domingo, 4 de dezembro de 2016

Depois de mais de 3 anos na Alemanha posso dizer que estou bem e feliz com a minha escolha. As saudades estão presentes mas consigo ver mais além, as oportunidades, as vivências, as experiências que vamos tendo e proporcionando aos nossos filhos são muito importantes.
Não tenho saudades de tudo em portugal: não tenho saudades de perder tempo na caixa do supermercado à espera do preço dum produto ou nas repartições de finanças a tratar de algo; dos queixumes frequentes dos portugueses que não fazem nada para mudar; da passividade quando veem sempre os mesmos a serem beneficiados; do chico esperto a tentar safar-se sem ter em conta princípios ou valores; do conformismo das pessoas perante os atos dos politicos e a corrupção que cada vez se torna mais notória;  da curiosidade das vizinhas que perguntam por mim à minha mãe com ar de pena. Sim, estou lá para a Alemanha mas estou muito bem- obrigada pela preocupação.
Vamos deixar-nos de lamúrias. Temos uma boa qualidade de vida, vivemos em família, não (n)os privamos de nada, contactamos com pessoas de diferentes sítios, aprendemos constantemente novas maneiras de fazer as coisas; ganhamos capacidades várias; desenvolvemos habilidades para transformar o complicado em simples: sou uma pessoa muito melhor e mais rica desde que aqui estou, daquela riqueza que importa, que se faz de conhecimento, experiência e consciência. Até as passagens pelo hospital me transformaram para melhor, agora a saúde é o que mais prezo e evito tudo que me tire a paz e o sossego, só me preocupo com o que verdadeiramente importa (ou tento).


 Parei para olhar a minha filha e comparei-a comigo na mesma idade, ela tem vivido muito mais. Outro dia perguntei-lhe, depois de ela ter referido o nome, quem era o Kevin, se era aquele seu amigo chinesinho e ela respondeu, perentória:
- Ele não é chines, ele é igual a mim e a todos la a escola!
Ela tem muita diversidade de crianças na escola, no que respeita a língua, proveniência e aspeto, porém presenteou-me com a resposta mais genial e sábia.   
A minha filha está numa caminhada para se tornar uma verdadeira criança bilingue e a ter uma educação escolar diferente, melhor ou pior depende da perspetiva. O que importa é que ela consiga trazer um pouquinho da espontaniedade e simpatia de Portugal para aqui e consiga levar a organização e a ordem no sentido inverso e esse mix vai torná-la uma pessoa especial.


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