sábado, 18 de novembro de 2017

São Martinho na Alemanha


Todos conhecem a história de S. Martinho mas o que provavelmente não sabem é que ele nasceu na área que hoje pertence à Hungria e que com 15 anos já lutava no exército romano. Por volta dessa altura, ele teve o ato caridoso de dividir a sua capa com um pedinte que, doutra forma teria morrido de frio. Nessa mesma noite, ele sonhou que o pedinte era Jesus Cristo que lhe falou e lhe agradeceu a sua boa ação. Depois deste acontecimento, S. Martinho abandonou a vida militar, foi batizado e passou a professar e divulgar a fé católica.
Mais tarde, as pessoas da cidade de Tours (atualmente França) queriam que ele fosse o seu bispo mas o modesto S. Martinho achava que não merecia tal honra e escondeu-se perto dos animais. Diz-se que os gansos fizeram tanto barulho que o denunciaram e, consequentemente, ele tornou-se bispo de Tours e o ganso teve que  pagar, comendo-se desde então assado no dia de S. Martinho. Outra explicação é que os gansos entraram na igreja e com o seu ruidoso grasnar interromperam o sermão do recém eleito bispo e foram assados como castigo. Outra tradição que explica o ganso de s. Martinho tem a ver com a agricultura. O dia 11 de Novembro era o dia do pagamento das rendas aos proprietários das terras, que era quase sempre feito em géneros, tais como, gansos que estavam nesta altura prontos para serem mortos e assados.
S. Martinho foi bispo durante 30 anos, levou uma vida livre de prazeres e conforto material e dizem ter feito muitos milagres. Morreu no dia 8 e foi sepultado no dia 11 de Novembro e, posteriormente canonizado pelo papa. Tornou-se o padroeiro de várias profisoes, nomeadamente, soldados, cavaleiros, produtores de vinho e também o santo dos mendigos.


Outra tradição desta época é a Procissão de lanternas (Laternen Umzug). No dia 11 de Novembro, as crianças percorrem as ruas com as suas lanternas coloridas e brilhantes. Estas são de papel, têm formas e decorações diferentes e possuem uma vara com uma luz led na ponta (Laternenstab).
Desde sempre, a luz teve um signficado especial para os cristãos. Ao contrário das trevas que simbolizam o diabo e o mal, a luz  representa Deus e a santidade de Cristo. Por isso, faziam-se procissões de luz que ocorriam na noite antes dos grandes festivais e, por outro lado, substituiam os grandes fogos (remanescências do festival pré-cristão de ação de graças) que na altura eram muito criticados pelas casas serem feitas de madeira.  Por volta do séc. XIX surgiu a ideia de dar as crianças lanternas e em alguns locais da Alemanha retrata-se a história de S. Martinho. No início da procissão vai um homem num cavalo que representa o soldado romano e, no fim o mesmo corta a capa ao meio e dá-a ao mendigo, inspirando-se no ato generoso de S. Martinho.

Além do ganso de S.Martinho e o desfile de lanternas existem ainda os cânticos de S.Martinho. As crianças vão de porta em porta e recebem bolos e guloseimas. Levam também as lanternas com eles. Isto é mais comum no oeste da Alemanha, na  zona conhecida por Rhineland. Esta tradição tem as suas raizes na época das colheitas e no fato das crianças pobres aproveitarem ser a altura que os agricultores tinham os armazéns cheios de produtos para pedir.

O dia deste santo é comemorado em toda a Europa mas os historiadores encontram ligações muito especiais deste dia com os costumes alemães. O S. Martinho também se comemora desta forma na Aústria, Suiça e no sul do Tirol.



terça-feira, 7 de novembro de 2017

Parque Vitória em Berlim

O Viktoriapark é um parque urbano onde predomina o canto dos pássaros e o contacto com a natureza, de tal modo que esquecemos que estamos em Berlim.

História


O arquiteto Schinkel criou um monumento neo-gótico de ferro que pretendia lembrar da campanha vitoriosa sobre Napoleão Bonaparte, o Neoclassical National Denkmal für die Befreiungskrieg. Este foi colocado no topo da rebatizada na altura Kreuzberg (montanha da cruz- o ponto natural mais alto no centro de Berlin com 66 m- agora toda aquela zona se chama assim) e, durante algum tempo, não podia ser construído nenhum edifício que se sobrepusesse às vistas do monumento. Mais tarde, foi decidida a criação de um parque ao seu redor que foi chamado Viktoriapark, em honra da princesa de Inglaterra e consorte da Prússia e Alemanha (mulher do Kaiser Friedrich III). Foi construida uma linda cascata que começa nos pés do memorial e acaba na Kreuzbergstrasse inspirada nas quedas de água das Riesengebirge. O parque foi também adornado com belas estátuas.


Atualidade


O parque Vitória é um "pequeno" (12,8 ha) e romântico parque caraterizado pelo memorial nacional na sua parte central, mais alta (de baixo parece mesmo uma igreja com a cruz no topo) e por uma espetacular cascata bombeada artificialmente (só funciona na Primavera e Verão) mas que tem um aspeto natural, pitoresco e até selvagem com grandes rochas dispostas aleatoriamente. 
O Bier garten, Golgatha, é um bar durante o dia e transforma-se numa discoteca, onde pode relaxar, beber uma bebida ou dançar. 
Tem também 2 pequenas vinhas (em tempos idos, Berlim foi uma região produtora de vinhos) e uma delas produz 600 garrafas de vinho por ano.
Na parte norte do parque foi construido um grande parque infantil onde as crianças se podem divertir a subir em construções de madeira, escorregar ou deslizar num pequeno slide. Este parque infantil combina perfeitamente com a zona envolvente e torna-se até parte dela (os alemães são peritos nisso). Note-se que ao lado deste local existem WC com boas condições e sem taxa de utilização.
A topografia do local aliada a um design despretensioso resultou num parque com uma paisagem caraterística de montanha em que a cascata é ladeadas por árvores e arbustos e interrompida por pequenos terraços e miradouros, sendo completada na perfeição pelo memorial cimeiro.

Morada

O Viktoriapark localiza-se em Kreuzberg e a morada da sua entrada principal (onde acaba a cascata) é Kreuzbergstrasse 15   10965 Berlin.  Sendo um parque público, não possui bilhete de entrada.




domingo, 5 de novembro de 2017

Tecnologia dos anos 90


 A primeira vez que vi uma espécie de computador que se ligava à televisão, um Spectrum ZX (o tempo que aquilo demorava a arrancar), tinha, se bem me lembro, perto de 10 anos e entusiasmava-me a jogar o pacman à vez na casa dos meus primos, aquele bonequinho comilão e redondo parecido aos emojis de hoje tinha efeito viciante e hipnotizante sobre mim e, depois as frutinhas que davam pontos e os fantasmas que nos perseguiam...

Mais tarde, tive um Mega drive e jogava o Sonic the Hedgehod. Foram muitas tardes divertidas na companhia do porco espinho mais rápido do universo  que enfentava desafios e inimigos para salvar animais.

 A minha irmã chegou a ter um Tamagochi, sempre a reclamar a nossa atenção, sob pena de se finar de vez se não corressemos para o alimentar, dar carinho ou banho.

Não consigo explicar o delírio quando recebi o tão aguardado Walkman (What?- perguntam os jovens que nasceram após o ano de 1990) azul e a cassete dos Onda Choc no Natal  e com ele veio a liberdade fantástica de ouvir a minha música preferida na rua (Ele é o rei com música dos Four non blonde estava no topo das preferências).

Também tive uma Aparelhagem (adoro este nome) gigante com duas colunas igualmente gigantes que ocupavam parte do meu quarto. Poupei da semanada religiosamente até perfazer a soma de 30 mil escudos. Um dos primeiros Cd's foi-me oferecido pelo meu tio, Tempo do Pedro Abrunhosa e outro pela minha mãe, Keep the faith da banda do momento Bon Jovi. Aumentava o som através do comando, até as colunas começarem a vibrar (claro está que os meus pais não estavam em casa quando o fazia). 


Eu e a minha irmã íamos com o nosso pai ao único clube de vídeo da cidade e traziamos sempre os filmes do Superman ou do Indiana jones porque eram os únicos que existiam em formato beta e sonhávamos em ter um Videogravador VHS, pois já conheciamos bem de mais as aventuras e desventuras do explorador e do super herói e queriamos alargar as nossas escolhas. 

Disputávamos também um Game boy com fundo verde, e jogos a preto e branco e a maior diversão era o tetris. 

A primeira vez que me deparei com umas Escadas rolantes foi numa férias em Lisboa aos 11 anos (era assim já quase uma moçoila quando me estreei na capital) numa estação de comboios. Lembro-me perfeitamente da minha prima mais nova, Inês ficar tão fascinada que tivemos que repetir " a viagem" várias vezes, para cima e para baixo.

Tinha uma televisão velhinha na cozinha dos meus pais que mudava de canal quando as moscas pousavam nos botões e a animação que houve no dia que a grande inovação tecnológica Televisão a cores entrou na nossa casa.
Ficávamos entusiasmados com botões, escadas rolantes, comandos de televisão, carros telecomandados, robots...

A ideia deste post surgiu-me dum episódio sucedido há um par de dias: Fui ao supermercado num  outro carro e a Inês pediu-me para abrir o seu vidro traseiro porque estava abafado no interior. Eu disse-lhe que não conseguia e ela perguntou pelo botão, eu expliquei-lhe que tinha que rodar a manivela (tive que lhe indicar o que era isso e como proceder). Quando o vidro começou lentamente a baixar ela exclamou, arrebatada e em êxtase:  
- Isto é mesmo muito fixe, mãe!!!

Está tudo dito, não acham?


Fotografia de um Game boy retirada da Internet

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Comemorações


Com a entrada da Inês na escola tudo o resto ficou um pouco para trás e o blog também. Ela fez 6 anos e houve piscina de tarde e festa no dia com um bolinho e depois, no fim de semana, com a família alargada no mesmo sítio do ano passado (clique aqui). Ela adorou, especialmente porque tinha além do irmão para brincar, 2 amiguinhas e um primo da mesma idade! Muitos parabéns meu amor. Quero que sejas sempre muito, muito feliz... 




Vou transcrever de seguida uns versos que a minha mãe escreveu para a Inês no seu terceiro aniversário (de vez em quando, ela pede-me para lhos ler)

Aniversário dos 3 anos da minha querida inês

Querida Inês

Fazes hoje três aninhos, 
Três promissoras primaveras...
Meu Deus, como o tempo passa depressa!
Parece que ainda ontem 
Estávamos à tua espera
Ao sol, deitados na praia 
Onde cada onda desmaia,
A ver o seu vai-e-vem
Com os olhos postos no infinito,
O coração tão contrito
À espera da notícia que vem...
O telemóvel tocou...
Nosso coração palpitou, 
Tão forte era o seu bater
Que era difícil descodificar
O que me estavam a dizer:
"-Sim, a menina já nasceu!"
...Sem palavras senti tanta alegria, 
Uma total felicidade!
Só depois me apercebi 
Que era já avó de verdade!
Um sentimento tão doce, 
mesclado de amor e ternura, 
Com uma funda emoção
Tudo de forma tão pura
Neste completo arrebatamento
Um choro de bebé recém-nascido
Entrou então nos meus ouvidos
Qual música inebriante...
Tive a plena perceção 
Que ria meu coração
De forma tão veemente!

Era a minha netinha 

Que mostrava a sua força,
A vontade de viver, seu vigor
E o meu coração cheio de amor
Exultava de tanto contentamento.
Crescia, um mês, outro mês
Era a nossa queria Inês
Cada dia mais bonita
Branquinha e redondita
Com dois lindos olhinhos
Grandes, brilhantes, azulinhos
(esverdeados e cinzentinhos?)
Mas que lindos que eles são!
Maiorzita, os cabelinhos 
Todo, todo aos cachinhos
E cada dia mais loirinhos!
Foi sempre, é e será
A nossa querida inês
Uma benção do Céu 
Para todos, todos nós:
Pais, tios, primos e avós
Ainda tem a felicidade 
De ter duas ternas bisavós.
Ela é a nossa estrelinha
Da manhã, sempre a brilhar
Dá tanta luz à nossa vida
Sempre a cantar e a falar
E uma resposta acertada
Está pronta para nos dar!
Agora para terminar
Peço a Deus que ano a ano
Aqui nos voltemos a encontrar
Peço à estrelinha da sorte
Que ilumine teu caminho
Que o Anjinho da guarda
Te acompanhe com carinho
De todos e cada um de nós
Recebe um abraço e um beijinho.

Vovó Mimi
03/08/2014


Uma data que passou quase em branco pela proximidade da einschulungsfest da Inês foi os nossos 10 anos de casados no dia 8 de Setembro. Já passou uma decada...
Parece quase uma vida: tantos os momentos novos vividos e ainda continuo ávida pelos que estarão para vir e o mais importante partilha-los contigo, juntos e unidos como sempre com a família linda que construímos.
Ficamos à espera da prenda, aquela especial na Páscoa ou no Verão, uma prenda para ser desfrutada a quatro...