segunda-feira, 15 de maio de 2017

Festival da Eurovisão


Eu e a minha irmã éramos fãs do concurso da Eurovisão. Esperávamos ansiosamente por aquele dia e gravávamos no nosso velhinho video gravador de sistema Beta as músicas dos vários países (assim como gravávamos os video clips do programa Top mais), longe que estávamos dos Cd's, DVD's, Blu ray, mp3 e Ipad. 
É verdade que não tínhamos muitas alternativas: a televisão limitava-se a um canal, a internet ainda era algo desconhecido e na nossa cidade havia uma única sala de cinema onde nos acotovelávamos na fila dos bilhetes para assistir ao novo filme. 
Outras gerações vibraram com as actuações de António Calvário e Simone de Oliveira; nós ficávamos encantadas, de olhos brilhantes e fixos, com a voz de Dulce Pontes, a juventude  e frescura de Anabela, a doçura de Sara Tavares, a mestria com o cavaquinho de Lúcia Moniz e até com o estilo roqueiro e um pouco exagerado dos DaVinci. Na parte da votação (acreditem ou não: era país a país, ponto a ponto), Portugal só tinha pontos da vizinha Espanha, por isso, a classificação final era decepcionante mas todos os anos lá estávamos nós, prontas para a desilusão que, interiormente, já esperávamos.
Este ano de 2017, a atitude despretensiosa e fiel a si mesma, a interpretação cheia de emoção, a performance carregada de meiguice, a simplicidade da letra, a leveza da melodia, a delicadeza da voz, os milhões de pessoas à volta do mundo que foram tocados, a votação fantástica, a vitória avassaladora e principalmente, os sentimentos de amor e de ternura que tomaram conta do meu coração quando ouvi, e continuo a ouvir repetidas vezes, Amar pelos dois de Salvador e Luísa Sobral fazem valer a pena todos aqueles anos passados de ansiedade, espera e desapontamento.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

CURIOSIDADES SOBRE BERLIM

Outras curiosidades sobre Berlim aqui

  • Berlim tem cerca de 4 milhões de habitantes distribuídos por aproximadamente 500 mil imigrantes, 1 milhão de alemães descendentes de imigrantes e apenas 1/4 dos habitantes são verdadeiramente originários da cidade.
  • 50 % dos habitantes são solteiros, em 2013 casaram 13000 pares (a mulher casa em média com 32 e o homem com 35 anos) e vivem separados 7500.
  • Um berlinense vive em média 13 anos no mesmo apartamento.
  • Todos os dias mudam-se para Berlim 435 pessoas e para fora de Berlim 327.
  • A temperatura máxima em média no mês de Agosto é 23ºC e a temperatura mínima em média no mês de Janeiro é -3ºC
  • Os berlinenses gastam 39 euros por mês em tabaco e álcool e apenas 20 euros em fruta.
  • Relativamente aos tempos livres, a percentagem de áreas verdes é 12,7% , existem 56 piscinas, 190 discotecas e 315 museus e teatros.
  • Diariamente os transportes públicos percorrem o equivalente a quase 9 voltas completas à Terra. 
  • Uma refeição completa para duas pessoas custa em média 40 euros.
  • As dormidas turísticas aumentaram de 21 milhões em 2010 para 27 milhões em 2013.
  • Em 1848 foi proibido fumar na rua e atualmente são atiradas ao chão 2,9 milhões de beatas por ano.
  • Música de rua não pode ser tocada em todas as estações de metro e não mais que uma hora.






quinta-feira, 11 de maio de 2017

Casas em Berlim

Os apartamentos em Berlim (pelo menos na zona onde vivo) são pequenos mas têm particularidades giras. Vamos lá a ver:
  • Casa/cozinha no mesmo compartimento- Quando casamos e andamos à procura de casa para comprar eliminava todos os apartamentos assim. "Onde já se viu entrar logo na sala? E se esta está toda desarrumada? E os cheiros dos cozinhados?" Pensava eu, muito indignada. Passados nove anos, moro numa casa dessas e adoro. Estou a cozinhar e tenho os meus filhos debaixo de olho a brincar, consigo ao mesmo tempo que preparo as refeições olhar para a televisão e interagir com eles e tenho um compartimento grande em casa, coisa que doutra forma seria impossível. Aliás, fiquei tão fã deste conceito open space que um dia que construa uma casa, as únicas paredes serão as dos quartos e casa de banho.
  • Persianas-  "Vamos fechar as persianas?"- disse quando cheguei à minha nova casa em Berlim e começou a anoitecer. Pois, elas não existem, nem portadas, estores ou algo do género. Na sala gosto de chegar de manhã e ser brindada com um solzinho mas nos quartos não acho graça nenhuma a ser acordada pela luz às 5h e 30m da manhã. Valha-nos umas cortinas opacas que mesmo assim não fazem o serviço completo. Vejo alguns apartamentos que nem isso têm...
  • Jardim de Inverno- Foi algo que eu só conheci aqui mas é tipo uma varanda ou uma parte da sala toda envidraçada. Uma espécie de marquise, não para secar cuecas, mas sim para ter plantas em vasos ou penduradas. Pode ter outras utilidades como um escritório ou um ginásio. Dá um efeito muito lindo, principalmente quando é feito com:
  • Cortinas de vidro- vários vidros que se conseguem abrir e fechar e só têm calha em baixo e em cima, parecendo quase inexistentes. O fato de não terem perfis verticais nem horizontais permite aproveitar a vista panorâmica e dar a sensação de maior amplitude e leveza. Podem-me dizer que isto já existe há milhares de anos mas eu não conhecia e é mais um item para a minha casa ideal.
  • Tijoleira e azulejos- A primeira existe apenas no chão da casa de banho e os segundos só na zona do banho, do lavatório e entre os armários superiores e inferiores da cozinha. 
  • Casas de banho- ando a ver T3 e estes têm apenas uma casa de banho.


PS- Os meninos estão melhores e eu vou tentar durante o mês de Maio escrever um post todos os dias. Torço para ter tempo e frescura mental para isso...

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Canal no youtube

Comecei por brincadeira a filmar a minha família e aos sítios onde íamos e depois resolvi editar, quer dizer, o E é que tem editados os vídeos depois do trabalho e aos fins de semana; tem tirado ao descanso dele para o fazer, por isso, preciso de lhe dizer obrigada por me aturares e embarcares nas minhas ideias (estes últimos eu já tenho editado quase sozinha) .

A primeira motivação para a publicação destes vídeos é tentar retratar a vida na Alemanha que é igual à vossa, com altos e baixos. Espero conseguir revelar um pouco da cultura alemã e do nosso modo de vida e  as vantagens (e desvantagens) de viver nesta capital europeia, cheia de eventos e parques...


A segunda motivação é mais pessoal: eu sempre gostei de ler e de escrever. Quando era adolescente (nem imaginam como era: cheia de neuras, revoltas e manias), sentar-me com uma folha vazia à frente era a melhor terapia, ficava logo revigorada e aliviada. Mais recentemente, comecei a escrever o blog e o  sentimento voltou, faz-me muito bem escrever, nem que ninguém leia o que escrevo, faço-o para mim e por mim.  Na parte oral, é muito diferente, sempre fui tímida, não tenho a mesma fluência verbal e falar em público é algo angustiante para mim. Na minha vida académica, nas apresentações de trabalhos, apesar de ser só perante o professor e os colegas, ficava nervosa e preocupada, o que acabava por afetar o meu desempenho e, consequentemente, a minha classificação. Por isso, estes vídeos são também desafios para mim, ver o que consigo fazer agora e espero ir evoluindo com o tempo (espero mesmo porque isto no início não é muito natural nem espontâneo). 


Os meus filhos estão muito presentes e isto também é para eles e por eles, é um agradecimento por estas duas dádivas na minha vida e um orgulho por ser mãe de duas criaturas fantásticas e lindas e espertas (qual mãe não é vaidosa com os seus filhos e até presunçosa?). 

Ok, são três motivações. Eles são a terceira.




Dinossauros, Fósseis e muito mais

terça-feira, 9 de maio de 2017


Dia tramado e facto ainda mais tramado

Ela prostrada no sofá todo o dia cheia de febre, ele a fazer coco de 1 em 1 hora, pai em viagem de trabalho toda a semana, mãe enfermeira cansada e com dores na barriga... 

Foi este o meu dia, cheio de queixas silenciosas e dó de ver os meus filhos assim. Quando chegou a noite e tive um pouco de tempo, vim à Internet (sei que não é o mais correto mas depois do dia que tive é compreensível) pesquisar sobre gastroenterite e li que esta é uma doença benigna e que passa em 3 a 5 dias, não necessitando de tratamento médico, principalmente se houve vacinação mas provocou a morte a 1,5 milhões de crianças com idades compreendidas entre 0 a 4 anos, sendo estas mortes quase todas registadas nos países mais pobres do mundo. 

Deveria ficar preocupada mas o meu sentimento foi diferente: fiquei revoltada, triste e com uma dor no peito. Não pelos meus filhos que estavam a dormir nas suas camas confortáveis depois de comerem uma canjinha quente e de tomarem a medicação necessária; não por mim que tinha roupa suja a montes para lavar e um desconforto crescente na zona abdominal mas sim por estas crianças que perecem e mães que estão impotentes para ajudar os filhos...   

segunda-feira, 8 de maio de 2017

A minha filha é bilingue

 A minha filha tem evoluído bastante, responde a tudo mas está também mais curiosa e interessada. faz-nos perguntas que nós deixam de boca aberta e diz que quer saber tudo e experimentar tudo. O pai a pedir-lhe para ela escolher os bonecos, quando estavam a jogar um jogo no computador e ela responde:
-As personagens, pai! 
Tem muita noção do tempo e na escola disseram-nos que ela deu um salto muito grande e agora quer picotar, cortar, desenhar, pintar, escrever em detrimento de saltar e correr. Também nos transmitiram a opinião deles em relação à entrada na escola do primeiro ciclo e a mesma mudou desde Setembro, ela agora está preparada para a escola, inclusivamente uma escola alemã. Eles queriam que nós assinássemos uma carta a pedir a sua manutenção na kitta neste Setembro passado. Porém nós achamos que deveríamos esperar e dar-lhe o tempo que ela precisava, o que foi o mais acertado. Todas as crianças tem um ritmo próprio e é preciso respeita-lo.
 A Inês teve um imenso desafio com a aprendizagem de uma língua nova aos 3 anos apenas falada na escola e houve momentos em que parece que regrediu mas tenho notado que ela aparenta a regressão antes da grande evolução e o fato dela falar duas línguas faz com que o seu raciocino seja mais plástico.
 Eu pesquisei sobre crianças bilingues e juntamente com a minha experiência com a Inês percebi que as crianças fazem o mais fácil e confortável para elas, não fazendo um esforço para falar outra língua se sentirem que comunicam perfeitamente com os pais naquela (no caso da Inês, ela quando chegou à escola não falava alemão). 
Posso, no entanto, assegura-vos que as crianças aprendem facilmente uma segunda (ou até mais) língua e que rapidamente aquela língua que era a dominante/materna pode passar a segunda (a Inês teve uma resistência inicial e houve um período em que se recusava a falar alemão, o que falando com outras mães de crianças na mesma situação, descobri que é normal). Ainda ontem fomos ao parque as duas e adorei vê-la a brincar com as meninas alemãs, toda desinibida a meter conversa (ela afinal não é tímida, só não sabia alemão) e a falar um alemão perfeito (digo eu que não sou especialista).  Por outro lado, ela já tem sido elogiada por outros pais imigrantes na escola por falar a sua língua, uma vez que nós falamos sempre português em casa e além de ser algo natural é uma coisa importante para mim, o conhecimento de uma língua abre muitas portas no futuro, além de facilitar a comunicação com os familiares e amigos, aproximando-a de um pais que é o dela e traz muitas outras consequências, mesmo a nível de desenvolvimento de conexões cerebrais importantes.
 Por isso, se querem que os vossos filhos mantenham a vossa língua não caiam na tentação de começar a falar com eles a outra, mesmo que eles vos respondam nesta e se eles forem mais crescidos promovam a interação com outras pessoas que falem português (farei um post mais geral com esta questão da bilingualidade).
Fiz com a Inês e farei com o Eduardo, embora as estratégias tenham que ser adaptadas uma vez que ele está a ter contato com o alemão antes de o português estar perfeitamente consolidado.

Adorei esta frase:
"A língua é a minha terra e para o bilingue a sua terra é o mundo."
escrita por António da Cunha Duarte Justo






sexta-feira, 5 de maio de 2017

Dentes de leite


Para que fique registado a minha filha de 5 anos e 8 meses perdeu o primeiro dentinho de leite no dia 1 de Maio (incisivo inferior).
Já se movimentava bastante e há duas semanas vi que tinha outro dente a aparecer atrás. Fiquei preocupada e marquei consulta no dentista mas, entretanto, caiu o dente de leite que deixou um espaço pequeno comparado com o tamanho do outro. Agora pergunto, a alguém que saiba ou que tenha passado por uma situação semelhante, será que o dente definitivo vai para o lugar dele?


 Já agora o Eduardo vai no sentido contrário e está neste momento com 14 dentes. Ainda lhe faltam 6  para a dentição de leite estar completa...