor da árvore de Natal. Algumas vezes, um menino desempenha o papel, mas na maioria das vezes, é uma menina de longos cabelos louros quem representa Jesus. Vestida de branco, com uma coroa e asas douradas, ela carrega uma pequena árvore de Natal em uma das mãos. Os presentes para as crianças ficam empacotados e são entregues pelo “Cristo do lar”.Assim, muitos alemães acreditam que um mensageiro, um anjo feminino chamado Christkindl, traz os presentes do menino Jesus, na véspera do Natal. O nome Christkindl tornou-se um outro nome para Pai Natal na América do Norte, onde muitos o chamam de Kris Kingle.Há séculos, não era o Pai Natal quem distribuía presentes ao redor do mundo, mas sim o Christkindl. Assim, era ele quem fazia viagens ao redor do mundo nas frias – no Hemisfério Norte – noites de Natal. Em muitos países, criou-se a tradição de iluminar os caminhos pelos quais o Cristkindl passava. Por isso, criou-se o hábito, em todo o mundo cristão, de colocar velas acesas em casa, para que o Christkindl soubesse que seria bem-vindo ali.Ao longo do tempo, a figura da criança foi sendo substituída pela do velhinho, de barba e cabelos brancos, que gentilmente distribuía presentes, chamado de Santa Klaus (Pai Natal, em português). Em alguns lugares, esse velhinho acabou sendo identificado como São Nicolau (já falei nele no post anterior).Uma das razões pelas quais isso ocorreu deve-se à crença de que ele acompanhava o seu Mestre, Jesus, em suas voltas ao mundo durante o Natal. Ao longo do tempo, o nome Santa Klaus foi-se tornando uma espécie de abreviatura para São Nicolau.Foi o americano Thomas Nast (1840-1902) quem criou a imagem moderna do Pai Natal. Nast nasceu em Landau, Alemanha, e migrou para os EUA com a família ainda garoto. Suas ilustrações natalinas para a publicação Harper´s Weekly foram publicadas mais tarde em forma de livro e ajudaram a criar uma imagem simpática de Pai Natal.Uma tradicional história alemã conta que a véspera de Natal vem da experiência de um lenhador e sua família. Certa noite, eles estavam em casa, aquecendo-se do frio que fazia lá fora, quando alguém bateu à porta. Quando abriram, surpreendentemente, havia um menino, sozinho, no meio da floresta coberta de neve. Eles o convidaram para entrar e deram-lhe comida, roupas para se aquecer e uma cama para descansar. No dia seguinte, pela manhã, a família despertou com uma música, entoada por um coral de anjos, que preenchiam a casa de luz. Foi quando perceberam que haviam dado abrigo ao menino Jesus. “Vocês cuidaram de mim”, disse ele, “isso vos fará lembrar da minha visita”. Ele então tocou uma árvore que estava perto da porta de casa. “Que essa árvore brilhe para aquecer os vossos corações, e que guarde presentes, para que vocês sejam tão gentis uns com os outros como foram comigo."


Ps- Lembro-me que a minha avó sempre falou no menino Jesus como a figura que oferecia os presentes no Natal.

Véspera de NatalOs presentes na Alemanha são abertos na noite da véspera de Natal. A ceia tradicional é composta de presunto defumado, batatas cozidas com manteiga e chucrute ou então ganso assado e recheado  com Kartoffelklösse (bolas de batata) e o bolo tradicional de Natal é o Stollen.  Após a refeição, algumas famílias leem a história do nascimento de Jesus para os seus filhos. De seguida,, ouvem-se tocar os sinos pendurados à porta da casa. É o sinal para que as crianças corram para ver a árvore de Natal em todo o seu esplendor, carregada de presentes. Todos cantam “Stille Nacht”, canção por nós conhecida como “Noite Feliz”, e começam a abrir os pacotes com grande entusiasmo.A tradição primordial do Natal alemão é a troca de presentes e a reflexão, enquanto se observa a noite escura e fria lá fora. Para muitas famílias, essa é a única noite em que as luzes da árvore de Natal estão acesas, tornando a ocasião muito mais especial.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Tradições alemãs no Natal

O advento como um período de reflexão e celebração

O Advento tem grande importância para os cristãos de ambas as confissões religiosas na Alemanha. Serve para a reflexão e para o recolhimento interior. No domingo que dista quatro semanas do dia de Natal , começa o novo ano litúrgico. Isto foi determinado pela Igreja já no século IV.

O símbolo do período até ao dia de Natal é a coroa do Advento. O símbolo tem a sua origem em Hamburgo. “A primeira coroa estava pendurada, em Dezembro de 1839, no oratório da 'Rauhes Haus'”, diz Uwe Mann von Velzen, o porta-voz desta instituição evangélica para crianças abandonadas e órfãs de bairros degradados da cidade portuária.

Primeiramente a coroa, feita com ramos de pinheiro, encontrava-se apenas nas casas de famílias de fé evangélica, sobretudo no norte da Alemanha. Nos anos 20 do século passado, os católicos também passaram a adotar este costume. As 24 velas originais - uma para cada dia -  foram reduzidas há décadas para quatro, correspondentes aos domingos anteriores ao dia de Natal. “Hoje em dia, muitas vezes, um arranjo de ramos de pinheiro, com uma única vela grande, substitui a coroa”, diz Ute Bleicher, florista de Munique. 

A mensagem da Coroa de Advento é percebida a partir do simbolismo de cada um de seus elementos: o circulo (símbolo da eternidade, da unidade, do tempo que não tem início nem fim, de Cristo, Senhor do tempo e da história), os ramos verdes (sinal de persistência, de esperança, de imortalidade, de vitória sobre a morte) e as velas (o ato de as acender gradualmente significa a progressiva aproximação do Nascimento de Jesus, a progressiva vitória da luz sobre as trevas).

Apesar de não ser uma tradição muito comum em Portugal, na Alemanha quando se aproxima o período do advento estas coroas  são vendidas em todo o lado e a cada domingo é acendida mais uma vela o que  constitui, sobretudo, um hino à vida que brota da verdadeira Vida.


São Nicolau: origens e lenda

A história de São Nicolau, bispo da cidade de Myra, na Ásia Menor remonta ao século IV. Ele nasceu entre 270 e 280, de uma família rica oriunda da cidade de Lycia, na atual Turquia. Ficou órfão cedo e foi criado num mosteiro, onde se ordenou padre com 17 anos. Ele viajou pelo Egito e Palestina antes de retornar a Lycia, para se tornar o bispo da cidade de Myra, onde faleceu em 6 de Dezembro do ano de 343.

Nicolau era um homem muito generoso, conhecido por sua caridade e sabedoria, e que abriu mão de sua riqueza em nome dos necessitados. Ele costumava sair disfarçado à noite para distribuir dinheiro, roupas e comida aos pobres. A mais famosa lenda em torno do santo é a referente a três irmãs pobres, que tinham pretendentes, mas, no entanto, não podiam pagar os seus dotes. Por ser muito tímido, São Nicolau subiu ao telhado da casa das moças e atirou três moedas pela chaminé da casa. As três moedas caíram dentro de três meias, que secavam penduradas na lareira. 

Por esse motivo, estabeleceu-se a tradição alemã de deixar sapatinhos dentro de um prato, do lado de fora da casa. Na Alemanha, durante o período natalício, a figura de São Nicolau está presente em chocolates de variadas formas . Para os alemães, São Nicolau é um bispo de barba branquinha. Para a visita do santo, as casas e os sapatinhos das crianças precisam estar cuidadosamente limpos. Na véspera da visita, as crianças colocam, num prato, em pares de botas ou nos seus sapatos, cartas para o bom santo juntamente com cenouras ou outras comidas para o burro ou cavalo branco que o acompanham.Tudo isso é posto do lado de fora da casa, debaixo da cama ou ao lado do aquecedor, na esperança de que seja encontrado pelo santo na manhã seguinte.

Durante a noite, São Nicolau vai de casa em casa carregando um livro, no qual estão anotados todos os pedidos de todas as crianças. Se elas se comportaram bem durante o ano, ele preenche os pratos, sapatos ou pares de botas com frutas, nozes e guloseimas. Se não, elas encontram batatas, carvão e galhos.

Hoje em dia, em algumas partes da Alemanha, São Nicolau já se parece muito mais com o Pai Natal, e vem no dia de Natal, em vez do dia 6 de Dezembro (dia do santo). A influência vinda de outros países, da televisão e grandes lojas torna muito mais difícil manter a lenda do São Nicolau. A sua aparência actual sugere que as figuras centrais do Natal alemão, como São Nicolau e o Menino Jesus, estão a transformar-se.


Elaborado com base em informações retradas do site da embaixada da Alemanha em Maputo

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Tradições alemãs no Natal


Calendário do advento


O calendário do Advento é uma invenção alemã. Ele é formado por 24 janelinhas, que correspondem, cada uma, a um dia do Advento, intervalo de tempo desde o inicio de Dezembro até à chegada do Natal.

No primeiro dia do mês, as crianças alemãs recebem ou fazem elas próprias um calendário do Advento e penduram-no, abrindo uma nova janelinha a cada dia. Nas suas aberturas são colocadas fotos, brinquedos, chocolates ou atividades para serem feitas em família, funcionando como surpresas .

Ao abrir uma janelinha por dia, faz-se a contagem regressiva até ao Natal. O calendário torna a espera pelo grande dia mais divertida e agradável para as crianças.

As origens do calendário do Advento remontam às áreas protestantes da Alemanha do século XIX. O primeiro deles data de 1851. Famílias protestantes desenhavam com giz uma linha que perpassava todos os 24 dias de Dezembro até à noite de Natal.

Os calendários costumam ser feitos com muito esmero. Na cidade alemã de Gegenbach, no sul do país, encontra-se o maior de todos os calendários do advento: 24 janelas da Câmara Municipal da cidade são decoradas com motivos natalícios, todos os anos, para a chegada do Natal.



Árvore de Natal


A árvore de Natal tem origens na Alemanha. É considerada a alma do Natal. Acredita-se que Martinho Lutero deu início à tradição, quando, numa noite de véspera de Natal, trouxe uma para o quarto de sua filha, para que ela pudesse desfrutar da natureza sem sair à rua, por causa do Inverno rigoroso.

A primeira aparição de um Tannenbaum (termo em alemão para o pinheiro de Natal) foi registada na Alemanha muito após a morte de Lutero. Em 1605, na cidade de Estrasburgo, atualmente na França, um cronista escreveu: “Em tempo de Natal, eles colocam pinheiros em suas casas”. Mas o mais provável é que o costume seja de 1550, época em que as primeiras canções que mencionavam os pinheiros de Natal, já eram ouvidas e cantadas frequentemente.

Um Natal alemão sem pinheiro é impensável e as luzes e velas que o adornam são parte essencial dessa festividade na Alemanha. Todas as famílias preservam o hábito de ter um pinheiro em casa, mesmo vivendo fora do seu país, assim como os usam também para decorar espaços públicos. 

As bolas que se penduram na árvore de Natal também são uma invenção alemã e, hoje em dia, são indispensáveis na decoração natalícia. Tradicionalmente feitas de vidro, as bolas estão presentes em árvores de Natal de todos os lugares do mundo. Sua invenção é atribuída a um vidreiro alemão da região da Turíngia, em 1847. Por não ter dinheiro para adquirir enfeites à época mais caros, como nozes, maçãs e doces, o vidreiro decidiu soprar bolinhas de vidro para enfeitar a sua árvore de Natal. Outros vidreiros gostaram da ideia e passaram a produzir os mesmos enfeites, que rapidamente se tornaram populares.


Feito com base em informações do site da Embaixada da Alemanha em Maputo