A profissão de professora tem sido muito maltratada
em Portugal pelos governantes, o que tem resultado no abandono por muitos
profissionais. Eu fui uma delas. Apesar de me continuar a sentir professora (de
Biologia e Geologia) e ser essa a minha profissão, tive que me afastar. Depois
de 5 anos a tirar o curso superior, de outro na pós-graduação e de mais 6 anos
a lecionar em diferentes pontos do país, pondo em causa a estabilidade e o
equilíbrio, sou inútil, desnecessária, supérflua. É triste sentir isso e muito
difícil tomar a decisão que tomei mas já não conseguia viver na incerteza, na
indecisão, na dúvida. No início de Setembro, questionava-me se teria trabalho,
quando, onde e até quando… Era uma angústia!
Algo que alterou
tudo foi o nascimento da minha filha. A partir de agora, eu era mãe, alguém
dependia totalmente de mim, os meus atos e decisões afetariam a vida dela. E
aí, aos poucos fui definindo que algo teria de mudar, não poderia continuar a
viver na dúvida. Ir para longe e deixa-la estava fora de questão, leva-la tão
pequenina, também. Pensei num negócio porque é(era) uma alternativa que me
agrada(va) muito mas em Portugal os tempos são de vacas magras. Como a vida
abre janelas, arranja estradas para percorrer, sítios para viajar, pessoas para
conhecer e coisas para aprender, aqui estou eu! E vim de braços abertos para
agradecer o que a vida me tem trazido e desejosa de experimentar o que ainda chegará…
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