sexta-feira, 11 de março de 2016

Apesar de aliciante, desafiador e até enriquecedor viver noutro país é difícil. A língua é um entrave e a adaptação aos costumes e aos hábitos, tão diferentes também (com um pouco de bom humor e compreensão de todas as partes, tudo se consegue) mas, para mim o mais complicado é criar filhos sem o apoio familiar. Não posso ficar doente nem dizer: hoje vou deitar-me, estou com dor de cabeça ou hoje não faço jantar nem tampouco ir jantar fora ou ter um programa a dois numa data especial, tudo tem que ser pensado a 4. E corre bem, não é perfeito, a casa não está sempre arrumada (diria até que muito poucas vezes), por vezes, há confusão (ando a tentar que cada vez menos),  farto-me da lida de casa, os miúdos têm que brincar sozinhos muitas vezes mas foi a nossa escolha. estamos a viver em família há mais de 2 anos e meio mas uma parte muito importante dela ficou em portugal. Nunca concordei que da minha família só faça parte o meu marido e os meus filhos, não foi por ter casado que deixei de ter país, avós, irmã, tios e tias, primos e primas. Eles estão sempre na minha mente e tento ir bastantes vezes e prolongar as estadias em portugal (ou que eles cá venham).           

Coloco muitas perguntas a mim mesma: Não sei se faço bem ou mal, que impactos terá a minha escolha na vida e na personalidade dos meus filhos, estarão eles a ser educados para a exigente sociedade alemã, serão mais felizes aqui, longe da família, algum dia estarão completamente integrados e aceites quando as suas feições não são tipicamente alemãs.  Não tenho resposta, nem sequer a mais pequena ideia do que será o futuro deles.

Uma coisa sei: não pretendo falar com eles na língua alemã porque quero que eles mantenham essa conexão com o seu país, quero que não estranhem os avós e restante família e possam comunicar facilmente com eles. Cresci a ver a minha cidade ser invadida por muitos emigrantes em Agosto e a vê-los a falar, principalmente em Francês, e sempre achei estranho, Algumas pessoas saíram de Portugal já adolescentes ou adultas, será que esqueceram a sua língua materna? 

Mesmo aqui na escola da Inês acho surpreendente mães do Gana, da Turquia, da Polónia, de Moçambique e  de outros países não falarem outra língua com os filhos além do alemão.


 

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