Educação na Alemanha
Acredito na evolução e mudança constante do ser humano e, por isso, acredito também que viajar e principalmente viver noutro país nos transforma, faz-nos ver a vida doutro modo e por outra perspetiva. As pessoas que vivem uma vida estável, sempre no mesmo lugar e a conviver com as mesmas pessoas, têm vantagens mas sair da nossa zona de conforto é muito enriquecedor. Acho que já falei no blog disso e não me quero repetir.
Tenho aprendido muito na Alemanha, também no que respeita à maternidade e aos cuidados às crianças. Para mim, ser boa mãe era ser hiper protetora e cuidadosa, fazendo tudo pelas crianças, antecipando ajuda e arranjando soluções rápidas, tirando todas as pedras do caminho dos miúdos. Pelo contrario, os alemães dão muita autonomia e liberdade às crianças, deixando-as resolver muitos dos seus problemas sozinhas. Vejo várias vezes as mães nos parques a conversar e as crianças brincam sem nenhuma supervisão ou tentam subir sozinhas aos escorregas e aos baloiços (as mães não correm a ajuda-los). Bebés de um ano caem na relva e os pais não se atropelam a ir levanta-los, apenas os incentivam a faze-lo. Mesmo no jardim infantil a minha filha foi aconselhada pela educadora a não ajudar o irmão a trepar a nada até que ele conseguiu.
Se no inicio essa atitude dos alemães despreocupada e pouco prestável com as crianças me fazia confusão, hoje vejo que pode ser muito benéfica. As crianças aprendem a ultrapassar os obstáculos e mais importante do que isso sentem-se capazes e a sua auto estima é estimulada. Ouvi falar em escolas que seguem o método da Maria Montessori e fui pesquisar. Ela dizia: "As crianças devem aprender a ser autossuficientes. Se souberem atar os atacadores dos sapatos e vestir-se sozinhas, vão sentir a felicidade que resulta da independência." Compreendo agora o quanto isso é importante e tento pô-lo em prática.
Ao meu filho dou-lhe a roupa e os sapatos para a mão, ele come sozinho quase tudo. coloquei copos à disposição e eles vertem do jarro. lava as mãos sozinho, põe a pasta na escova dos dentes e eu só os ajudo quando eles pedem mas controlo-me muitas vezes para não o fazer (não consigo ainda desprender-me totalmente da mentalidade portuguesa). Têm também pequenas tarefas em casa e adoram ajudar.
No seguimento desta ideia, a Inês pernoitou na Kita com 5 anos e este ano está a passar 3 dias e 2 noites com a professora e as colegas da escola num sítio fantástico. A casa está mais arrumada e silenciosa, o irmão perguntou mil vezes por ela e o meu coração de mãe portuguesa e ainda um pouco galinha, aperta-se quando pensa na cama alta, que ela tanto gosta, vazia e já por duas vezes me dirigi ao quarto para ver se estava tudo bem com ela, o que me fez sorrir. No entanto, não duvidei um minuto em autorizar a sua ida, estou certa que a minha decisão foi a melhor e confio na minha filha e nas suas capacidades. Acima de tudo, compreendo agora que amar, cuidar e educar não significa apertar e prender mas sim contribuir para formar crianças independentes e seguras para que possam ser adultos preparados e dignos.
PS- Um conselho dado aqui aos pais das crianças que vão para o primeiro ciclo é treinarem com as crianças o caminho para irem sozinhos para a escola logo no primeiro ano. Confesso que ainda me faz confusão, talvez por viver nesta cidade grande ou pelos casos de desaparecimento. Os polícias tinham que estar em cada esquina, o que me parece que não acontece (por acaso, há uns meses uns policias à paisana tocaram-me à campainha porque tinha deixado o carro com a porta aberta no parque de estacionamento há 15 minutos).
PS2 - Ela já voltou, feliz e cansada. Em conversa com outro pai, fiquei a saber que o filho dele ia com 2 anos e meio passar 3 dias fora com as educadoras e os colegas da kita!
PS2 - Ela já voltou, feliz e cansada. Em conversa com outro pai, fiquei a saber que o filho dele ia com 2 anos e meio passar 3 dias fora com as educadoras e os colegas da kita!
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