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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Mudanças  (escrito num qualquer dia de Julho de 2019)


Acordei cedo nesta manhã de férias de Verão e, como os meus filhos ainda dormiam e a casa está calma, resolvi abrir este cantinho que tem ficado esquecido. Tenho tantos posts começados e nenhum efetivamente publicado. Não há desculpas a dar, apenas a falta de vontade e a preguiça.
Fiz o exame do B1 com sucesso e andei no curso do B2 e C1, vou fazer a prova do B2 e mostrar que quase um ano de curso diário não foi em vão.  Depois disso, novos desafios profissionais me esperam e eu vou ter que conseguir conciliar muitas coisas.

A minha face e o meu corpo, que durante tanto tempo aparentaram menos idade que a real, estão com marcas de cansaço e idade. Os cabelos começaram a ficar brancos (principalmente a minha madeixa do lado direito à frente) mas é algo que não me preocupa muito, pinto-os de vez em quando e exibo muitas vezes sem vergonha os fios brancos Por outro lado, os meus filhos estão crescidos e cheios de vida, mostrando-me que o tempo voa e a vida tem que ser aproveitada (é um cliché de todas as mães mas tão verdadeiro).

De repente, a Maria Inês que nasceu há pouco faz 8 anos no próximo dia 3 de Agosto e o Eduardo que chegou ontem fez 4 anos no passado dia 7 de Abril. Já é possível ver traços das suas personalidades e gostos, revelam interesses e capacidades e enchem-me de orgulho (mais um cliché, perdoem-me). 
A Maria Inês adora dançar e cantar, saltar e trepar a qualquer obstaculo que se lhe depare (que seja assim também na vida). Está curiosa e faz-me perguntas que me deixam de boca aberta, lê em duas línguas (português e alemão) e anda a aprender a tabuada (tem um bom cálculo mental). Tem um coração de ouro e preocupa-se com os outros, principalmente com o irmão que defende com unhas e dentes. Tenho receio que venha a sofrer muito por colocar os outros à sua frente e por não se defender convenientemente. Outro dia deu o gelado ao irmão porque ele deixou-o cair, alegra-se com as suas conquistas e vibra quando ele tem atenção. É justa e por vezes chama-me atenção para erros meus que vejo que tem toda a razão. É adorada na escola e está sempre nas festas de aniversário. É muito teimosa e gosta de ter razão, custa-lhe pedir desculpa e quando mete algo na cabeça, não há  muito a fazer.

O Eduardo é falador e simpático, principalmente quando tem confiança com as pessoas. Tem que ser o centro das atenções e quando não o é faz birras, Ciumento, não aceita que elogiem e falem da irmã e não o incluam. Embirrava com ela mas agora já se dão melhor e as brigas são raras (também devido à paciência gigante da Inês). Adora animais e correr, saltar mas consegue estar concentrado durante bastante tempo num brinquedo que lhe interesse. Gosta de prendas: pediu uma trotinete do Spider Man no seu aniversário e ficou contente quando a recebeu. Pede desculpa facilmente (pelo menos comparado com a irmã) e não é tão teimoso. A fase das birras foi longa mas penso que já passou. É vaidoso e não gosta de vestir a mesma roupa todos os dias ("mãe, outra vez a mesma roupa hoje?") e gosta que o elogiem (pela roupa ou por outra coisa qualquer). Aprende rápido e sabe os números, escreve no computador o seu nome, gosta de recortar mas quando se trata de escrever, pintar ou seguir pontos recusa-se. Está sempre preocupado comigo e não me pode ver doente ou que vá para longe dele, está sempre a perguntar por mim. Quer dormir comigo e adora aninhar-se ao meu lado na cama. Nunca fez chichi nas calças desde que lhe tirei a fralda aos 3 anos e meio (custou mas foi) mas de noite ainda dorme com fralda, apesar de acordar com ela muitas vezes seca.
São os meus filhos e eu amo-os de todo o coração...

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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Sugestão de leitura


Fui à livraria portuguesa e italiana (clique aqui para saber mais sobre localização) e não me esqueci da minha filha e, além do mais vi um livro fantástico que há muito lhe queria comprar. É tão fixe que eu já o li todo. 
O livro conta os feitos e as aventuras da vida de cem mulheres heróicas e inspiradoras e chama-se Histórias de adormecer para raparigas rebeldes e as autoras são Elena Favilli e Francesca Cavallo. As autoras intitulam o livro como uma obra de não fição criativa, não sendo um relato enciclopédico dos acontecimentos e muito menos biografias da centena de mulheres.. As ilustrações também são giras e criativas. As mulheres fantásticas sobre as quais se debruça o livro são:


  • Ada Lovelace-matemática
  • Alek Wek-supermodelo
  • Alfonsina Strada- ciclista
  • Alicia Alonso- bailarina
  • Ameenah Gurib-Fakim- presidente e cientista
  • Amelia Earhart- aviadora
  • Amna Al Haddad- halterofilista
  • Ann Makosinski- inventora
  • Anna Politkovskaya- jornalista
  • Artemisia Gentileschi-pintora
  • Ashley Fiolek- piloto de motocross
  • Astrid Lindgren- escritora
  • Aung San Suu Kyi- política
  • Balkissa Chaibou- ativista
  • Brenda Chapman- realizadora
  • Irmãs Brontë-escritoras
  • Catarina, a grande- imperatriz
  • Alpinistas cholita- montanhistas
  • Claudia Ruggerini- resistente antifacista
  • Cleópatra- faraó
  • Coco Chanel- estilista
  • Cora Coralina- poetisa e pasteleira
  • Coy Mathis- estudante do ensino básico
  • Isabel I- rainha
  • Eufrosina Cruz- ativista e política
  • Evita Perón- política
  • Fadumo Dayib-política
  • Florence Nightinale-enfermeira
  • Frida Kahlo-potora
  • Graqce Hooper- engenheira informática
  • Grace O'Malley- pirata
  • Harriet Tubman- resistente
  • Hatchepsut-faraó
  • Helen Keller- ativista
  • Hillary Rodham Clinton- candidata à presidência dos EUA
  • Hipátia- matemática e fil´sdofa
  • Irena Sendlerowa- heroína de guerra
  • Isabel Allende- escritora
  • Jacquotte Delahaye- pirata
  • Jane Austen- escritora
  • Jane Goodall- zoóloga
  • Jessica Eatson- velejadora
  • Jill Tarter- astrónoma
  • Jingú- imperatriz
  • Joan ZAJett- estrela rock
  • Julia Child- chef
  • Kate Sheppard-sufragista
  • Lakshmi Bai- rainha e guerreira
  • Lella Lombardi- piloto da fórmula 1
  • Lozen- guerreira
  • Mae C. Jemison- médica e astronauta
  • Malala Yousafzai- ativista
  • Manal Al-Sharif- ativista
  • Margaret Hamilton- engenheira informática
  • Margaret Thatcher- primeira-ministra
  • Margherita Hack- astrofísica
  • Maria Callas- cantora lírica
  • Maria Montessori- médica e pedagoga
  • Maria Reiche- asqueóloga
  • Maria Sibylla Merian- naturalista
  • Marie Curie- cientista
  • Mary Anning- cientista
  • Mary Edwards Walker- cirurgiã
  • Mary Kom-pugilista
  • Matilde Montoya-médica
  • Maud Stevens Wagner-tatuadora
  • Maya Angelou- escritora
  • Melba Liston- trombonista
  • Michaela Deprince- bailarina
  • Michelle Obama- advogada e primeira dama
  • Millo Castro Zaldarriaga- percussionista
  • Irmãs Mirabal- ativista
  • Miriam Makeba- ativista e cantora
  • Misty Copeland- bailarina
  • Nancy Wake- espiã
  • Nanny dos Quilombolas- rainha
  • Nellie Bly- repórter
  • Nettie Stevens- geneticista
  • Nina Simone- cantora
  • Policarpa Salavarrieta- espiã
  • Rita Levi- Montalcini- cientista
  • Rosa Parks- ativista
  • Ruth Bader Ginsburg-juíza do supremo tribunal
  • Ruth Harkness- exploradora
  • Seondeok da Sill- rainha
  • Serena e Venus Williams- tenistas
  • Simone Biles- ginasta
  • Sonita Alizadeh- rapper
  • Sylvia Earle- bióloga marinha
  • Tamara de Lempicka- pintora
  • Virginia Woolf- escritora
  • Wangari Maathai-ambientalista
  • Wilma Rudolph- atleta
  • Yaa Asantewaa- rainha guerreira
  • Yoko Ono- artista
  • Yusra Mardini- nadadora
  • Zaha Hadid- arquiteta
  • Zhang Xian- maestrina
  • Zhenyi Wang- astrónoma 
A maior parte destas mulheres nunca sentiram um estímulo. E isso só nos faz dar-lhes  ainda mais valor. Por muito importantes que tenham sido as suas descobertas, por muito audazes que tenham sido as suas aventuras, por muito geniais que elas próprias tenham sido- foram constantemente menosprezadas, esquecidas e, nalguns casos, quase apagadas da História.
É importante que as raparigas percebam os obstáculos que têm pela frente. E é ainda mais importante que saibam que esses obstáculos não são inultrapassáveis. Que não só podem encontrar maneira de os superar como podem mesmo removê-los do caminho para quem vier depois, como fizeram todas estas grandes mulheres. 


E como diz no início do livro:


ÀS RAPARIGAS REBELDES DO MUNDO INTEIRO:

         SONHEM MAIS ALTO

         QUEIRAM MAIS

         LUTEM COM MAIS GARRA

         E, QUANDO TIVEREM DÚVIDAS. LEMBREM-SE:
         TÊM RAZÃO.

No final, tem duas páginas com " Escreve a tua história" e  "Desenha o teu retrato".
Foi um livro que recebeu várias distinções internacionais e é uma ótima prenda para meninas e meninos, a minha filha não o larga...

Juntem-se à comunidade rebelgirls online em www.facebook.com/rebelgirls, no instagram em @rebelgirlsbook e no site www.rebelgirls.co/secret.




segunda-feira, 14 de maio de 2018

Educação na Alemanha


Acredito na evolução e mudança constante do ser humano e, por isso, acredito também que viajar e principalmente viver noutro país nos transforma, faz-nos ver a vida doutro modo e por outra perspetiva. As pessoas que vivem uma vida estável, sempre no mesmo lugar e a conviver com as mesmas pessoas, têm vantagens mas sair da nossa zona de conforto é muito enriquecedor. Acho que já falei no blog disso e não me quero repetir. 

Tenho aprendido muito na Alemanha, também no que respeita  à maternidade e aos cuidados às crianças. Para mim, ser boa mãe era ser hiper protetora e cuidadosa, fazendo tudo pelas crianças, antecipando ajuda e arranjando soluções rápidas, tirando todas as pedras do caminho dos miúdos. Pelo contrario, os  alemães dão muita autonomia e liberdade às crianças, deixando-as resolver muitos dos seus problemas sozinhas. Vejo várias vezes as mães nos parques a conversar e as crianças brincam sem nenhuma supervisão ou tentam subir sozinhas aos escorregas e aos baloiços (as mães não correm a ajuda-los). Bebés de um ano caem na relva e os pais não se atropelam a ir levanta-los, apenas os incentivam a faze-lo. Mesmo no jardim infantil a minha filha foi aconselhada pela educadora a não ajudar o irmão a trepar a nada até que ele conseguiu. 

Se no inicio essa atitude dos alemães despreocupada e pouco prestável com as crianças me fazia confusão, hoje vejo que pode ser muito benéfica. As crianças aprendem a ultrapassar os obstáculos e mais importante do que isso sentem-se capazes e a sua auto estima é estimulada. Ouvi falar em escolas que seguem o método da Maria Montessori e fui pesquisar. Ela dizia: "As crianças devem aprender a ser autossuficientes. Se souberem atar os atacadores dos sapatos e vestir-se sozinhas, vão sentir a felicidade que resulta da independência." Compreendo agora o quanto isso é importante e tento pô-lo em prática.
Ao meu filho dou-lhe a roupa e os sapatos para a mão, ele come sozinho quase tudo. coloquei copos à disposição e eles vertem do jarro. lava as mãos sozinho, põe a pasta na escova dos dentes e eu só os ajudo quando eles pedem mas controlo-me muitas vezes para não  o fazer (não consigo ainda desprender-me totalmente da mentalidade portuguesa). Têm também pequenas tarefas em casa e adoram ajudar.

No seguimento desta ideia, a Inês pernoitou na Kita com 5 anos e este ano está a passar 3 dias e 2 noites com a professora e as colegas da escola num sítio fantástico. A casa está mais arrumada e silenciosa, o irmão perguntou mil vezes por ela e o meu coração de mãe portuguesa e ainda um pouco galinha, aperta-se quando pensa na cama alta, que ela tanto gosta, vazia  e já por duas vezes me dirigi ao quarto para ver se estava tudo bem com ela, o que me fez sorrir. No entanto, não duvidei um minuto em autorizar a sua ida, estou certa que a minha decisão foi a melhor e confio na minha filha e nas suas capacidades. Acima de tudo, compreendo agora que amar, cuidar e educar não significa apertar e prender mas sim contribuir para formar crianças independentes e seguras para que possam ser adultos preparados e dignos. 


PS- Um conselho dado aqui aos pais das crianças que vão para o primeiro ciclo é treinarem com as crianças o caminho para irem sozinhos para a escola logo no primeiro ano. Confesso que ainda me faz confusão, talvez por viver nesta cidade grande ou pelos casos de desaparecimento. Os polícias tinham que estar em cada esquina, o que me parece que não acontece (por acaso, há uns meses uns policias à paisana tocaram-me à campainha porque tinha deixado o carro com a porta aberta no parque de estacionamento há 15 minutos).

PS2 - Ela já voltou, feliz e cansada. Em conversa com outro pai, fiquei a saber que o filho dele ia com 2 anos e meio passar 3 dias fora com as educadoras e os colegas da kita!


sábado, 21 de abril de 2018

As coisas melhores da vida


Os meses de Janeiro e Fevereiro são os mais dificeis, a azáfama do Natal passou, a cidade fica mais morta e as próximas férias ainda tardam. Ainda por cima, o Inverno esteve muito frio, com muitos nevões e só agora as árvores e arbustos se enchem de rebentos, os passarinhos cantam e o ânimo melhora.
Nos fins de semana e fins de tarde, especialmente de sexta feira divertimo-nos bastante e fomos algumas vezes para a piscina. Além disso, este Inverno fizemos muitas atividades e jogos. Para vos dar dicas aí para casa (especialmente se mora num local frio e não pode sair muito com as crianças), fui tirando fotografias para colocar aqui. São jogos e atividades simples mas as coisas simples são as melhores da vida, não concordam?










PS- Não tirei fotografia da família a jogar bingo e o "Jogo da Glória" nem do Eduardo a recortar.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Necessidades diferentes


A Inês entrou na escola com 6 anos feitos há um mês. Em Berlim as regras são que se as crianças fizerem 6 anos depois de 30 de Setembro ficam no jardim infantil mais um ano. Isto faz com que a minha filha que completou 6 anos em 3 de agosto seja a segunda mais nova da turma, seja mais infantil e precise de um acompanhamento maior em casa. Ela adora a escola, as professoras, as colegas, as atividades que faz. Criou boas amizades e tem uma ótima relação com as professoras e colegas, o que é meio caminho andado para tudo correr bem.  
Pelo que já me apercebi na escola não há a pressão de Portugal, não são marcados TPC e as crianças são mais livres e autónomas. As professoras não as incentivam, nem impõem trabalhos, não controlam o que fazem, deixam um pouco a responsabilidade nas mãos delas, impondo uma consciência que algumas ainda não tem. A Inês quer fazer, é cumpridora e ajuizada mas distrai-se facilmente e é um pouco lenta. Tem também falta de confiança e auto estima, o que nós tentamos contrariar e combater.
Como acho que os pais tem um papel importante em todo este processo, tento fazer o meu trabalho em casa, tirando-lhe dificuldades e fomentando a rapidez no trabalho. Incentivo-a a fazer e quero estimular o seu gosto pela escola e por aprender. Digo-lhe, muitas vezes, como já a minha mãe me dizia, que o importante é ir evoluindo e que aquele é o seu trabalho, por isso, deve fazer o seu melhor.  
Por sua vez, o meu filho mais novo, o Eduardo, quer atenção, quer saltar para o meu colo, quer que lhe leia um livro, quer que brinque com ele aos carrinhos ou escondidas, quer que olhe para ele e o abrace, quer mimos. Não é fácil mas ele está apenas a ser um menino de 3 anos e as suas atitudes são compreensíveis. Digo-lhe para brincar um pouco, ver aqueles desenhos animados ou fazer um desenho mas não tem resultado e ela também não consegue ficar atenta com o irmão a falar e a brincar, o que é normal. São idades diferentes e necessidades também muito diferentes e eu não tenho conseguido dar a volta. Sinto-me a falhar e preciso de descobrir estratégias...
E vocês aí, têm o mesmo problema? Ajudem-me e digam como conseguem auxiliar uma criança de 6 anos na escola e ao mesmo tempo dar atenção a um traquina de 3 anos...


domingo, 5 de novembro de 2017

Tecnologia dos anos 90


 A primeira vez que vi uma espécie de computador que se ligava à televisão, um Spectrum ZX (o tempo que aquilo demorava a arrancar), tinha, se bem me lembro, perto de 10 anos e entusiasmava-me a jogar o pacman à vez na casa dos meus primos, aquele bonequinho comilão e redondo parecido aos emojis de hoje tinha efeito viciante e hipnotizante sobre mim e, depois as frutinhas que davam pontos e os fantasmas que nos perseguiam...

Mais tarde, tive um Mega drive e jogava o Sonic the Hedgehod. Foram muitas tardes divertidas na companhia do porco espinho mais rápido do universo  que enfentava desafios e inimigos para salvar animais.

 A minha irmã chegou a ter um Tamagochi, sempre a reclamar a nossa atenção, sob pena de se finar de vez se não corressemos para o alimentar, dar carinho ou banho.

Não consigo explicar o delírio quando recebi o tão aguardado Walkman (What?- perguntam os jovens que nasceram após o ano de 1990) azul e a cassete dos Onda Choc no Natal  e com ele veio a liberdade fantástica de ouvir a minha música preferida na rua (Ele é o rei com música dos Four non blonde estava no topo das preferências).

Também tive uma Aparelhagem (adoro este nome) gigante com duas colunas igualmente gigantes que ocupavam parte do meu quarto. Poupei da semanada religiosamente até perfazer a soma de 30 mil escudos. Um dos primeiros Cd's foi-me oferecido pelo meu tio, Tempo do Pedro Abrunhosa e outro pela minha mãe, Keep the faith da banda do momento Bon Jovi. Aumentava o som através do comando, até as colunas começarem a vibrar (claro está que os meus pais não estavam em casa quando o fazia). 


Eu e a minha irmã íamos com o nosso pai ao único clube de vídeo da cidade e traziamos sempre os filmes do Superman ou do Indiana jones porque eram os únicos que existiam em formato beta e sonhávamos em ter um Videogravador VHS, pois já conheciamos bem de mais as aventuras e desventuras do explorador e do super herói e queriamos alargar as nossas escolhas. 

Disputávamos também um Game boy com fundo verde, e jogos a preto e branco e a maior diversão era o tetris. 

A primeira vez que me deparei com umas Escadas rolantes foi numa férias em Lisboa aos 11 anos (era assim já quase uma moçoila quando me estreei na capital) numa estação de comboios. Lembro-me perfeitamente da minha prima mais nova, Inês ficar tão fascinada que tivemos que repetir " a viagem" várias vezes, para cima e para baixo.

Tinha uma televisão velhinha na cozinha dos meus pais que mudava de canal quando as moscas pousavam nos botões e a animação que houve no dia que a grande inovação tecnológica Televisão a cores entrou na nossa casa.
Ficávamos entusiasmados com botões, escadas rolantes, comandos de televisão, carros telecomandados, robots...

A ideia deste post surgiu-me dum episódio sucedido há um par de dias: Fui ao supermercado num  outro carro e a Inês pediu-me para abrir o seu vidro traseiro porque estava abafado no interior. Eu disse-lhe que não conseguia e ela perguntou pelo botão, eu expliquei-lhe que tinha que rodar a manivela (tive que lhe indicar o que era isso e como proceder). Quando o vidro começou lentamente a baixar ela exclamou, arrebatada e em êxtase:  
- Isto é mesmo muito fixe, mãe!!!

Está tudo dito, não acham?


Fotografia de um Game boy retirada da Internet

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Comemorações


Com a entrada da Inês na escola tudo o resto ficou um pouco para trás e o blog também. Ela fez 6 anos e houve piscina de tarde e festa no dia com um bolinho e depois, no fim de semana, com a família alargada no mesmo sítio do ano passado (clique aqui). Ela adorou, especialmente porque tinha além do irmão para brincar, 2 amiguinhas e um primo da mesma idade! Muitos parabéns meu amor. Quero que sejas sempre muito, muito feliz... 




Vou transcrever de seguida uns versos que a minha mãe escreveu para a Inês no seu terceiro aniversário (de vez em quando, ela pede-me para lhos ler)

Aniversário dos 3 anos da minha querida inês

Querida Inês

Fazes hoje três aninhos, 
Três promissoras primaveras...
Meu Deus, como o tempo passa depressa!
Parece que ainda ontem 
Estávamos à tua espera
Ao sol, deitados na praia 
Onde cada onda desmaia,
A ver o seu vai-e-vem
Com os olhos postos no infinito,
O coração tão contrito
À espera da notícia que vem...
O telemóvel tocou...
Nosso coração palpitou, 
Tão forte era o seu bater
Que era difícil descodificar
O que me estavam a dizer:
"-Sim, a menina já nasceu!"
...Sem palavras senti tanta alegria, 
Uma total felicidade!
Só depois me apercebi 
Que era já avó de verdade!
Um sentimento tão doce, 
mesclado de amor e ternura, 
Com uma funda emoção
Tudo de forma tão pura
Neste completo arrebatamento
Um choro de bebé recém-nascido
Entrou então nos meus ouvidos
Qual música inebriante...
Tive a plena perceção 
Que ria meu coração
De forma tão veemente!

Era a minha netinha 

Que mostrava a sua força,
A vontade de viver, seu vigor
E o meu coração cheio de amor
Exultava de tanto contentamento.
Crescia, um mês, outro mês
Era a nossa queria Inês
Cada dia mais bonita
Branquinha e redondita
Com dois lindos olhinhos
Grandes, brilhantes, azulinhos
(esverdeados e cinzentinhos?)
Mas que lindos que eles são!
Maiorzita, os cabelinhos 
Todo, todo aos cachinhos
E cada dia mais loirinhos!
Foi sempre, é e será
A nossa querida inês
Uma benção do Céu 
Para todos, todos nós:
Pais, tios, primos e avós
Ainda tem a felicidade 
De ter duas ternas bisavós.
Ela é a nossa estrelinha
Da manhã, sempre a brilhar
Dá tanta luz à nossa vida
Sempre a cantar e a falar
E uma resposta acertada
Está pronta para nos dar!
Agora para terminar
Peço a Deus que ano a ano
Aqui nos voltemos a encontrar
Peço à estrelinha da sorte
Que ilumine teu caminho
Que o Anjinho da guarda
Te acompanhe com carinho
De todos e cada um de nós
Recebe um abraço e um beijinho.

Vovó Mimi
03/08/2014


Uma data que passou quase em branco pela proximidade da einschulungsfest da Inês foi os nossos 10 anos de casados no dia 8 de Setembro. Já passou uma decada...
Parece quase uma vida: tantos os momentos novos vividos e ainda continuo ávida pelos que estarão para vir e o mais importante partilha-los contigo, juntos e unidos como sempre com a família linda que construímos.
Ficamos à espera da prenda, aquela especial na Páscoa ou no Verão, uma prenda para ser desfrutada a quatro... 




quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Incêndios em Portugal (e não só)

Nas redes sociais leio discursos inflamados de uns e outros à procura de um bode expiatório e aqui o partidarismo impera. Uns vêem os atuais governantes como os maiores culpados, estando cegos pelo amor (ou outros interesses) a um partido. Outros sao rápidos a apontar o dedo à anterior ministra, esquecendo-se que estes dois partidos têm governado alternadamente há decadas. Pois, para mim a culpa é de todos e um pouco de todos nós que fomos pactuando com isto tudo. É algo que me impressiona: a falta de sentido critico, o colocar a simpatia partidária à frente do realmente importante e o não se exigir o melhor possível de quem nos governa ou desgoverna.

Os incêndios têm sido implacáveis, deixando um rasto de destruicao e morte por onde passam. Muito falhou na prevenção e no combate aos incêndios e, principalmente na proteção de bens e pessoas e muito precisa de mudar nesta questão dos incêndios e em muitas outras. Cabe ao povo português impor as alterações que se tornaram inadiáveis. O povo portugues tem que ser menos passivo e conformista. Tem que perceber o seu real poder. Tem que protestar mais e sair as ruas. Tem que acordar da letargia em que se encontra e dizer BASTA. Tem que mudar o discurso do não vale a pena. Tem que acreditar que todos unidos somos mais fortes.  Tem que olhar para além das suas fronteiras e ver que é possivel fazer mais e melhor. Tem que perceber que a contribuição de cada um de nós pode fazer a diferença. Estamos prontos a juntarmo-nos na solidariedade a quem precisa, porque nao fazer o mesmo para mostar desagrado e reivindicar mudancas?

Aqui em berlim éramos 9 pessoas, em frente aos Portões de Brandenburgo, contando também com 4 crianças. Talvez mais por elas saímos de casa e enfrentamos uma chuva miudinha, para que percebam que a responsabilidade cívica deve ser uma prioridade e para lhes darmos o exemplo de cidadãos interventivos e conscientes.
Chamem-nos idealistas e inocentes mas chegamos a casa com a alma leve de quem sente que cumpriu o seu dever.


sábado, 2 de setembro de 2017

Relação entre irmãos

O Eduardo queria um brinquedo, a Inês não lho dava e ele levantava a mão e batia. Nervoso e irado, reagia dessa forma. Ela, sempre receosa  ficava-se algumas vezes mas noutras respondia na mesma moeda (nunca o magoava a sério, ciente que estava da diferença de forças e idades). Eu tentava que eles resolvessem sozinhos o conflito mas a certa altura tinha que intervir. Estava armada a confusão, com choro e tudo à mistura.
Há já alguns meses, a Inês, esperta e matreira, aprendeu que não é com vinagre que se apanham moscas e, quando o irmão quer algo, ela dá-lhe mas logo a seguir procura algo que ele queira e mostra-lhe. Com sorte, ele ao fim de algum tempo larga o que tinha na mão e ela fica vitoriosa com o brinquedo. 
Percebeu também que já pode brincar com o irmão e que ele é um seguidor fiel nas brincadeiras, alinhando em tudo. Ele venera-a e é muito meigo com ela e ela protege-o e defende-o muito e disse-me há uns tempos que o Eduardo era o brilho dos olhos dela! Eu derreto-me quando os vejo juntos...
Agora que a escola da Inês ainda não começou, custa mais ao Eduardo ficar na escola sem a irmã (vai ter que se habituar a ir e a ficar sozinho) e ela sente a falta dele e até já me confessou, com um ar de tédio:
- Ficar sem o Eduardo é muito chato...
A relação deles também sai fortalecida por estarmos aqui sem a restante família mas só espero que conservem esta cumplicidade, amizade e companheirismo para sempre...





 


PS- Ás mães que pensam em ter o segundo filho, digo que avancem. Digo que os primeiros tempos serão complicados mas tudo se resolve com calma e paciência. Digo que o vosso coração transbordará com o surgimento de um inesperado amor fraternal. Digo que a casa cheia é mais importante que ser promovida no trabalho ou que ter a conta bancária recheada. Digo que vale mais ir de férias para uma praia em Portugal com dois do que para um destino distante com um. Digo que eles sairão enriquecidos e aprenderão sobre muitas coisas importantes, tais como, a partilha . 
 Digo que pensem nos vossos filhos e em quanto os estarão a privar ao decidirem não lhes
dar um irmão/ã  (termino dizendo que percebo perfeitamente quem decide ter só um filho, são escolhas válidas e cada um sabe de si e da sua vida).

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Meus filhos

Vocês têm 5 e 2 anos. Andam alheados da realidade no vosso mundinho de brincadeiras e de contos de fada, os vossos maiores problemas são não irem para o parque depois da escola ou terem que arrumar os brinquedos. 
No futuro encontrarão obstáculos, sofrerão desilusões e ficarão de coração partido muitas vezes. Isso é normal mas o mundo não é tão simples assim. Existem pessoas hediondas. Pessoas que fazem mal sem olhar a quem, que fazem a palavra monstro parecer um elogio. Eles querem que o medo e o ódio suplantem tudo, eles até querem que nos viremos contra os seus para terem cada vez mais adeptos desta mentalidade de violência e brutalidade . Para conseguirem incendiar tudo e instalarem a brutalidade e o caos, usam a cobardia e  atacam crianças inocentes. Não vou falar mais dessa barbárie.
A vossa mãe está aqui e agora a pedir:  procurem o bem, a humanidade e a proximidade com os outros.  Encontrem a felicidade nas pequenas coisas, abram os olhos para o mundo, arrisquem ver, tocar, cheirar, sentir e saborear.   Mudem de opinião quantas vezes for preciso. Ajudem sem olhar a quem. Acreditem em vós e nas vossas capacidades. Busquem o que vos faça felizes, sempre tendo em conta o que são. Lutem pelo que acham justo e amem. Amem com todas as vossas forças, sem reservas...
Não percam a inocência nem a maneira como olham para os outros, mesmo diferentes de vós (foi enternecedor ver-vos brincar ontem com aqueles três irmãozinhos e partilhar os brinquedos). Não receiem nem desconfiem do colega de trabalho, do vizinho ou do homem ou mulher com quem cruzam na rua. Não deixem de ir e de viver, vivam intensamente...

 O que vos quero dizer é, apesar de tudo o que se passa à minha volta hoje, ainda acho que vale a pena viver e não duvido que trazer crianças ao mundo continua a compensar porque é uma nova oportunidade de mudança. Vocês, meus filhos, fazem parte dessa mudança...


Da vossa mãe que vos ama daqui até ao infinito


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Canal no youtube

Comecei por brincadeira a filmar a minha família e aos sítios onde íamos e depois resolvi editar, quer dizer, o E é que tem editados os vídeos depois do trabalho e aos fins de semana; tem tirado ao descanso dele para o fazer, por isso, preciso de lhe dizer obrigada por me aturares e embarcares nas minhas ideias (estes últimos eu já tenho editado quase sozinha) .

A primeira motivação para a publicação destes vídeos é tentar retratar a vida na Alemanha que é igual à vossa, com altos e baixos. Espero conseguir revelar um pouco da cultura alemã e do nosso modo de vida e  as vantagens (e desvantagens) de viver nesta capital europeia, cheia de eventos e parques...


A segunda motivação é mais pessoal: eu sempre gostei de ler e de escrever. Quando era adolescente (nem imaginam como era: cheia de neuras, revoltas e manias), sentar-me com uma folha vazia à frente era a melhor terapia, ficava logo revigorada e aliviada. Mais recentemente, comecei a escrever o blog e o  sentimento voltou, faz-me muito bem escrever, nem que ninguém leia o que escrevo, faço-o para mim e por mim.  Na parte oral, é muito diferente, sempre fui tímida, não tenho a mesma fluência verbal e falar em público é algo angustiante para mim. Na minha vida académica, nas apresentações de trabalhos, apesar de ser só perante o professor e os colegas, ficava nervosa e preocupada, o que acabava por afetar o meu desempenho e, consequentemente, a minha classificação. Por isso, estes vídeos são também desafios para mim, ver o que consigo fazer agora e espero ir evoluindo com o tempo (espero mesmo porque isto no início não é muito natural nem espontâneo). 


Os meus filhos estão muito presentes e isto também é para eles e por eles, é um agradecimento por estas duas dádivas na minha vida e um orgulho por ser mãe de duas criaturas fantásticas e lindas e espertas (qual mãe não é vaidosa com os seus filhos e até presunçosa?). 

Ok, são três motivações. Eles são a terceira.




Dinossauros, Fósseis e muito mais

terça-feira, 9 de maio de 2017


Dia tramado e facto ainda mais tramado

Ela prostrada no sofá todo o dia cheia de febre, ele a fazer coco de 1 em 1 hora, pai em viagem de trabalho toda a semana, mãe enfermeira cansada e com dores na barriga... 

Foi este o meu dia, cheio de queixas silenciosas e dó de ver os meus filhos assim. Quando chegou a noite e tive um pouco de tempo, vim à Internet (sei que não é o mais correto mas depois do dia que tive é compreensível) pesquisar sobre gastroenterite e li que esta é uma doença benigna e que passa em 3 a 5 dias, não necessitando de tratamento médico, principalmente se houve vacinação mas provocou a morte a 1,5 milhões de crianças com idades compreendidas entre 0 a 4 anos, sendo estas mortes quase todas registadas nos países mais pobres do mundo. 

Deveria ficar preocupada mas o meu sentimento foi diferente: fiquei revoltada, triste e com uma dor no peito. Não pelos meus filhos que estavam a dormir nas suas camas confortáveis depois de comerem uma canjinha quente e de tomarem a medicação necessária; não por mim que tinha roupa suja a montes para lavar e um desconforto crescente na zona abdominal mas sim por estas crianças que perecem e mães que estão impotentes para ajudar os filhos...   

segunda-feira, 8 de maio de 2017

A minha filha é bilingue

 A minha filha tem evoluído bastante, responde a tudo mas está também mais curiosa e interessada. faz-nos perguntas que nós deixam de boca aberta e diz que quer saber tudo e experimentar tudo. O pai a pedir-lhe para ela escolher os bonecos, quando estavam a jogar um jogo no computador e ela responde:
-As personagens, pai! 
Tem muita noção do tempo e na escola disseram-nos que ela deu um salto muito grande e agora quer picotar, cortar, desenhar, pintar, escrever em detrimento de saltar e correr. Também nos transmitiram a opinião deles em relação à entrada na escola do primeiro ciclo e a mesma mudou desde Setembro, ela agora está preparada para a escola, inclusivamente uma escola alemã. Eles queriam que nós assinássemos uma carta a pedir a sua manutenção na kitta neste Setembro passado. Porém nós achamos que deveríamos esperar e dar-lhe o tempo que ela precisava, o que foi o mais acertado. Todas as crianças tem um ritmo próprio e é preciso respeita-lo.
 A Inês teve um imenso desafio com a aprendizagem de uma língua nova aos 3 anos apenas falada na escola e houve momentos em que parece que regrediu mas tenho notado que ela aparenta a regressão antes da grande evolução e o fato dela falar duas línguas faz com que o seu raciocino seja mais plástico.
 Eu pesquisei sobre crianças bilingues e juntamente com a minha experiência com a Inês percebi que as crianças fazem o mais fácil e confortável para elas, não fazendo um esforço para falar outra língua se sentirem que comunicam perfeitamente com os pais naquela (no caso da Inês, ela quando chegou à escola não falava alemão). 
Posso, no entanto, assegura-vos que as crianças aprendem facilmente uma segunda (ou até mais) língua e que rapidamente aquela língua que era a dominante/materna pode passar a segunda (a Inês teve uma resistência inicial e houve um período em que se recusava a falar alemão, o que falando com outras mães de crianças na mesma situação, descobri que é normal). Ainda ontem fomos ao parque as duas e adorei vê-la a brincar com as meninas alemãs, toda desinibida a meter conversa (ela afinal não é tímida, só não sabia alemão) e a falar um alemão perfeito (digo eu que não sou especialista).  Por outro lado, ela já tem sido elogiada por outros pais imigrantes na escola por falar a sua língua, uma vez que nós falamos sempre português em casa e além de ser algo natural é uma coisa importante para mim, o conhecimento de uma língua abre muitas portas no futuro, além de facilitar a comunicação com os familiares e amigos, aproximando-a de um pais que é o dela e traz muitas outras consequências, mesmo a nível de desenvolvimento de conexões cerebrais importantes.
 Por isso, se querem que os vossos filhos mantenham a vossa língua não caiam na tentação de começar a falar com eles a outra, mesmo que eles vos respondam nesta e se eles forem mais crescidos promovam a interação com outras pessoas que falem português (farei um post mais geral com esta questão da bilingualidade).
Fiz com a Inês e farei com o Eduardo, embora as estratégias tenham que ser adaptadas uma vez que ele está a ter contato com o alemão antes de o português estar perfeitamente consolidado.

Adorei esta frase:
"A língua é a minha terra e para o bilingue a sua terra é o mundo."
escrita por António da Cunha Duarte Justo