Quando chegou a dizer que o único amigo português aqui lhe disse que não queria brincar com ela, nem estar perto dela, eu, apanhada de surpresa, respondi-lhe que ele deveria estar a brincar. Ela, sentida, disse-me:
-Ele esteve sempre a afastar-se de mim! Oh, mãe, porquê é que ele fez aquilo?
Virou costas e foi para o quarto chorar revoltada. Os seus olhitos claros transpareciam a dor da prineira rejeição, a desilusão de ter saído entusiasmada para brincar e não ter brincado nada. Abracei-a demoradamente, fui deitar o irmão para a sesta da tarde e depois tive uma conversa com ela: expliquei-lhe que, por vezes, as crianças não querem brincar, que ela não fez nada de mal, que é uma menina querida e que se ele não quer brincar ele é que perde.
Ela ficou mais animada e, à noite, quando contou ao pai (tenho que insistir com ela que é muito introvertida) acabou dizendo:
-Ele é que perde, pai.Ela ficou mais animada e, à noite, quando contou ao pai (tenho que insistir com ela que é muito introvertida) acabou dizendo:
Sei que isto acontece a todos, que foi uma brincadeira de criança, que será muito mais magoada e rejeitada na vida e que é importante para o seu crescimento mas queria ter o poder para adiar certas coisas, para prolongar a criança inocente que há nela e suavizar o enfrentar de certos sentimentos. Conforta-la, tentar dizer as palavras certas, prepara-la para o futuro, estimulando a sua auto estima são as minhas funções.
Aqui vão as minhas palavras para ti:
MINHA FILHA, NUNCA TE ESQUEÇAS QUE ÉS PRECIOSA, TENS UMA VOZ INTERIOR QUE MERECE SER OUVIDA E RESPEITADA, ESPECIALMENTE POR TI MESMA, NÃO A IGNORES OU SILENCIES, NÃO MUDES PARA AGRADAR OU SER ACEITE POR NINGUÉM E LEMBRA-TE ELE(S) É QUE PERDE(M).
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