Passeio de domingo
Tudo isto começou num domingo de Agosto em que decidimos não ficar em casa a ver um filme.
Estávamos fartos do confinamento mas mesmo assim não queriamos ir para um sítio cheio de gente. Andei a pesquisar e a cidade Wittenberg chamou-me a atenção: a 111 km de Berlim, uma cidade pequena com cerca de 50 mil habitantes. Chegados lá, deparamo-nos com nada mais nada menos que a cidade onde viveu Martinho Lutero, a partir de 1511 durante 38 anos. Ouvi nas aulas de História (onde já vão elas) que Lutero foi o fundador da reforma protestante e nada mais mas naquele dia fomos levados ocasionalmente a mergulhar no assunto.
Lutero foi um monge agostinho que em 1517 (fez 500 anos em 2017 e foi feriado na alemanha inteira no dia 31 de Outubro) pregou as 95 teses onde se insurgia contra a indulgência (perdão de pecados) dada pelo papa a quem doasse qualquer quantia para a reforma da Basílica de São Pedro. Ele considerava um abuso a avareza da Igreja e pedia um debate sobre o que as indulgências significavam. Como um dos motores económicos da cidade era e é a impressão de livros e escritos, as suas 95 teses foram espalhadas por toda a Alemanha e posteriormente por toda a Europa. Estudantes e grandes estudiosos dirigiram-se a Wittenberg e à sua célebre universidade e Lutero desenvolveu as suas doutrinas mais a fundo. Depois de muitas peripécias, ele foi excomungado pelo papa. Mais tarde, Lutero contraiu matrimónio com Catarina von Bora (uma ex-freira) e tiveram 6 filhos, incentivando outros padres e freiras que abraçaram a reforma protestante a fazer o mesmo, o que ocasionou o rompimento definitivo com a Igreja Romana. Há também a destacar duas importantes personalidades que estiveram ao lado de Martinho Lutero: Phillip Melanchton, um professor de grego na universidade que ajudou Lutero a traduzir a Biblia sagrada para o alemão, o que era proibido sem autorização eclesiástica e Lucas Cranach, um artista da reforma protestante que pintou várias figuras de relevo e as igrejas protestantes.
Tudo isto aprendemos num domingo de Agosto em que decidimos não ficar em casa a ver um filme.