domingo, 11 de dezembro de 2016
Tradições alemãs no Natal
O advento como um período de reflexão e celebração
O Advento tem grande importância para os cristãos de ambas as confissões religiosas na Alemanha. Serve para a reflexão e para o recolhimento interior. No domingo que dista quatro semanas do dia de Natal , começa o novo ano litúrgico. Isto foi determinado pela Igreja já no século IV.
O símbolo do período até ao dia de Natal é a coroa do Advento. O símbolo tem a sua origem em Hamburgo. “A primeira coroa estava pendurada, em Dezembro de 1839, no oratório da 'Rauhes Haus'”, diz Uwe Mann von Velzen, o porta-voz desta instituição evangélica para crianças abandonadas e órfãs de bairros degradados da cidade portuária.
Primeiramente a coroa, feita com ramos de pinheiro, encontrava-se apenas nas casas de famílias de fé evangélica, sobretudo no norte da Alemanha. Nos anos 20 do século passado, os católicos também passaram a adotar este costume. As 24 velas originais - uma para cada dia - foram reduzidas há décadas para quatro, correspondentes aos domingos anteriores ao dia de Natal. “Hoje em dia, muitas vezes, um arranjo de ramos de pinheiro, com uma única vela grande, substitui a coroa”, diz Ute Bleicher, florista de Munique.
A mensagem da Coroa de Advento é percebida a partir do simbolismo de cada um de seus elementos: o circulo (símbolo da eternidade, da unidade, do tempo que não tem início nem fim, de Cristo, Senhor do tempo e da história), os ramos verdes (sinal de persistência, de esperança, de imortalidade, de vitória sobre a morte) e as velas (o ato de as acender gradualmente significa a progressiva aproximação do Nascimento de Jesus, a progressiva vitória da luz sobre as trevas).
Apesar de não ser uma tradição muito comum em Portugal, na Alemanha quando se aproxima o período do advento estas coroas são vendidas em todo o lado e a cada domingo é acendida mais uma vela o que constitui, sobretudo, um hino à vida que brota da verdadeira Vida.
São Nicolau: origens e lenda
A história de São Nicolau, bispo da cidade de Myra, na Ásia Menor remonta ao século IV. Ele nasceu entre 270 e 280, de uma família rica oriunda da cidade de Lycia, na atual Turquia. Ficou órfão cedo e foi criado num mosteiro, onde se ordenou padre com 17 anos. Ele viajou pelo Egito e Palestina antes de retornar a Lycia, para se tornar o bispo da cidade de Myra, onde faleceu em 6 de Dezembro do ano de 343.
Nicolau era um homem muito generoso, conhecido por sua caridade e sabedoria, e que abriu mão de sua riqueza em nome dos necessitados. Ele costumava sair disfarçado à noite para distribuir dinheiro, roupas e comida aos pobres. A mais famosa lenda em torno do santo é a referente a três irmãs pobres, que tinham pretendentes, mas, no entanto, não podiam pagar os seus dotes. Por ser muito tímido, São Nicolau subiu ao telhado da casa das moças e atirou três moedas pela chaminé da casa. As três moedas caíram dentro de três meias, que secavam penduradas na lareira.
Por esse motivo, estabeleceu-se a tradição alemã de deixar sapatinhos dentro de um prato, do lado de fora da casa. Na Alemanha, durante o período natalício, a figura de São Nicolau está presente em chocolates de variadas formas . Para os alemães, São Nicolau é um bispo de barba branquinha. Para a visita do santo, as casas e os sapatinhos das crianças precisam estar cuidadosamente limpos. Na véspera da visita, as crianças colocam, num prato, em pares de botas ou nos seus sapatos, cartas para o bom santo juntamente com cenouras ou outras comidas para o burro ou cavalo branco que o acompanham.Tudo isso é posto do lado de fora da casa, debaixo da cama ou ao lado do aquecedor, na esperança de que seja encontrado pelo santo na manhã seguinte.
Durante a noite, São Nicolau vai de casa em casa carregando um livro, no qual estão anotados todos os pedidos de todas as crianças. Se elas se comportaram bem durante o ano, ele preenche os pratos, sapatos ou pares de botas com frutas, nozes e guloseimas. Se não, elas encontram batatas, carvão e galhos.
Hoje em dia, em algumas partes da Alemanha, São Nicolau já se parece muito mais com o Pai Natal, e vem no dia de Natal, em vez do dia 6 de Dezembro (dia do santo). A influência vinda de outros países, da televisão e grandes lojas torna muito mais difícil manter a lenda do São Nicolau. A sua aparência actual sugere que as figuras centrais do Natal alemão, como São Nicolau e o Menino Jesus, estão a transformar-se.
Elaborado com base em informações retradas do site da embaixada da Alemanha em Maputo
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
É engraçado perceber que todos temos a nossa visão do mundo, a qual depende das vivências e do caminho de cada um e que todas as nossas decisões futuras derivam da mesma noção das coisas. É como um ciclo, o que fizemos e vivemos vai influenciar as nossas escolhas futuras. Dou muita importância a viajar. Esta é, se bem aproveitada, uma oportunidade de ver que há vidas tão diferentes das nossas e podemos tornar-nos pessoas melhores ou, pelo menos, mais conscientes.
Virtualmente também se viaja, principalmente quando se para um pouco para pensar. Tenho uma "amiga" virtual da Argentina no Facebook (nem sei bem como) e outro dia percebi (através de um comentário de uma foto dela que começava por avoelita que se não me engano é avozinha em Espanhol) que a dita senhora tem 39 anos e dois netos pouco mais novos que os meus filhos. Refleti um pouco e percebi que a vida dela certamente foi e é muito diferente da minha, por isso, tudo que ela faz é também diferente. Os seus valores, ideais, a sua própria personalidade e percurso de vida moldaram tudo e fizeram dela a pessoa que é hoje.
Por tudo isto, tenho tentado não criticar nem julgar ninguém (ser mãe foi outra experiência que me ajudou também nisto) e quando o começo a fazer penso e paro: não medir os outros por mim e perceber que todos somos diferentes, nem melhores nem piores apenas diferentes.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Chegou o frio. Há um mês que as temperaturas não vão além dos 10ºC e quando vêm dias mais limpos ou com vento elas descem abaixo de zero. A diferença é brutal quando ultrapassamos a soleira da porta, por isso, temos que (n)os agasalhar bem e as saias e calçado feminino não são muito quentes nem confortáveis para andar sobre poças de água congelada. Os saltos altos são proibitivos (se não quer dar um grande trambolhão) e o melhor são botas com sola de borracha e com pelo por dentro. Para mim, tenho botifarras quentes e com sola de borracha bastante grossa e tenho botas mais fininhas para usar com um vestido. Estas últimas levo normalmente para Portugal ou uso aqui na Primavera e inicio de Outuno.
Da mesma forma, gosto de vestir e calçar a minha filha cómoda e quente mas também aprecio vê-la com saias ou vestidos à menina e, como já disse aqui e aqui, compro muita roupa e calçado porque me apetece, porque gosto que andem bonitos e bem arranjados, não precisando de serem caros para cumprir os meus requisitos .
Estas foram as botas que trouxe desta terça feira nas compras, tentei que conjugassem praticidade e adequação às condições climatéricas com beleza e feminilidade (na minha opinião, ficam bem com saias e vestidos). Têm pelo por dentro, sola de borracha, um glitter em cima e a cor que ela adora...
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
Tradições alemãs no Natal
Calendário do advento
O calendário do Advento é uma invenção alemã. Ele é formado por 24 janelinhas, que correspondem, cada uma, a um dia do Advento, intervalo de tempo desde o inicio de Dezembro até à chegada do Natal.
No primeiro dia do mês, as crianças alemãs recebem ou fazem elas próprias um calendário do Advento e penduram-no, abrindo uma nova janelinha a cada dia. Nas suas aberturas são colocadas fotos, brinquedos, chocolates ou atividades para serem feitas em família, funcionando como surpresas .
Ao abrir uma janelinha por dia, faz-se a contagem regressiva até ao Natal. O calendário torna a espera pelo grande dia mais divertida e agradável para as crianças.
As origens do calendário do Advento remontam às áreas protestantes da Alemanha do século XIX. O primeiro deles data de 1851. Famílias protestantes desenhavam com giz uma linha que perpassava todos os 24 dias de Dezembro até à noite de Natal.
Os calendários costumam ser feitos com muito esmero. Na cidade alemã de Gegenbach, no sul do país, encontra-se o maior de todos os calendários do advento: 24 janelas da Câmara Municipal da cidade são decoradas com motivos natalícios, todos os anos, para a chegada do Natal.
Árvore de Natal
A árvore de Natal tem origens na Alemanha. É considerada a alma do Natal. Acredita-se que Martinho Lutero deu início à tradição, quando, numa noite de véspera de Natal, trouxe uma para o quarto de sua filha, para que ela pudesse desfrutar da natureza sem sair à rua, por causa do Inverno rigoroso.
A primeira aparição de um Tannenbaum (termo em alemão para o pinheiro de Natal) foi registada na Alemanha muito após a morte de Lutero. Em 1605, na cidade de Estrasburgo, atualmente na França, um cronista escreveu: “Em tempo de Natal, eles colocam pinheiros em suas casas”. Mas o mais provável é que o costume seja de 1550, época em que as primeiras canções que mencionavam os pinheiros de Natal, já eram ouvidas e cantadas frequentemente.
Um Natal alemão sem pinheiro é impensável e as luzes e velas que o adornam são parte essencial dessa festividade na Alemanha. Todas as famílias preservam o hábito de ter um pinheiro em casa, mesmo vivendo fora do seu país, assim como os usam também para decorar espaços públicos.
As bolas que se penduram na árvore de Natal também são uma invenção alemã e, hoje em dia, são indispensáveis na decoração natalícia. Tradicionalmente feitas de vidro, as bolas estão presentes em árvores de Natal de todos os lugares do mundo. Sua invenção é atribuída a um vidreiro alemão da região da Turíngia, em 1847. Por não ter dinheiro para adquirir enfeites à época mais caros, como nozes, maçãs e doces, o vidreiro decidiu soprar bolinhas de vidro para enfeitar a sua árvore de Natal. Outros vidreiros gostaram da ideia e passaram a produzir os mesmos enfeites, que rapidamente se tornaram populares.
Feito com base em informações do site da Embaixada da Alemanha em Maputo
domingo, 4 de dezembro de 2016
Depois de mais de 3 anos na Alemanha posso dizer que estou bem e feliz com a minha escolha. As saudades estão presentes mas consigo ver mais além, as oportunidades, as vivências, as experiências que vamos tendo e proporcionando aos nossos filhos são muito importantes.
Não tenho saudades de tudo em portugal: não tenho saudades de perder tempo na caixa do supermercado à espera do preço dum produto ou nas repartições de finanças a tratar de algo; dos queixumes frequentes dos portugueses que não fazem nada para mudar; da passividade quando veem sempre os mesmos a serem beneficiados; do chico esperto a tentar safar-se sem ter em conta princípios ou valores; do conformismo das pessoas perante os atos dos politicos e a corrupção que cada vez se torna mais notória; da curiosidade das vizinhas que perguntam por mim à minha mãe com ar de pena. Sim, estou lá para a Alemanha mas estou muito bem- obrigada pela preocupação.
Vamos deixar-nos de lamúrias. Temos uma boa qualidade de vida, vivemos em família, não (n)os privamos de nada, contactamos com pessoas de diferentes sítios, aprendemos constantemente novas maneiras de fazer as coisas; ganhamos capacidades várias; desenvolvemos habilidades para transformar o complicado em simples: sou uma pessoa muito melhor e mais rica desde que aqui estou, daquela riqueza que importa, que se faz de conhecimento, experiência e consciência. Até as passagens pelo hospital me transformaram para melhor, agora a saúde é o que mais prezo e evito tudo que me tire a paz e o sossego, só me preocupo com o que verdadeiramente importa (ou tento).
Parei para olhar a minha filha e comparei-a comigo na mesma idade, ela tem vivido muito mais. Outro dia perguntei-lhe, depois de ela ter referido o nome, quem era o Kevin, se era aquele seu amigo chinesinho e ela respondeu, perentória:
- Ele não é chines, ele é igual a mim e a todos la a escola!
Ela tem muita diversidade de crianças na escola, no que respeita a língua, proveniência e aspeto, porém presenteou-me com a resposta mais genial e sábia.
A minha filha está numa caminhada para se tornar uma verdadeira criança bilingue e a ter uma educação escolar diferente, melhor ou pior depende da perspetiva. O que importa é que ela consiga trazer um pouquinho da espontaniedade e simpatia de Portugal para aqui e consiga levar a organização e a ordem no sentido inverso e esse mix vai torná-la uma pessoa especial.
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