sábado, 28 de maio de 2016

 Conversa ontem através do Skype:

mãe- Hoje o Ricardo disse que o Frederik quer casar com a Maria Inês.
pai- Quem é o frederik? Onde mora ele? O que faz na vida? Qual é o cadastro? O que fazem os pais, avós, bisavós e tetravós dele? Onde é que esse gajo pendura o pote? Onde está a caçadeira do teu pai? Porque lhe disseste que eu não a queria?


Calma, pai! A Maria Inês e o Frederik só têm 5 anos. Nem quero imaginar as perguntas quando ela tiver 14.
Aviso já candidatos ao lugar de nosso futuro genro preparem-se: ela é linda mas o pai é muito mauzão.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Pedimos a ligação da Internet e demoraram 2 semanas a agendar a visita. O técnico que cá veio precisou de ir à cave do prédio onde está o armário de telecomunicações mas o Hausmeister (espécie de encarregado do prédio que resolve os problemas técnicos e tem o acesso a essas areas) não soube dizer onde estava o tal armário. De novo, foi agendada uma visita e, desta vez, o técnico não encontrou o cabo do sinal da internet (não procurou com muita vontade). Reclamamos para a administração do prédio e foi-nos respondido que o apartamento não tinha linha do telefone, impossibilitando este tipo de ligação.
A empresa de telecomunicações contactou-nos para informar que tinha contratado outra empresa para fazer a ligação. Veio outro técnico que procurou (desta vez com vontade) os cabos certos e encontrou-os mas apenas fez o encaminhamento do cabo até ao quadro repartidor, ficando a faltar a "cravemento" no mesmo.
Mais duas semanas à espera por outra marcação e, finalmente a ligação foi feita no dia 9 de Maio. Foram quase 2 meses à espera do sinal da internet. os meus novos vizinhos não tiveram a mesma sorte: a técnica que cá veio não soube fazer a ligação até que, fartos de esperar, cancelaram o serviço. Este caso serve para mostrar que os alemães não são tão eficazes e competentes como dizem. Eles sabem fazer aquela tarefe especifica mas se o serviço requerer alguma plasticidade mental, não são capazes. Estão formatados para aquilo e se as condições mudarem um pouco já é uma confusão e não vão para além daquilo que estão habituados. Nas compras, uma alteração nos trocos é impensável.
Os portugueses são diferentes, tentam ajudar, fazem o máximo (por vezes, tanto tentam que fazem asneiras). Por contraposição ao alemão, o povo português é o povo do desenrasque, do improviso, da boa vontade...

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Voltamos da Polónia. Fomos no Sabado e regressamos na Segunda. A cidade de Breslavia/Wroclaw é linda com muitas muitas igrejas. Deu para perceber que o povo polaco é muito religioso (estava a decorrer a missa na catedral que estava apinhada de gente no seu interior, tinha um altifalante e na salinha de acesso à catedral estavam várias pessoas de joelhos). 
Compras fiz muito poucas porque no domingo as lojas e shoppings estiveram fechadas, o que pelos vistos não é habitual (este domingo celebrava-se um dia importante para a igreja católica). Os produtos, principalmente na restauração, são muito baratos, a roupa de bebé e criança e os objetos de puericultura também são baratos  (para quem estiver grávida do primeiro filho e precisar de tudo, compensa vir de Berlim).
Foi fácil trocar dinheiro nas lojinhas Kantor que existiam em todo o lado (o câmbio é mais vantajoso nas lojas perto da fronteira). 
A língua é indecifrável, as próprias letras um pouco diferentes com assentos esquisitos. Ouvi cantar em Português na maior praça de Breslau, estava a decorrer uma demonstração de capoeira.
As polacas são lindas, parecem bonequinhas de porcelana, muito maquilhadas, vestindo de uma forma muito feminina com mini-saias e saltos altos.
O apartamento ficava numa zona residencial num prédio velho mas todo remodelado por dentro. Tinha pormenores de decoração muito interessantes (tirei fotografias mas perdi todas elas), muitas recordações de viagens e objetos antigos. A proprietária deixou todas as suas coisas (até uma Bimby) e, no fim, nem quis ver a casa. Ela foi muito simpática e prestável, assim como todos que encontramos (questionei uma senhora na rua devido aos shopping's estarem fechados no domingo e no horario de funcionamento dizer o contrario e ela andou a perguntar a quem passava se me podia esclarecer, uma vez que ela não falava Inglês nem Alemão) e disse-me que os checos são simpáticos mas os habitantes de Praga são especiais. Pela minha experiência em Lisboa e Berlim, começo a achar que nas capitais as pessoas são diferentes mas para o lado negativo. 
As partes menos boas da viagem é a perda da chupeta do Eduardinho e nessa noite (não deu para comprar outra, foi no domingo) custou-lhe a adormecer mas, após isso dormiu sossegado a noite toda e o tempo que foi curto para vermos tudo.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Pedi conselho a uma amiga polaca sobre cidades do seu país onde fosse agradável e barato comprar e passear. Ela falou-me na cidade Breslávia/Wroclaw mas, como fica a 350 km de Berlim, torna-se impraticável visita-la num só dia.
 Então resolvemos passar lá o próximo fim de semana prolongado. Mais uma vez alugamos casa  mas desta vez no site Airbnb, o qual muito recomendo: um apartamento com 2 quartos na cidade muito vintage e bem decorado que, ainda só conheço por fotografia. Vai custar 150 euros, já com despesas incluídas, por duas noites.
A moeda é o zloty e precisamos de 4,42 zloty para ter um euro e a circulação nas auto-estradas polacas é gratis.
Estou a preparar tudo, as muitas coisinhas que preciso levar...

domingo, 8 de maio de 2016

Escrevo estas linhas de pés descalços sentada numa manta no chão. À minha volta grupos de pessoas desfrutam o ar livre, o domingo solarengo em Berlim. Dum lado um grupo de jovens em que domina o italiano, doutro um conjunto de adultos com crianças em que se ouve uma mescla de espanhol e alemão. Ao fundo, um aglomerado de mulheres com o cabelo coberto, outras literalmente de olhos em bico e outras de cabelos dourados destapadas a aproveitarem os raios deste sol quente de Maio. Uns jogam animadamente com uma bola, outros conversam despreocupados, outros praticam uma arte marcial qualquer, outros (como eu) usufruem a paz deste lugar barulhento. Quase todos grelham (estamos na parte do parque autorizada para esse efeito) mas uns têm grelhadores sofisticados e brilhante, outros simples e normais e até há quem use dos descartáveis e uns grelham salsichas e tiras da barriga, outros  tudo menos porco e outros apenas legumes. Há quem beba cerveja ou vinho, refrigerantes ou só bebidas naturais. 
Reparo num homem a caminhar sozinho e percebo que pede, por gestos, um isqueiro ou fósforos a alguém do grupo vizinho que, num gesto simpático, lhe passa o isqueiro.
Pessoas passam: famílias monoparentais, famílias numerosas, interraciais ou com casais do mesmo sexo, pessoas sozinhas passeiam cães, correm ou andam de bicicleta. Algumas caminham muito bem arranjadas, envergam fatos domingueiros, outras roupas casuais e há quem vista confortáveis fatos de treino. Uns calvos, por opção ou não, outros penteado risca ao lado e alguns possuem cabelos longos. Há quem exiba na pele queimada pelo sol ou branca como marfim tatuagens, cicatrizes ou perciengs.
Chamam-me atenção as crianças (entre elas a minha filha) que brincam ruidosamente, algumas  com traços tipicamente alemães, noutras predominam os espanhóis e outras misturam-os de uma forma surpreendente mas todas se entendem num alemão, portunhol improvisado. Eu despudoradamente amamento o meu filho enquanto ao meu lado passam homens árabes que não olham nem comentam.
Respiro fundo, o ar entra para me apaziguar e entorpecer os sentidos, quero absorver toda esta atmosfera, este clima que reina aqui. Respiro mais uma vez, profunda e pausadamente, e fecho os olhos. 
O Homem é capaz do melhor e do pior. Assim como todas as pessoas encerram em si um monstro e um anjo. Não acredito em bondades e maldades totais. Acredito no Homem com tudo que essa palavra carrega e na capacidade de redimir, mudar, reinventar, transfigurar, alterar, transformar. Sim, é possível. É possível transformar o horror, a guerra, a morte, o ódio, a vingança em Tolerância, Respeito, Generosidade, Fraternidade, União, Solidariedade... 
Sou levada de volta ao espaço físico onde me encontro. Continuo em Berlim, no melhor de Berlim...  

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Não resisti a partilhar estas páginas do folheto dum conhecido supermercado alusivas ao dia do pai e da mãe.




Não há roupa, porta chaves ou equipamentos electrónicos, apenas carne e cerveja. Haverá melhor presente para um pai, no seu perfeito juízo, do que uma grade de fresquinhas e uma salsicha para grelhar?  (não se espantem, crianças, se à noite o pai vos trocar o nome).
No próximo ano, bora fazer uma petição para uns volumes de tabaco a um preço simpático.
Para a melhor mãe só o melhor: as típicas flores, conjunto de produtos dessa fantástica marca Dove   e também garrafas de bebidas alcoólicas (crianças, depois não digam que eu não vos avisei).
Que discriminação de género, para os pais grades de cerveja e para as mães uma modesta garrafa de sekt de 99 cêntimos. Compreendo, alguém tem de manter a sobriedade lá em casa.
Tudo útil e baratucho, no máximo 10 euros. São práticos estes alemães...