"Os quatro volumes já publicados sobre Álvaro Cunhal, da autoria de Pacheco Pereira, constituem um dos estudos monográficos de maior relevo sobre a história do século XX português."
O meu pensamento fugiu logo para a figura do meu avô materno. Aquele Senhor, Manuel Tiago de pseudónimo, sempre me fez recorda-lo. Cresci a ouvir histórias do Barreirinhas, figura muito prezada e admirada na nossa casa.
Da mesma geração, de ideologias políticas parecidas, honestidade inquestionável e uma aparência semelhante (aquelas sobrancelhas farfalhudas e um certo ar distante e sério). Se tivesse tido as mesmas oportunidade, poderia ter tido um percurso de vida equivalente, também no direito ou noutra área, mas quis o destino que o seu pai tivesse falecido quando ele tinha 8 meses e a sua mãe viu-se grávida com 8 filhos para criar. Mulher de genica, sonhava para o filho o destino de caixeiro, julgando que seria o melhor (qual mãe não deseja o melhor para os filhos?), mas era algo que ele não gostava. Viria a tornar-se comerciante, escritor e poeta nas horas vagas com uma veia para o teatro, introvertido mas com um humor muito próprio.
Penso nuitas vezes nele agora, talvez por repetir o seu nome muitas vezes durante o dia (tenho um filho também Eduardo), sinto um orgulho enorme por isso e gosto de pensar que o meu filhote tem um pouco do bisavô: da sua inteligência, da sua capacidade para gerir (tornava-se às vezes demasiado económico ), do seu espírito avançado para a época (já na altura o meu avó questionava os dogmas da religião e a própria sociedade, não submetia a minha avó às suas ideias nem lhe impunha a sua vontade, não deixava os filhos beberem álcool, comprava e obrigava-os a tomarem colheradas de óleo de fígado de bacalhau, gostava de ler e de se manter informado, falava corretamente e sem palavrões), da sua honestidade, do seu inconformismo que o fez mudar de ocupação tantas vezes...
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