Muitos casais sofrem de infertilidade e lutam por uma gravidez, nós passamos por isso (é algo que nunca deixamos para trás) e conhecemos bem os sentimentos, dúvidas e perguntas que passam pela cabeça de todos que vivem este problema: querer desistir, achar que nunca vamos conseguir, confusão por tantas palavras novas usadas pelos especialistas, tantos exames com nomes complicados, será que vão doer, em que será que consiste esta FIV ou esta inseminação artificial, preços destes tratamentos, probabilidades de sucesso, o que estou a fazer ao meu corpo, para que servem tantas injeções, será que é desta, não percebo porque não correu bem, não percebo como só correu bem agora, fazer repouso ou não, é normal ficar revoltada com a prima que se queixa porque está gravida novamente ou afastar-me das grávidas e dos bebés que tanto amo... Calma, primeiro é necessário perceber como tudo ocorre no corpo da mulher e como são constituídos os sistemas reprodutores feminino e masculino. Se já não se lembram muito bem das aulas de Ciências Naturais, venham dai, eu vou tentar explicar como faria aos meus alunos (que saudades de ensinar isto tudo e repetir estes termos!!!).
O útero é o local onde se desenvolve o embrião, os ovários é onde se produzem as células reprodutoras, os ovócitos e as trompas de Falópio são os dois canais que ligam os ovários ao útero.
Representação esquemática do Sistema Reprodutor Feminino (lembrei-me agora que um aluno uma vez me perguntou se estas cores eram mesmo assim. Lindo, tão inocente!!!!)
Representação esquemática do Sistema Reprodutor Masculino
No homem existem os testículos que são os locais onde se produzem os espermatozóides, as células reprodutoras masculinas. As vesículas seminais e a próstata secretam o liquido seminal que se junta aos espermatozóides para formar o esperma. Os epidídimos e o canal deferente armazenam e transportam os espermatozóides até à uretra para depois o esperma ser lançado para o exterior.
As mulheres nascem com todas as células reprodutoras que vão precisar desde a puberdade à menopausa e os homens produzem-nas continuamente ao longo da vida.Todos os meses desenvolvem-se no ovário alguns folículos que contêm no seu interior um ovócito mas dos muitos que se desenvolvem, só um atinge a maturação (dimensões de 18mm a 22mm) necessária para que ocorra a ovulação (rompimento da parede folicular externa e da parede ovárica e saída do ovócito para as Trompas de Falópio). As restantes células do folículo mantêm-se no ovário e transformam-se no corpo lúteo ou corpo amarelo que vai produzir a progesterona que tem como função principal aumentar a espessura do endométrio (paredes do útero) para estar preparado no caso de surgir um embrião no útero. Por sua vez, o ovócito entra na trompa e vai avançando em direcção ao útero durante aproximadamente 24 horas.
Se durante esse intervalo de tempo não surgir nenhum espermatozóide com a capacidade para a fecundação, o ovócito é reabsorvido pelo corpo feminino e passados 14 dias o corpo lúteo degenera e o endométrio descama, surgindo a tão odiada menstruação. Aquele ciclo menstrual acabou (claro que um novo começa nesse dia) e resta esperar por novo desenvolvimento de folículo no ovário que demora mais 14 dias (em ciclos de 28 dias) até nova ovulação.
Se pelo contrario, o ovócito entrar em contacto com um espermatozóide (este em condições normais resiste cerca 3 dias dentro do corpo da mulher) de formato normal (apenas uma cabeça ovalada e uma cauda) ocorre a fecundação (união do espermatozóide com o ovócito). O material genético das 2 células reprodutoras funde-se e o zigoto inicia o seu caminho pelas Trompas de Falópio. O zigoto passa por várias transformações, multiplicam-se as células e fica com o aspeto de uma framboesa- mórula e, de seguida, essas células vão-se diferenciar, organizando-se em 3 camadas distintas, o embrião atinge o estadio de blastocisto. Durante esta fase do seu desenvolvimento, o embrião é muito frágil e por vezes é identificado como um corpo estranho pelo organismo da mulher e é eliminado.
Fases do desenvolvimento embrionário
Sem comentários:
Enviar um comentário