Palavras que escrevi num papel no dia 22 de Março de 2020, horas antes de ser levada de ambulância para o hospital devido a uma crise de ansiedade:
Toda eu tremo, levada por um medo irracional. Medo de perder entes queridos, medo de perder a minha vida tão feliz, medo do colapso de uma sociedade tão frágil. O medo é irracional
Eu qu sempre disse, sê racional,pensa nas coisas boas que tens, agradece a tua vida e mesmo que ela acabe agora, tu foste feliz, valeu a pena teres estado aqui
Agradece estas papas de aveia aquecidas que te confortam o estômago
Agradece os teus filhos, tão queridos e meios, que te abraçam vezes sem conta
Agradece o teu marido que para te acalmar passou a noite acordado
Agradece esta casa, este teto em cima da tua cabeça
Agradece a tua família lá longe que te quer bem´
Tens tanto que agradecer e, no entanto, este cérebro maluco teima em pensar em coisas más, em catástrofes, em hacatombes improváveis de acontecer
Susana e o seu cerebrozinho, pensavas que eras forte e dizias eu não me deixo abalar e cá estou eu, cheia de ansiedade por uma coisa que eu não posso controlar nem tão pouco combater
Fico em casa, sigo as indicações, tento manter-me mentalmente sã mas não é fácil porque o meu cérebro está a pregar-me partidas
O que fazer para ficar calma?
O que fazer para dormir de noite?
O que pensar?
Como poder acalmar a mente para dar descanso ao corpo?
Gostava de saber...
Entrego, confio, aceito, agradeço (escrevi 12x estas palavras)
Transcrevi este texto para me lembrar como estive (1ª vez que tomei medicação para doença mental), como a nossa sáude é tão frágil e para agradecer o agora em que estou bem.