quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Esta semana fomos ao pediatra com a Maria Inês à consulta dos 4 anos, o U8 como eles chamam aqui. Antes da consulta propriamente dita, a enfermeira/rececionista faz, além da medição da altura, do perímetro cefálico, do peso e da tensão, um teste auditivo, visual e de algumas competências. Ela tinha que desenhar algumas figuras geométricas e a figura humana, fazer um traço orientado, uma torre e encaixar alguns sólidos de várias formas num cubo. Foi muito complicado por causa da língua e o teste auditivo ficou mesmo por fazer. Apesar de a incentivarmos e a ajudarmos, ela acabou mesmo por chorar.
O pediatra foi muito compreensivo e contou-nos a sua história pessoal (o que é muito raro nos alemães): os pais emigraram da Alemanha para a Bélgica, também ele frequentou uma escola onde todos falavam uma língua diferente. Mas o mais preocupante foi quando ele disse que os pais tiveram que o mudar para uma escola alemã e que a bélgica nunca foi a sua casa.
Na questão da alimentação, disse-nos que provavelmente ela não come na escola como uma forma de protesto por andar numa escola onde todos falam uma língua diferente. Ouvir isto fez-me ficar triste e pensar em tudo o que a nossa menina teve de enfrentar e que nada disto tem sido fácil para ela: mudar de casa, ficar sem o contato diário com a família alargada que a acarinhava tanto, ir para uma escola onde ela não consegue comunicar por palavras (logo ela que adora falar) e, mais recentemente, o nascimento do irmão. Não é de estranhar a sua teimosia e, mesmo esta característica, pode ser contornada e torna-se uma alegria conviver com uma menina que anda sempre a cantar e a saltitar.
Por nossa parte, demos-lhe um irmão que, segundo disse o pediatra, será um amparo aqui para ela, outra criança com quem poderá partilhar inúmeras brincadeiras na sua própria língua. Mais do que isso, explicamos-lhe que irá aprender o alemão, transmitimos-lhe segurança e fornecemos-lhe um ambiente estável e afetuoso, rodeando-a de amor, atenção e carinho. Vou ali dar mais uns beijinhos e abracinhos à minha filhota, dizer-lhe o quanto a amo (coisa que faço questão de fazer todos os dias desde que nasceu) e fazer-lhe um ataque de cocegas surpresa…


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