A profissão de professora tem sido muito maltratada
em Portugal pelos governantes, o que tem resultado no abandono por muitos
profissionais. Eu fui uma delas. Apesar de me continuar a sentir professora (de
Biologia e Geologia) e ser essa a minha profissão, tive que me afastar. Depois
de 5 anos a tirar o curso superior, de outro na pós-graduação e de mais 6 anos
a lecionar em diferentes pontos do país, pondo em causa a estabilidade e o
equilíbrio, sou inútil, desnecessária, supérflua. É triste sentir isso e muito
difícil tomar a decisão que tomei mas já não conseguia viver na incerteza, na
indecisão, na dúvida. No início de Setembro, questionava-me se teria trabalho,
quando, onde e até quando… Era uma angústia!
Algo que alterou
tudo foi o nascimento da minha filha. A partir de agora, eu era mãe, alguém
dependia totalmente de mim, os meus atos e decisões afetariam a vida dela. E
aí, aos poucos fui definindo que algo teria de mudar, não poderia continuar a
viver na dúvida. Ir para longe e deixa-la estava fora de questão, leva-la tão
pequenina, também. Pensei num negócio porque é(era) uma alternativa que me
agrada(va) muito mas em Portugal os tempos são de vacas magras. Como a vida
abre janelas, arranja estradas para percorrer, sítios para viajar, pessoas para
conhecer e coisas para aprender, aqui estou eu! E vim de braços abertos para
agradecer o que a vida me tem trazido e desejosa de experimentar o que ainda chegará…
Esta última semana esteve muito frio. As
temperaturas (simpáticas!!!) oscilaram entre os
-15º e os -12ºC. Caiu também bastante neve e esta manteve-se
aproximadamente uma semana. Este Inverno tem sido atípico, quase não veio neve
e dizem que já não virá mais. Eu gosto deste manto branco mas só por poucos
dias, é lindo e tal, tira-se umas fotos, brinca-se um pouco mas depois era bom
que desaparecesse. Nunca vi algo semelhante ao que aconteceu aqui, os seguintes
dias de frio intenso provocaram a manutenção da neve que, depois se transformou
em gelo e tornou-se perigosa. Dentro das casas é quente e acolhedor, o
aquecimento e, principalmente o isolamento contribuem para se tonar confortável
estar em casa. A Mª Inês viu neve pela primeira vez mas, como é muito cautelosa
não quis pisar nem pegar, isto é, não brincou nada. As crianças têm vestuário próprio para
este tempo e era vê-las felizes com os trenós ou tobogãs a escorregar nalguns
locais mais inclinado (aqui é bastante plano).