Adoro amamentar. Cada vez que o faço, e faço-o muitas vezes, sou atingida por uma paz e calma imensas, por vezes, quase adormeço. Quando estou a amamentar, o mundo para, sou só eu e o meu filho. Se ainda por cima o meu leite é o melhor alimento para ele: é ouro sobre azul. Ele tem o melhor e eu guardarei para sempre os momentos em que, sozinhos em casa, o alimentava e lhe supria a necessidade mais básica. Compreendo quem não o queira ou não o possa fazer e não julgo ninguém mas para mim é algo natural: é só deixar o nosso instinto de mamíferas vir ao de cima e não ouvir nada, apenas prestar atenção ao nosso bebé.
Nunca tive pudor em amamentar em público ou defronte de quem quer que seja mas aqui normalmente procuro o local mais recatado e longe dos olhares. Estes são frequentes. Numa cidade com tantos bebés é quase certo ver mulheres a dar o biberão mas amamentar é muito, muito raro. Sou olhada como uma ave estranha por fazer algo que a OMS considera de longe o mais saudável para os bebés. Apetece-me gritar a plenos pulmões: Sou uma mamã vaquinha e muito orgulhosa... Posso ser estrangeira, posso vir de um pais mais pobre mas neste aspeto estou muito à vossa frente.
Vamos aos meus números, (os das estatisticas não os conheço), o Eduardinho pesa com 2 meses 4450g. Não resistir em ir ver quanto pesava a irmã e verifiquei que era 4840g. Um pouco mais mas que parece muito, olhando as fotos, porque ela era menos comprida (também ela foi amamentada em exclusivo por leite materno). Os filhos não se comparam. Eu cai na asneira de os comparar mas é um erro. temos de os aceitar como seres únicos e individuais. Para mim, o bom da maternidade também é isso, essa descoberta do outro, esse conhecimento mutuo, essa surpresa constante que vai acontecendo à medida que eles crescem. Qual seria a piada de ter filhos todos iguais?
O Eduardinho sempre fez birras para dormir e quanto maior o sono, maiores as birras. Mas eu não sabia disto e quando ele chorava desconsolado e rejeitava a mama (isto acontece mais frequentemente ao fim da tarde/inicio da noite), eu ficava desesperada e pensava que seria por ter pouco leite. Penso ser a insegurança de todas as mães: estarei a alimentar o meu filho convenientemente? Comprei o leite e dei-lho mas fui percebendo que era sono e não fome que ele tinha, eu bastava-lhe...
O pediatra disse que ele aumenta lentamente de peso e aconselhou-me a tentar dar-lhe o leite artificial mas que, para eles aceitarem o suplemento, deveria insistir mas porque insistir em algo que está provado não é o melhor para eles? O meu bebé está lindo, sorridente, atento, hidratado, bem disposto, comunicativo. Tem tempo para ficar uma bolinha...
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