quarta-feira, 7 de outubro de 2015


O meu filho faz 6 meses hoje. Podia dizer que tenho um filho lindo, simpático e querido, que sou a mãe mais feliz e abençoada, que espero vê-lo crescer por muitos anos, que desejo que tenha saúde, amor e tudo de bom que a vida lhe possa trazer (tudo verdades) mas em vez de escrever frases repetitivas, vou contar um pouco da história da nossa família.


 Recuando no tempo, a tua gravidez foi algo inesperado e muito desejado. Tendo em conta o percurso de infertilidade de um ano e cinco meses, ficar grávida daquela maneira parecia um sonho, estava sempre a pensar que não poderia ser verdade. Parecia incrível como às vezes passamos duma atitude de resignação, uma resignação moderada visto que iria continuar a lutar por um filho, para uma sensação de incredibilidade. Devo dizer que a felicidade que senti foi sempre muito ponderada, tinha um bichinho dentro de mim muito pequenino que sussurrava baixinho como foi possível? Será um engano? Será que vai correr bem?
No dia 6 de Dezembro de 2010, fiz dois testes de gravidez que a tua tia me deu como descargo de consciência porque só pensava que estava desregulada, apesar das quantidades enormes de hormonas que tinha “introduzido” no meu corpo no último tratamento- a fertilização in vitro com micro-injecção de espermatozóides. A minha cabeça esteve durante esse mês e meio focada na próxima batalha que seria em Janeiro a TEC (transferência de embriões congelados). Eram a minha esperança, aqueles quatro pontos luminosos que mais pareciam estrelinhas a brilhar num futuro negro…”
 Retirado do diário da minha primeira gravidez 

O meu filho que faz hoje 6 meses, aliás o seu começo mais primordial, é mais velho que a  minha filha com 4 anos. Como é isso possível?

Lendo a passagem acima, um daqueles pontos luminosos é, hoje, o meu Eduardinho. 

Do tratamento que fiz em outubro de 2010 resultaram 9 embriões, tendo sido congelados 4, em conjuntos de 2. Quando engravidei espontaneamente da minha filha, um conjunto de células chamado blastocisto estava crio-preservado e assim ficou mais uns aninhos, até ser implantado no meu útero (foram implantados 2 mas a seleçao natural atuou e ficou apenas 1). Estas células totipotentes continuaram a dividir-se e deram origem a um feto, depois a um recém nascido e, atualmente, um bebé de 6 meses.
Não vou discutir se estes estágios iniciais se podem considerar vida ou não mas a ciência permite coisas extraordinárias, entre elas selecionar os embriões saudáveis  (DGPI- dignótico genético pré implantatorio) e apenas implantar esses (em casos de doenças que afetem a família- não é o nosso caso
). Aqui a ética também conta, não se pode criar, selecionar, implantar ou destruir os embriões por capricho.

Já me alonguei, é a minha veia de professora, essas estrelinhas eram (e ainda são?) a minha esperança: na altura, pressentia que estava nelas a chave para tornar a nossa família mais feliz, rica e completa, o que, passados cerca de 5 anos, vejo que se concretizou. 

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