Outono, algum frio, um
sol tímido, um qualquer sábado do décimo mês do ano, um início de tarde, uma
cidade capital de distrito de Trás-os-Montes e Alto Douro, uma casa velha no
centro da cidade, um quintal nas traseiras da casa, uma cozinha antiquada mas limpa,
uma avó matriarca e querida, uma filha prestável e atarefada, um avô sério e
introvertido, algumas crianças irrequietas e barulhentas, o cheiro ácido da
polpa da fruta, uma pequena fogueira no exterior, uma panela enorme equilibrada
na grelha no lume, as pequenas mãos estendidas a pedir o rebuçado delicioso,
uma colher de pau gigante a mexer a iguaria, uma concha ou um fervedor antigo a
entrar vazia/o e a sair cheia/o da panela, o aroma doce do pitéu recém-preparado,
os recipientes de vidro e porcelana cheios a passarem de mão em mão, os pedaços
de pão a mergulharem no liquido fumegante, os dedos pegajosos de tanta doçura,
o sabor reconfortante da marmelada…
e
saudades, tantas saudades
com lágrimas a escorrerem pela cara abaixo.
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