sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Muitos casais sofrem de infertilidade e lutam por uma gravidez, nós passamos por isso (é algo que nunca deixamos para trás) e conhecemos bem os sentimentos, dúvidas e perguntas que passam pela cabeça de todos que vivem este problema: querer desistir, achar que nunca vamos conseguir,  confusão por tantas  palavras novas usadas pelos especialistas,  tantos exames com nomes complicados, será que vão doer, em que será que consiste esta FIV ou esta inseminação artificial, preços destes tratamentos, probabilidades de sucesso, o que estou a fazer ao meu corpo, para que servem tantas injeções, será que é desta, não percebo porque não correu bem, não percebo como só correu bem agora, fazer repouso ou não, é normal ficar revoltada com a prima que se queixa porque está gravida novamente ou afastar-me das grávidas e dos bebés que tanto amo... Calma, primeiro é necessário perceber como tudo ocorre no corpo da mulher e como são constituídos os sistemas reprodutores feminino e masculino. Se já não se lembram muito bem das aulas de Ciências Naturais, venham dai, eu vou tentar explicar como faria aos meus alunos (que saudades de ensinar isto tudo e repetir estes termos!!!).


O útero é o local onde se desenvolve o embrião, os ovários é onde se produzem as células reprodutoras, os ovócitos e as trompas de Falópio são  os dois canais que ligam os ovários ao útero.



Representação esquemática do Sistema Reprodutor Feminino (lembrei-me agora que um aluno uma vez me perguntou se estas cores eram mesmo assim. Lindo, tão inocente!!!!)




Representação esquemática do Sistema Reprodutor Masculino


No homem existem os testículos que são os locais onde se produzem os espermatozóides, as células reprodutoras masculinas. As vesículas seminais e a próstata secretam o liquido seminal que se junta aos espermatozóides para formar o esperma. Os epidídimos e o canal deferente  armazenam e transportam os espermatozóides até à uretra para depois o esperma ser lançado para o exterior.



As mulheres nascem com todas as células reprodutoras  que vão precisar desde a puberdade à menopausa e os homens produzem-nas continuamente ao longo da vida.Todos os meses desenvolvem-se no ovário alguns folículos que contêm no seu interior um ovócito mas dos muitos que se desenvolvem, só um atinge a maturação (dimensões de 18mm a 22mm) necessária para que ocorra a ovulação (rompimento da parede folicular externa e da parede ovárica e saída do ovócito para as Trompas de Falópio). As restantes células do folículo mantêm-se no ovário e transformam-se no corpo lúteo ou corpo amarelo que vai produzir a progesterona que tem como função principal aumentar a espessura do endométrio (paredes do útero)  para estar preparado  no caso de surgir um embrião no útero. Por sua vez, o ovócito entra na trompa e vai avançando em direcção ao útero durante aproximadamente 24 horas.


Se durante esse intervalo de tempo não surgir nenhum espermatozóide com a capacidade para a fecundação, o ovócito é reabsorvido pelo corpo feminino e 
passados 14 dias o corpo lúteo degenera e o endométrio descama, surgindo a tão odiada menstruação. Aquele ciclo menstrual acabou (claro que um novo começa nesse dia) e resta esperar por novo desenvolvimento de folículo no ovário que demora mais 14 dias (em ciclos de 28 dias) até nova ovulação.


Se pelo contrario, o ovócito entrar em contacto com um espermatozóide (este em condições normais resiste cerca 3 dias dentro do corpo da mulher) de formato normal (apenas uma cabeça ovalada e uma cauda) ocorre a fecundação (união do espermatozóide com o ovócito). O material genético das 2 células reprodutoras funde-se e o zigoto inicia o seu caminho pelas Trompas de Falópio. O zigoto passa por várias transformações, multiplicam-se as células e fica com o aspeto de uma framboesa- mórula e, de seguida, essas células vão-se diferenciar, organizando-se em 3 camadas distintas,  o embrião atinge o estadio de blastocisto. Durante esta fase do seu desenvolvimento, o embrião é muito frágil e por vezes é identificado como um corpo estranho pelo organismo da mulher e é eliminado.

Fases do desenvolvimento embrionário

Chegado ao útero, o blastocisto inicia o processo de nidação (fixação nas paredes do útero- a espessura ideal destas é aproximadamente 8 mm). Só quando bem fixado é que começa a produzir a Beta-hcg e ela pode ser detetada nos testes de gravidez de urina ou de sangue. Os testes de sangue permitem quantificar a  hormona, são mais precisos e os de urina apenas indicam a sua presença ou ausência. Quando o teste de urina, que deve ser feito de preferência com a primeira urina da manhã der positivo, estamos perante uma gravidez que pode evoluir positivamente ou não. Se esse teste der negativo, pode dar-se o caso da quantidade de hormona não ser suficiente para ser detetável por estes testes. convém repetir passados uns dias ou então fazer o teste sanguíneo no laboratório.


Fica de uma forma muito resumida e simplificada a descrição deste processo, no qual muita coisa pode correr menos bem e não se atingir o resultado esperado. No entanto, é considerada infertilidade se o casal tiver relações sexuais não protegidas a cada 2 ou 3 dias e durante um período de 1 ano não ocorrer a gravidez (no caso de mulheres acima dos 30 anos aconselha-se a pedir ajuda médica ao fim de 6 meses de ciclos sem sucesso). Irei fazer outros posts sobre 
este tema com as possíveis causas da infertilidade, exames e tratamentos no combate a infertilidade...

Post sobre o meu percurso aqui e aqui e outro que também pode ajudar aqui.

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