Pergunta difícil
Sou a mãe que acha que a verdade deve prevalecer, dizer já venho quando sei que vou demorar ou o pai vai ter connosco quando sei que ele fica não é para mim. Antes prefiro dizer vou mas volto sempre para te buscar ou o pai fica porque tem que trabalhar.
A pergunta de hoje foi de uma grande simplicidade e de uma fácil resposta mas foi também a pergunta mais difícil que já me fez.
Transportou-me no tempo até aos meus 7 anos. Ia para a funerária que ficava perto da casa dos meus avós (que era também a minha) e ficava do outro lado da rua, receosa. Depois, curiosa, atravessava a rua e via na porta os papéis com aquelas fotografias, as cruzes e as esculturas que representavam pessoas com umas caras de dor iguais às da igreja e as conversas com a minha mãe em que quanto mais ela me respondia mais perguntas eu fazia e mais confusa eu ficava. De repente, fez-se luz ou melhor trevas e compreendi tudo! O que eu chorei nessa altura...
Defronte de mim, continuava a minha menina com uns olhinhos inquisitórios à espera de uma resposta.
-Também vou morrer mãe?
A indecisão entre dizer-te uma verdade inegável ou sossegar o teu coraçãozinho, entre escapar daquele momento com uma resposta vaga ou enfrenta-lo com naturalidade e sem dramatismos.
Meu amor, gostava de te proteger do mundo e da vida e de tudo o que sei que te vai magoar... O rumo da vida e aquelas certezas que são inevitáveis como crescer e tomar consciência de tantas coisas duras... Sou tua mãe, é meu dever dizer-te a verdade, suavizando mas nunca ocultando ou, pior, mentindo.
Por isso, respondi-te que sim mas daqui por muito, muito tempo, assim como as plantas ou os outros animais e todos os outros seres vivos que nascem, crescem e morrem (já lhe tinha falado desse conceito). Paraste um pouco e pediste (eu esperava uma deixa para te abraçar e te consolar):
- Não vamos falar mais disto senão fico triste!!!
E logo a seguir determinada e sorridente convidaste-me:
- Vamos brincar, mãe!
A pergunta de hoje foi de uma grande simplicidade e de uma fácil resposta mas foi também a pergunta mais difícil que já me fez.
Transportou-me no tempo até aos meus 7 anos. Ia para a funerária que ficava perto da casa dos meus avós (que era também a minha) e ficava do outro lado da rua, receosa. Depois, curiosa, atravessava a rua e via na porta os papéis com aquelas fotografias, as cruzes e as esculturas que representavam pessoas com umas caras de dor iguais às da igreja e as conversas com a minha mãe em que quanto mais ela me respondia mais perguntas eu fazia e mais confusa eu ficava. De repente, fez-se luz ou melhor trevas e compreendi tudo! O que eu chorei nessa altura...
Defronte de mim, continuava a minha menina com uns olhinhos inquisitórios à espera de uma resposta.
-Também vou morrer mãe?
A indecisão entre dizer-te uma verdade inegável ou sossegar o teu coraçãozinho, entre escapar daquele momento com uma resposta vaga ou enfrenta-lo com naturalidade e sem dramatismos.
Meu amor, gostava de te proteger do mundo e da vida e de tudo o que sei que te vai magoar... O rumo da vida e aquelas certezas que são inevitáveis como crescer e tomar consciência de tantas coisas duras... Sou tua mãe, é meu dever dizer-te a verdade, suavizando mas nunca ocultando ou, pior, mentindo.
Por isso, respondi-te que sim mas daqui por muito, muito tempo, assim como as plantas ou os outros animais e todos os outros seres vivos que nascem, crescem e morrem (já lhe tinha falado desse conceito). Paraste um pouco e pediste (eu esperava uma deixa para te abraçar e te consolar):
- Não vamos falar mais disto senão fico triste!!!
E logo a seguir determinada e sorridente convidaste-me:
- Vamos brincar, mãe!