quarta-feira, 26 de outubro de 2016
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
Quando cheguei a casa depois de uma semana em Portugal a tratar duns assuntos, encontrei este poster no meu corredor:
Uns dias depois, quando fui deitar a minha filha e depois de ler a história, ela começou a chorar e eu perguntei o que se passava e ela disse:
_ Estou a chorar de felicidade!
Quando a questionei sobre o motivo, ela respondeu-me:
-Estou feliz porque a mamã está de volta!
Dei-lhe um abraço e os meus olhos também se encheram de lágrimas.
domingo, 9 de outubro de 2016
A Maria Inês tem 5 anos. Ela é obediente e tímida, introvertida e fechada. Com as pessoas certas é muito carinhosa e meiga mas costuma limpar os beijos porque aqui na Alemanha não gostam de beijos e os colegas na escola fazem o mesmo.
É preguiçosa, adora que a vistam e dispam e que lhe coloquem a comida na boca, demora eternidades a fazê-lo e estamos sempre a dizer para se despachar.
Adora ir para o ballet, cantar, dançar e ver desenhos animados.
No inicio do Verão começou com os medos, tem medo de cobras, de escorpiões, de insetos e até diz que, de noite, quando olha para os casacos pendurados lhe parece um homem e fica cheia de medo. Temos que ter cuidado com o que dizemos à frente dela, tentar transmitir-lhe confiança e a minha mãe no Verão falava-lhe do anjinho da guarda antes de ir dormir, o que a acalmava muito (nós temos continuado).
Nota-se que tem ainda uma resistência à chegada do irmão e que ainda tem sentimentos contraditórios em relação a ele. Gosta de brincar com ele mas, por outro lado, tenta ter atenção, diz que gostava de ser um bebé e fala como um.
Escreve bem o nome dela, reconhece as vogais e algumas letras, conhece quase todos os números e consegue desenha-los. Pinta bem mas não desenha bem. Adora fazer exercícios de encontrar o caminho, de diferenças e de colar autocolantes. Gosta de ajudar nas tarefas domésticas e fá-lo bem.
É muito responsável e preocupada. Na noite antes de ir ao ballet pela primeira vez diz que não dormiu a pensar nisso e foi um pouco empurrada porque, até ao fim da primeira aula, dizia sempre que não queria.Não gosta de mudanças e fica nervosa e insegura quando tal acontece. Essa insegurança e o perfeccionismo dela faz com que nem tente fazer as coisas e diga à partida que não vai conseguir. Já apertou os cordões dos sapatos várias vezes mas, se não consegue à primeira, fica irritada e diz logo que não vai conseguir.
É uma vorschule Kind (pré-escolar) e essa insegurança e timidez estão a prejudica-la na escola. Está um pouco atrasada na língua porque só brinca com os meninos pequenos, os quais entende mais facilmente e descobri porque não come na escola: disse-me, depois de muita insistência minha e de algum choro da parte dela, que não sabe comer como as outras meninas de garfo e faca. Para a idade dela acho que ela tem muita preocupação com tudo, tem muita auto critica e compara-se muito com as outras e o pior de tudo diz que elas são mais espertas. Este sentimento só pode advir do fato de ter chegado à escola com 3 anos sem falar uma palavra de alemão e, também da educação que teve mais à portuguesa, em que toda a gente lhe fazia tudo numa tentativa de a poupar e de lhe facilitar a vida. Isso aqui na Alemanha, um país em que as crianças se começam a vestir aos 18 meses e, no primeiro ano são incentivadas a ir sozinhas para a escola, não é muito comum.
Espero que esta situação não venha a marcar a personalidade da minha Inês e ela possa ultrapassar este sentimento de inferioridade que ela tem.
Está alta e magrinha com umas pernas longas, cara comprida e com um leve tom rosado com uns lábios vermelhos muito bem desenhados. Tem os olhos mais lindos do mundo.
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
O Eduardo faz hoje 18 meses. Está um reguila, sobe a sofás e cadeiras e quer subir a mesas. Imita todos e percebe bem o que se diz e também se faz entender, comunica muito bem. Quando há algo que ele não pode pegar, aponta e depois com o dedito assinala que não mas, por vezes, apanha-nos distraídos e pega mesmo. Não fala mas palra imenso na sua própria língua (algumas palavras já percebo sapato, pato, tá aqui, mama, papá, mana, anda). Aponta, pega-nos na mão e puxa-nos quando quer alguma coisa. É querido e meigo mas intempestivo, quando contrariado é estalada e pontapé para todo o lado. Com a irmã tanto anda aos beijinhos e abraços como às puxadelas de cabelo e empurrões (nestes últimos dias tem melhorado). Chora para entrar no banho (odeia chuveiro) e para sair, adora brincar com água. Mete tudo no balde de limpar o chão e até tenta meter o próprio pé. Não come muito, não tem muito apetite mas adora provar tudo (fica no nosso colo a petiscar quando comemos). É muito curioso, desarruma prateleiras e gavetas, com ele a casa nunca está arrumada. Atira as coisas para longe e já atingiu algum de nós. Ao contrário da irmã, tem uma tendência natural para os homens, com estes a empatia é automática. É bem disposto mas tem um acordar complicado, principalmente se não dormiu tudo. Custa-lhe adormecer e por vezes desisto e trago-o de volta à sala mas a sesta da tarde é sagrada. Adora musica e dançar, gosta que as pessoas se riam dele, faz muitas palhaçadas. Nos últimos meses, deu um pulo: media com 17 meses e meio 81cm mas pesava apenas 9kg e meio. Tem 7 dentes e, depois dos quatro incisivos (2 em cima e 2 em baixo), apareceram os molares. Quando me chateio com ele, procura o contato visual e sorri como que a pedir desculpa. Se estou mesmo zangada e lhe ralho, faz beicinho mas se lhe der colo logo a seguir ele aceita e agarra-se a mim. Sempre foi de sorriso fácil e tem as gargalhadas mais deliciosas do mundo.
É frustrante tentar descrever os meus sentimentos pelos meus filhos porque quanto mais falo mais fica por dizer. O que sinto é tão gigantesco e ilimitado que chamar-lhe só amor é subtrair-lhe grandeza. É assim mais ou menos como falar do sistema solar e querer falar do universo...
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