sábado, 20 de agosto de 2016
Todas as profissões têm momentos: momentos de conquista, tristeza, deceção, felicidade, alegria, ternura, surpresa, raiva, cansaço, fracasso, perda, entusiasmo, paciência mas existem momentos que nos marcam especialmente.
Uma manhã, estava na sala dos professores quando entra a Florinda (uma das directoras das turmas nas quais lecionava). Vinha com passo acelerado (como sempre) mas algo nos seus modos e feições estava diferente. Aproximei-me, questionei-a e a sua resposta foi paralisante e perturbadora. Logo o Gonçalo, aquele menino pequeno que tinha acabado de completar 13 anos, frágil e franzino, cabelo liso que lhe caia sobre a testa numa madeixa alinhada, olhos escuros e vivos, com perguntas inteligentes que revelavam uma mente brilhante, apesar de não o demonstrar nas notas.. Apeteceu-me abraça-lo e conforta-lo, protege-lo de tudo e todos, leva-lo para outra realidade onde continuasse a ser aquele menino doce e privilegiado, filho único e mimado de pais favorecidos pelo dinheiro e pela capacidade de amar incondicionalmente o seu descendente.
O pai do Gonçalo que o tinha deixado na escola às 8h15m e se despediu com o beijo habitual e fugaz (o filho não gostava que os colegas vissem estas demonstrações de carinho entre pai e filho) caiu inanimado no trabalho. Teve morte imediata e imediata foi também a condição de órfão de pai do Gonçalo. Este superou, é hoje um jovem feliz e alegre com 22 anos. Quanto a mim, já tive outros Gonçalos mas nenhum tão especial como aquele menino esperto e cheio de vida.
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Os meus queridos avós que tanto me acarinharam e amaram. É incrível perceber que passaram tantos anos sem os ver ou ouvir mas que continuam tão presentes na minha vida. Todos os dias penso neles e, nesses momentos, sou envolvida pela doçura da infância e pela leveza da meninice.
O meu avô, Sr. Eduardo Correia de Barros, tão digno e consciente, que deixou de fumar quando os filhos cresceram devido ao mau exemplo que temia dar e a minha avô, D. Zulmira Marques Fernandes, meiga e católica fervorosa, tão antiquada que nunca ninguém a convenceu a comer na sala (o homem é diferente até no vestir das calças- dizia), orfã de mãe e pai em tenra idade, não sabia ler nem escrever mas continha nela a mais profunda sabedoria de quem conhece a vida e as pessoas, sendo ela que, na sombra, dirigia a casa. Ele sempre inconformado, parecia nunca estar satisfeito com nada (mudou muitas vezes de ocupação), chegou a abrir um comércio em espinho, rígido com os filhos, introvertido, inteligente, extremamente poupado (sabia quanto lhe custou a mobília de quarto que comprou quando casou).
Adoro falar neles, ameniza a saudade que sinto no peito e a tristeza de não os ter fisicamente perto de mim. Viveram vidas longas e preenchidas, nasceram no principio do século XX e faleceram ela no final do mesmo e ele no principio do século XXI.
Não chegaram a ter telemóvel nem computador nem tampouco conheceram as maravilhas da internet, porém ficam aqui eternizadas as suas fotografias.
,domingo, 14 de agosto de 2016
A minha filha fez 5 anos no dia 3 de Agosto, meia década de vida ( como é possível ter passado tanto tempo e aquele bebé de 48 cm e 2980g é agora esta menina de 116cm e 19600g?!- brevemente um post sobre a evolução deles).
Como é uma altura de muito calor, já tinha pensado anteriormente em fazer a comemoração do aniversário ao ar livre e, devido à existência de água corrente, mesas com bancos e churrasqueira, escolhi um parque de merendas perto do rio.
Quando fui convidar os meus tios, eles ofereceram-se para me emprestar uma quinta nas imediações de Vila Real e eu aceitei. O espaço é muito agradável com uma vinha e uma casa que eles construiriam. Esta possui uma cozinha grande equipada, dois quartos, uma casa de banho, um alpendre generoso e uma churrasqueira.
Não tive muito trabalho na preparação, encomendei quase tudo, nomeadamente, rissóis de camarão e carne, bolinhos de bacalhau, croquetes, coxinhas, folhado de alheira e de queijo e fiambre, bola de carne, covilhetes (pastel salgado típico da zona feito à base de massa folhada e carne picada), miniaturas de bolos (bola de Berlim, natas, napoleão) e o bolo de aniversário (massa de noz recheada com creme de ovos). Comprei carne para grelhar (quase ninguém comeu), queijo, presunto, camarão, pão e batatas fritas. No dia antes, a minha irmã fez um pão de ló para a minha avó que tem 86 anos, eu fiz um bolo de coco e outro de chocolate. Não me preocupei muito com a decoração do espaço porque o local tem um ambiente um pouco rústico e não combinava muito com coisas delicadas.
Enchemos a piscina da Maria Inês, compramos uns walkie-talkies e um jogo de pescar com cana. Foi muito bom ver a família reunida e todos a conviver alegremente, ficando a faltar a música para alegrar ainda mais a festa. A aniversariante (o mais importante de tudo) brincou com uns primos da idade dela e andava muitíssimo divertida e feliz...
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
Enquanto navegava na Internet apercebi-me que a minha filha tem, na tonalidade dos olhos, uma alteração relativamente rara. E, quando fui ao espelho, vi que também a tenho, apesar de ter os olhos aparentemente castanhos. Vamos lá a ver de que se trata:
A heterocromia é um fenómeno que causa diferenças na cor dos olhos.
Existem três tipos de heterocromia, a central, a setorial, e a completa.
A heterocromia central acontece quando a íris possui dois ou mais círculos de cor em sua composição, como por exemplo, quando a pessoa possui olhos azuis, mas com um arco dourado externo ou perto da pupila. As pessoas que possuem esse tipo de heterocromia são chamados por alguns de “olhos de gato”.
A heterocromia setorial acontece quando a mesma íris possui duas cores diferentes, sendo que existe uma cor dominante e um toque de uma determinada segunda cor.
A heterocromia completa é quando os dois olhos possuem cores diferentes, como um olho verde e um castanho, por exemplo. Esse, talvez, seja o mais impressionante dos três tipos, pois causa mais estranheza e admiração.
Apesar de haver o componente genético envolvido, outros fatores podem causar a heterocromia, como a síndrome de Waardenburg ou lesões que causem a modificação da quantidade de melanina na retina.
A heterocromia é relativamente rara. Segundo dados de uma pesquisa feita nos Estados Unidos, estima-se que cerca de 11 pessoas em um quadro de amostras de 1000 pessoas são afetadas, o que não indica uma anomalia nem tem quaisquer consequências a nível de saúde. (informação retirada da internet)
Com a foto dos olhos da minha filha e a explicação, torna-se fácil identificar o tipo de heterocromia.
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