A minha filha é bilingue
A minha filha tem evoluído bastante, responde a tudo mas está também mais curiosa e interessada. faz-nos perguntas que nós deixam de boca aberta e diz que quer saber tudo e experimentar tudo. O pai a pedir-lhe para ela escolher os bonecos, quando estavam a jogar um jogo no computador e ela responde:
-As personagens, pai!
Tem muita noção do tempo e na escola disseram-nos que ela deu um salto muito grande e agora quer picotar, cortar, desenhar, pintar, escrever em detrimento de saltar e correr. Também nos transmitiram a opinião deles em relação à entrada na escola do primeiro ciclo e a mesma mudou desde Setembro, ela agora está preparada para a escola, inclusivamente uma escola alemã. Eles queriam que nós assinássemos uma carta a pedir a sua manutenção na kitta neste Setembro passado. Porém nós achamos que deveríamos esperar e dar-lhe o tempo que ela precisava, o que foi o mais acertado. Todas as crianças tem um ritmo próprio e é preciso respeita-lo.
A Inês teve um imenso desafio com a aprendizagem de uma língua nova aos 3 anos apenas falada na escola e houve momentos em que parece que regrediu mas tenho notado que ela aparenta a regressão antes da grande evolução e o fato dela falar duas línguas faz com que o seu raciocino seja mais plástico.
Eu pesquisei sobre crianças bilingues e juntamente com a minha experiência com a Inês percebi que as crianças fazem o mais fácil e confortável para elas, não fazendo um esforço para falar outra língua se sentirem que comunicam perfeitamente com os pais naquela (no caso da Inês, ela quando chegou à escola não falava alemão).
Posso, no entanto, assegura-vos que as crianças aprendem facilmente uma segunda (ou até mais) língua e que rapidamente aquela língua que era a dominante/materna pode passar a segunda (a Inês teve uma resistência inicial e houve um período em que se recusava a falar alemão, o que falando com outras mães de crianças na mesma situação, descobri que é normal). Ainda ontem fomos ao parque as duas e adorei vê-la a brincar com as meninas alemãs, toda desinibida a meter conversa (ela afinal não é tímida, só não sabia alemão) e a falar um alemão perfeito (digo eu que não sou especialista). Por outro lado, ela já tem sido elogiada por outros pais imigrantes na escola por falar a sua língua, uma vez que nós falamos sempre português em casa e além de ser algo natural é uma coisa importante para mim, o conhecimento de uma língua abre muitas portas no futuro, além de facilitar a comunicação com os familiares e amigos, aproximando-a de um pais que é o dela e traz muitas outras consequências, mesmo a nível de desenvolvimento de conexões cerebrais importantes.
Por isso, se querem que os vossos filhos mantenham a vossa língua não caiam na tentação de começar a falar com eles a outra, mesmo que eles vos respondam nesta e se eles forem mais crescidos promovam a interação com outras pessoas que falem português (farei um post mais geral com esta questão da bilingualidade).
Fiz com a Inês e farei com o Eduardo, embora as estratégias tenham que ser adaptadas uma vez que ele está a ter contato com o alemão antes de o português estar perfeitamente consolidado.
Adorei esta frase:
"A língua é a minha terra e para o bilingue a sua terra é o mundo."
escrita por António da Cunha Duarte Justo
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