Os meus queridos avós que tanto me acarinharam e amaram. É incrível perceber que passaram tantos anos sem os ver ou ouvir mas que continuam tão presentes na minha vida. Todos os dias penso neles e, nesses momentos, sou envolvida pela doçura da infância e pela leveza da meninice.
O meu avô, Sr. Eduardo Correia de Barros, tão digno e consciente, que deixou de fumar quando os filhos cresceram devido ao mau exemplo que temia dar e a minha avô, D. Zulmira Marques Fernandes, meiga e católica fervorosa, tão antiquada que nunca ninguém a convenceu a comer na sala (o homem é diferente até no vestir das calças- dizia), orfã de mãe e pai em tenra idade, não sabia ler nem escrever mas continha nela a mais profunda sabedoria de quem conhece a vida e as pessoas, sendo ela que, na sombra, dirigia a casa. Ele sempre inconformado, parecia nunca estar satisfeito com nada (mudou muitas vezes de ocupação), chegou a abrir um comércio em espinho, rígido com os filhos, introvertido, inteligente, extremamente poupado (sabia quanto lhe custou a mobília de quarto que comprou quando casou).
Adoro falar neles, ameniza a saudade que sinto no peito e a tristeza de não os ter fisicamente perto de mim. Viveram vidas longas e preenchidas, nasceram no principio do século XX e faleceram ela no final do mesmo e ele no principio do século XXI.
Não chegaram a ter telemóvel nem computador nem tampouco conheceram as maravilhas da internet, porém ficam aqui eternizadas as suas fotografias.
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