E o melhor de tudo é ver os filhos felizes com boas cores, rodeados pelo carinho familiar e o marido que chega hoje à noite, pronto para um período de ferias junto dos seus que o aguardam ansiosamente e o amam.
sexta-feira, 29 de julho de 2016
sábado, 23 de julho de 2016
As notícias no jornal tão tipicamente portuguesas, que só leio demoradamente nesta altura, a dar conta de "Grávidas e doentes com apoios em atraso", "Escolas sem dinheiro para luz e água", "Homem mata vizinho por quezílias relacionadas a terreno", "As romarias que não pode perder até Setembro" ou "Esplanadas para fugir ao calor do Verão".
terça-feira, 19 de julho de 2016
domingo, 17 de julho de 2016
quinta-feira, 14 de julho de 2016
segunda-feira, 11 de julho de 2016
domingo, 10 de julho de 2016
sexta-feira, 8 de julho de 2016
São emigrantes aos milhares.
Lágrimas nos olhos, cabeça baixa de uma dignidade enorme, partem com meia dúzia de peças de roupa numa mala, uns escassos escudos no bolso e a morada do primo guardada no forro do casaco. Aflige-os a incerteza e o medo do desconhecido que combatem com esperança e vontade de vencer. Deixam o país para fugir à miséria e ao destino de uma vida condenada à pobreza.
Famintos de tudo, atenuam a fome que continuam a sentir lá longe. Fome de afetos de filhos, mulheres e pais e, tantas e muitas vezes, pior do que aquela que se sente no estômago e se acumula no corpo cada vez mais anguloso.
Mais umas horas extra, mais um dinheiro de parte significa mais um terreno, mais um apartamento, a casa dos sonhos na terra natal, Tudo isso, lá longe, minimiza as saudades imensas, as humilhações diárias e o trabalho árduo.
Por vezes, o alivio chega: as linhas escritas pela vizinha da mãe que fez a quarta classe, os telefonemas rápidos e fugidios com vozes que se atropelam a tentarem esconder a emoção (porque foram ensinados a ser fortes e não estão em tempo de fraquezas), a foto a preto e branco dos filhos e da esposa cuidadosamente vestidos e muito direitos em pose estudada. Nesses momentos, alheiam-se de tudo o que os rodeia e conseguem ser, de novo, pais, filhos e maridos. Esquecem aquelas rugas, aqueles cabelos brancos que se acumulam e que o espelho insiste em mostrar. Onde estão eles? Onde se perderam no meio daquela gente que fala uma língua estranha? Onde gastaram a vida e o tempo? Por tanto quererem lá longe limitaram-se a sobreviver aqui, a ver passar os dias.
Finalmente, chega o ansiado Verão, o mês de Agosto e é tempo de regressar. Já foram feitas as contas aos proveitos do ano amealhados até ao centavo e sobrou o suficiente das poupanças para o bilhete de autocarro, comprado e religiosamente guardado, e os poucos pertences já no interior das malas, gastas de tantos quilómetros percorridos. Desvanecem-se as rugas e os cabelos brancos e Portugal está tão perto.
Mas logo acaba o mês e o filho que teima em chorar, a mãe que pede não vás e a mulher que sofre calada. E lá longe, sempre o mesmo: uma realidade dura, um país frio e uma solidão desoladora. Partem e lutam, sempre, sem hesitar.
São emigrantes, aos milhares
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