domingo, 29 de março de 2015

Com 3 anos e 7 meses a Maria Inês é uma menina muito ativa. As suas brincadeiras favoritas envolvem quase sempre correr ou saltar. Apanhadas, escondidas, cócegas, guerras de almofadas, andar de baloiço, equilibrar-se na berma dos passeios são algumas das preferidas. Tudo é uma euforia, anda sempre toda contente com um sorriso nos lábios, a saltitar e com os braços no ar a festejar qualquer coisa.
Passa horas a cantar e a dançar e todas as noites temos um show da nossa menina que recebeu de prenda no natal um microfone com câmara que se liga a televisão.
Hoje andou a correr atrás de bolas de sabão...

quinta-feira, 26 de março de 2015

O meu marido viveu 1 ano e meio em Moçambique, Maputo, por motivo de trabalho. Eu estive lá  por duas vezes, uma das quais por um mês, e gostei muito daquele país. É certo que estive de férias e não vivenciei os problemas reais de quem vive e trabalha permanentemente num país africano mas a minha opinião é positiva.  A minha perceçao imediata não foi favorável e fiquei até um pouco chocada com o que vi mas Moçambique e penso que África em geral é assim, estranha-se e depois entranha-se mas só para quem consegue ver além das ruas sujas e da falta de shoppings e lojas.

As pessoas a caminharem na beira da estrada mais isolada sobre um sol abrasador; as crianças que pediam com um ar condoído que mal virávamos costas estavam a brincar felizes; a comida tão caseira, principalmente o peixe e marisco, barato e delicioso; o mar e o pôr do sol tão diferentes do europeu; o clima, tão quente e abrasador; as feiras e aquele rebuliço constante, onde todos tentam fazer o melhor negócio, nem que seja a vender cascas de alho. Mas de tudo o mais impressionante e comovente foi o sorriso aberto e franco, a felicidade despreocupada e genuína daquelas pessoas, que poderiam dar muitas lições a muitos outros povos do mundo. Pensei muitas vezes em como às vezes nos queixamos por tudo e por nada e aquelas pessoas, muitas sem nenhum bem material, são mais alegres e estão mais contentes com a vida do que os europeus (eu incluída). Aqueles períodos que passei lá foram um abre olhos, verdadeiros caminhos de reflexão para mim e para o meu espírito inconformista e insatisfeito.

Sobre aquele povo apetece-me dizer o tanto que têm e o muito que lhes falta…

 

Ficam duas fotografias de um local lindo- Inhambane e a promessa de mostrar mais fotografias e contar pormenorizadamente alguns episódios caricatos que vivemos neste país...


segunda-feira, 23 de março de 2015

terça-feira, 17 de março de 2015

Estou a completar as 37 semanas e não tenho uma única roupa de recém-nascido em casa. Quando já devia ter mala da maternidade preparada há várias semanas, ainda nem sequer lavei as roupas. Como dizem que o segundo filho se despacha mais rápido, a coisa torna-se ainda mais preocupante. 

A culpa é de uma empresa de transportes/mudanças (só me apetece chamar-lhes nomes muito, muito feios) que nunca mais entregam em Berlim a encomenda com o enxoval do mais pequeno. Estes "senhores" são responsáveis por esta grávida andar num estado de nervos tal, que até sonha com o dia em que o seu filho nasce e não tem roupas para lhe vestir (o que vale é que na maternidade não serão precisas). Eu ando-lhe sempre a dizer aguenta-te que tens que esperar pelas tuas coisas. 

Além disso, também ainda não tem nome atribuído. 

É um desgraçado este meu menino apesar de muito desejado, sim muitíssimo mas se possível só para daqui a uma semaninha e meia, ok? Estás-me a ouvir, bebé?

segunda-feira, 9 de março de 2015

Está tudo mais calmo e a minha mãe acabou de aterrar em Berlim para me ajudar, o que torna tudo mais fácil. A Maria Inês tem estado bem mas ainda com algumas crises, faz quinta-feira duas semanas que não vai à escola. O que me tem preocupado mais são os vómitos inesperados que tem tido mas há quase sempre disposição para brincar, desta vez, com um balão do Bob Esponja que trouxe da Toys'r'us.




sábado, 7 de março de 2015

Nesta gravidez apareceram todos os sintomas, desde enjoos, cansaço, mudanças repentinas de humor, alterações hormonais, azia, dores nas costas, xixis muito frequentes, peso na barriga, dificuldades em dormir, eu sei lá mais o que. Isto aliado a uma criança de 3 anos e meio e uma casa para cuidar tem sido complicado. O marido trabalha imenso e não pode dar apoio, apesar de estar sempre disponível para ajudar quando pode e eu acabo por passar muitas horas sozinha ou com a minha miuda. Sair só se for aqui perto e já com alguma dificuldade, já nao a consigo levar à escola, o que faz com que ela passe muito tempo comigo em casa. Não há outra opção neste momento mas sei que não é o melhor para a minha menina. Às vezes, sinto que falho com ela por não poder fazer mais e isso doí. Doí questionar-me se serei capaz, se estarei à altura dos desafios futuros ...

Não gosto de me queixar e principalmente usar este blog para isso, uma vez que, por vezes, a  vida não se compadece de quem se queixa sem motivos fortes e por vezes mostra-lhes o que são verdadeiros motivos para lastimar. Basta estar atento à vida ao redor e ver verdadeiros dramas e surpreendentemente essas pessoas são as que menos se lamentam, encaram a vida de frente, tentando enfrentar e aprender com o mau e desfrutar do bom (apesar de serem coisas aparentemente insignificantes). Vivem verdadeiramente e intensamente e eu admiro-as por isso. 

Assim como admiro as mulheres  do antigamente, como a  minha avó materna, que teve 6 filhos, o último já com 42 anos, todos nascidos em casa e saudáveis  com gravidezes muito menos acompanhadas, toda uma casa e família grande (com 6 filhos actualmente deveria ser chamada no mínimo de mega numerosa) para cuidar e orientar e uma vida sem grandes comodidades. Que saudades da minha avó Zulmira e que falta sinto agora do seu aconchego. Faleceu quando eu tinha 17 anos, uma miúda portanto e  atualmente esta mulher é outra vez uma miúda quando pensa nela mas, por outro lado, a mulher do agora dava tudo por uma tarde de conversa e sei que teria tanto a aprender. Restam-me as recordações, as memórias, o amor e aquela sensação de proteção e paz que me envolve quando fecho os olhos e a vejo em casa, normalmente na cozinha a oferecer-me um pão com marmelada que me sabia ao petisco mais delicioso do mundo...

segunda-feira, 2 de março de 2015

Estas duas últimas semanas não têm sido fáceis por isso não publiquei fotos dela. o pai anda cheio de trabalho e passou o último fim de semana no escritório e a chegar a casa todos os dias às 21h, a Inês apanhou uma virose (penso eu) que a fez andar com febre, caidinha e a vomitar lençois e pijamas como se a roupa para lavar não fosse já muita, eu fui à urgência do hospital com umas dores abdominais (felizmente não era nada de grave), a máquina de lavar roupa lembrou-se de não abrir a porta (foi para a oficina para trocar toda a abertura e serão 150 euros). 

Não sei como há pessoas que conseguem ter sempre animo para escrever no blog, eu bem tento mas há alturas que não tenho vontade e não me apetece fazer deste blog o muro das lamentações. Por outro lado, duvido muito daqueles blogs em que só têm posts de momentos bons porque a vida de todos os mortais é composta dos bons e dos menos bons. Ou preferem não os revelar ou então querem fazer crer as pessoas que vivem constantemente num mundo cor de rosa. Pois o meu mundo tem todas as cores do arco-iris, das mais luminosas às mais sombrias, uma vida nada monótona e com altos e baixos...