quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Outono, algum frio, um sol tímido, um qualquer sábado do décimo mês do ano, um início de tarde, uma cidade capital de distrito de Trás-os-Montes e Alto Douro, uma casa velha no centro da cidade, um quintal nas traseiras da casa, uma cozinha antiquada mas limpa, uma avó matriarca e querida, uma filha prestável e atarefada, um avô sério e introvertido, algumas crianças irrequietas e barulhentas, o cheiro ácido da polpa da fruta, uma pequena fogueira no exterior, uma panela enorme equilibrada na grelha no lume, as pequenas mãos estendidas a pedir o rebuçado delicioso, uma colher de pau gigante a mexer a iguaria, uma concha ou um fervedor antigo a entrar vazia/o e a sair cheia/o da panela, o aroma doce do pitéu recém-preparado, os recipientes de vidro e porcelana cheios a passarem de mão em mão, os pedaços de pão a mergulharem no liquido fumegante, os dedos pegajosos de tanta doçura, o sabor reconfortante da marmelada…

e

saudades, tantas saudades com lágrimas a escorrerem pela cara abaixo. 

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