Esta semana fomos ao pediatra com a Maria Inês à consulta dos 4 anos, o U8 como eles chamam aqui. Antes da consulta
propriamente dita, a enfermeira/rececionista faz, além da medição da altura, do
perímetro cefálico, do peso e da tensão, um teste auditivo, visual e de algumas
competências. Ela tinha que desenhar algumas figuras geométricas e a figura
humana, fazer um traço orientado, uma torre e encaixar alguns sólidos de várias
formas num cubo. Foi muito complicado por causa da língua e o teste auditivo
ficou mesmo por fazer. Apesar de a incentivarmos e a ajudarmos, ela acabou
mesmo por chorar.
O pediatra foi muito compreensivo e contou-nos a
sua história pessoal (o que é muito raro nos alemães): os pais emigraram da
Alemanha para a Bélgica, também ele frequentou uma escola onde todos falavam
uma língua diferente. Mas o mais preocupante foi quando ele disse que os pais
tiveram que o mudar para uma escola alemã e que a bélgica nunca foi a sua casa.
Na questão da alimentação, disse-nos que
provavelmente ela não come na escola como uma forma de protesto por andar numa
escola onde todos falam uma língua diferente. Ouvir isto fez-me ficar triste e
pensar em tudo o que a nossa menina teve de enfrentar e que nada disto tem sido
fácil para ela: mudar de casa, ficar sem o contato diário com a família
alargada que a acarinhava tanto, ir para uma escola onde ela não consegue
comunicar por palavras (logo ela que adora falar) e, mais recentemente, o
nascimento do irmão. Não é de estranhar a sua teimosia e, mesmo esta
característica, pode ser contornada e torna-se uma alegria conviver com uma
menina que anda sempre a cantar e a saltitar.
Por nossa parte, demos-lhe um irmão que, segundo
disse o pediatra, será um amparo aqui para ela, outra criança com quem poderá
partilhar inúmeras brincadeiras na sua própria língua. Mais do que isso, explicamos-lhe
que irá aprender o alemão, transmitimos-lhe segurança e fornecemos-lhe um
ambiente estável e afetuoso, rodeando-a de amor, atenção e carinho. Vou ali dar
mais uns beijinhos e abracinhos à minha filhota, dizer-lhe o quanto a amo
(coisa que faço questão de fazer todos os dias desde que nasceu) e fazer-lhe um
ataque de cocegas surpresa…
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