Gravidez ectópica
O que é?
Assim como ectoderme e ectoparasita indicam algo que é exterior ou superficial, a gravidez ectópica é uma gravidez que ocorre fora do seu local habitual, o útero, normalmente, numa das trompas de Falópio.
O blastocisto (embrião resultante da união do espermatozóide e do ovócito) no seu caminho, desde o local onde ocorre a fecundação (união do ovócito com o espermatozóide) até ao útero, encontra um local onde se fixa e continua o seu desenvolvimento. Esta gravidez tubária torna-se inviável, uma vez que as trompas não têm condições (nomeadamente de elasticidade) para manter a gravidez.. Se não for tratada convenientemente, o blastocisto acaba por romper a parede das trompas, podendo provocar uma hemorragia interna e, em casos mais graves, a própria morte da mulher.
Causas
As causas podem ser:
- gravidez ectópica anterior
- cirurgias pélvicas que possam ter deixado cicatrizes internas
- infeções pélvicas
- doenças sexualmente transmissíveis.
Sintomas
Os sintomas típicos são ausência da menstruação e um teste de gravidez positivo acompanhados de dores médias a fortes de um dos lados do abdómen (onde o embrião se encontra) e um corrimento diferente do habitual.
Tratamento
Existe um tratamento que é uma injeção de metotrexato que pára o desevolvimento do embrião mas este tratamento nem sempre resulta e só se faz se a gravidez estiver ainda numa fase inicial e a quantidade ß hcg no sangue for pequena.
A laparoscopia é o tratamento mais usual para a gravidez ectópica. Consiste em fazer a operação de retirada do embrião, usando o método de visualização por uma micro câmara, sem ser necessário grandes cortes. Basicamente, são feitos 3 furinhos por onde se introduz inicialmente ar para separar os órgãos e ser mais fácil trabalhar e um aparelho com uma câmara na ponta. Depois são utilizados outros utensílios especiais (pinças e tesouras) para poder cortar e proceder à operação propriamente dita. É feita com anestesia geral e tem um tempo de recuperação muito curto e menos probabilidades de complicações comparada com a operação tradicional.
Há uma controvérsia na laparoscopia entre retirar a trompa afetada (salpingectomia) ou preserva-la (salpingostomia). Alguns médicos consideram benéfica a primeira opção porque diminui as probabilidades de uma nova gravidez ectópica; outros, pelo contrário, optam por mantê-la para preservar a fertilidade.
Minha experiência
Os sintomas que tive foram apenas um corrimento em forma de uma aguadilha preta que ia e vinha e um teste de gravidez de urina bem positivo. Sei que as dores são um dos sintomas porque quando cheguei ao hospital ficaram espantadas por eu não me queixar.
Fui à obstreta às 11h da manhã (disse-me que o embrião tinha batimentos cardíacos e estava muito ativo, perguntei pelas causas e ela disse que, provavelmente, a estimulação da ovulação que fiz no tratamento de FIV pode ter contribuído, uma vez que nenhuma das causas habituais se encaixava no meu caso ) e às 20h do mesmo dia fui operada.
A operação demorou pouco mas perdi muito sangue, tendo ficado em vigilância apertada naquela noite, vinham medir-me a tensão arterial regularmente e verificar o líquido que saia pelo dreno. Durante a noite pedi para ir à casa de banho, senti-me muito fraca e quase desmaie no chão do WC, valeu-me a enfermeira que pegou em mim e me trouxe de novo para a cama.
No dia seguinte, o saco que tinha ligado ao dreno continuava a encher-se de líquido, sentia uma pressão nas costelas do ar que não tinha vindo para o exterior e tinha os movimentos limitados pelo dreno que era incómodo como uma espada.
No dia a seguir, tiraram-me o dreno (foi muito doloroso), senti-me logo muito melhor e pedi para vir para casa. Soube também que não me retiraram a trompa direita, foi preservada.
Os únicos cuidados que tive foi não molhar as três incisões nos primeiros 3 dias. A recuperação física foi fácil e rápida, ao fim de uma semana estava quase recuperada. Psicologicamente, semelhante a um aborto, foi doloroso e complicado,senti uma perda gigante e um vazio muito grande.
Notei cuidado e sensibilidade por parte do hospital na Alemanha, nomeadamente, colocarem pessoas com problemas como o meu longe do local onde nasciam os bebés ou dos quartos onde estavam os bebés e a médica que me veio visitar no primeiro dia perguntar em alemão se eu tinha visitas (para eu não perceber) e dar-me depois o conselho de passear no jardim porque me faria bem para libertar o ar.
Se tiver algum corrimento suspeito, dores ou suspeitar que algo não esteja bem com a sua gravidez procure o médico. A gravidez ectópica é mais comum do que pensa e, embora de "fácil" resolução pode tornar-se um problema grave.
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