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sábado, 19 de setembro de 2020

Passeio de domingo

 Tudo isto começou num domingo de Agosto em que decidimos não ficar em casa a ver um filme.

 Estávamos fartos do confinamento mas mesmo assim não queriamos ir para um sítio cheio de gente. Andei a pesquisar e a cidade Wittenberg chamou-me a atenção: a 111 km de Berlim, uma cidade pequena com cerca de 50 mil habitantes. Chegados lá, deparamo-nos com nada mais nada menos que a cidade onde viveu Martinho Lutero, a partir de 1511 durante 38 anos. Ouvi nas aulas de História (onde já vão elas) que Lutero foi o fundador da reforma protestante e nada mais mas naquele dia fomos levados ocasionalmente a mergulhar no assunto. 

Lutero foi um monge agostinho que em 1517 (fez 500 anos em 2017 e foi feriado na alemanha inteira no dia 31 de Outubro) pregou as 95 teses onde se insurgia contra a indulgência (perdão de pecados) dada pelo papa a quem doasse qualquer quantia para a reforma da Basílica de São Pedro. Ele considerava um abuso a avareza da Igreja e pedia um debate sobre o que as indulgências significavam. Como um dos motores económicos da cidade era e é a impressão de livros e escritos, as suas 95 teses foram espalhadas por toda a Alemanha e posteriormente por toda a Europa.  Estudantes e grandes estudiosos dirigiram-se a Wittenberg e à sua célebre universidade e Lutero desenvolveu as suas doutrinas mais a fundo. Depois de muitas peripécias, ele foi excomungado pelo papa. Mais tarde, Lutero contraiu matrimónio com Catarina von Bora (uma ex-freira) e tiveram 6 filhos, incentivando outros padres e freiras que abraçaram a reforma protestante a fazer o mesmo, o que ocasionou o rompimento definitivo com a Igreja Romana. Há também a destacar duas importantes personalidades que estiveram ao lado de Martinho Lutero: Phillip Melanchton, um professor de grego na universidade que ajudou Lutero a traduzir a Biblia sagrada para o alemão, o que era proibido sem autorização eclesiástica e Lucas Cranach, um artista da reforma protestante que pintou várias figuras de relevo e as igrejas protestantes. 

Tudo isto aprendemos num domingo de Agosto em que decidimos não ficar em casa a ver um filme.



















sexta-feira, 27 de abril de 2018

Teste do suor


Fui com o meu filho fazer o schweisstest (clique aqui). Eu sabia que schwitzen era suar mas não associei schweiss a transpiração, suor e, por isso, julgava que era para detetar asma e alergias mas recolheram-lhe suor com uma espécie de uma medalhinha que tinha um tubo fininho enrolado (tive que andar a caminhar com ele no corredor e com o casaco vestido) e mandaram-me embora. Vim intrigada e questionava-me sobre qual seria a relação entre o suor e as bronquites que o meu filho tem tido.
O Eduardo adormeceu no carro durante o caminho longo entre casa e hospital e eu fiquei com ele no parque de estacionamento para que ele fizesse a sua sesta descansado. Fui ao telemóvel e percebi o porquê daquele teste. 

Os médicos suspeitam de fibrose quística que é uma doença genética muito grave associada a problemas nutricionais e intestinais, caraterizada por uma produção defeituosa dos mucos. Os sintomas são:
- tosse persistente
-tendência para infeções respiratórias como pneumonia ou bronquite
-sinusite
-perturbações intestinais
-perda de peso (crescimento lento)
-muita sudorese e com sabor salgado 
-problemas de fertilidade.
É uma doença que não tem cura mas se tratada convenientemente garante uma boa qualidade de vida aos doentes, tendo esta, no entanto, tendência a ser mais curta (esperança média de vida 40 anos). 

Eles associaram o fato do meu filho estar num percentil baixo na altura e peso com as bronquites e mandaram fazer o teste. São muito cuidadosos e não se poupam a esforços, económicos e outros, para garantir que as crianças têm os melhores cuidados de saúde. É já a terceira vez que o meu filho faz exames por ser demasiado pequeno e magro (já suspeitaram de alergias alimentares e de outras doenças metabólicas) e sempre deram negativo.
Quando o medimos no pediatra, ele nem aparece no gráfico dos percentis!!! Eu digo ao pediatra, que deve medir 2 metros e pesar quase 100kg, que os portugueses não podem ser comparados aos alemães, que a família do meu filho é toda para o baixo e magro e que ele é saudável (tirando as bronquites), inteligente e ativo. Nós não somos caso único, conheço outras duas mães portuguesas que, quando iam ao pediatra, também vinham de lá muito aflitas.

Quanto à doença acima, confio que o teste será negativo e que tudo não passa de mais uma preocupação do pediatra (o que devo referir: acho muito bem).


PS- O meu filho mede 92cm e pesa 12kg500g. Será assim tão baixo e magro para um português de gema?


domingo, 16 de junho de 2013


A mudança

A decisão de virmos para Berlim foi tomada em conjunto, as razões várias e as motivações de inúmeras naturezas. Ao contrário de muitas pessoas que, infelizmente, se veem com
 dívidas ou sem meios de pagar as contas, os nossos motivos prenderam-se com encontrar a esperança no futuro, que já falta em Portugal. Não podemos negar que os ordenados são melhores e as oportunidades maiores mas a grande procura é o equilíbrio e a estabilidade que tanto ansiamos. Vamos ver como (n)os conseguiremos (re)encontrar aqui nesta cidade…