9 de Novembro, o dia que tantas vezes mudou o destino deste país...
Distraído, olho o calendário pendurado na porta da cozinha. Hoje é dia 9 de Novembro de 1918 e o frio gélido do Outono já se faz sentir em Berlim. A casa está calma e silenciosa e nas ruas a revolta e a insatisfação tomam conta de tudo. Estranhamente estou em casa a esta hora: a fábrica não abriu as suas portas, empelida pelos homens que se recusaram a labutar e enchem a cidade. Em cada esquina, Berlim anseia por uma reforma que acabe com o império alemão e com o poder do Kaiser Wilhelm II e com a guerra perdida e com as dores físicas e psicólogicas que ele impos ao seu povo...
Saí de casa e percorri o caminho até ao Parlamento.
A mudança está a caminho: sabe-se que o chefe de governo Max von Baden, pressionado por uma multidao insatisfeita e pela falta de apoio dos militares, resignou e, de certa forma, também o próprio Kaiser. Em Baden, o homem forte dos sociais democratas, Friedrich Ebert, proclamou-se chefe do governo e quer que se faça uma reunião para decidir como será a forma do governo no pais.
"Não é necessário, dizem as pessoas, sabemos bem o que queremos e só isso aceitaremos."
Avisto um colega que me contou que o comunista Karl Liebkneck proclamou a república da varanda do castelo da nossa amada cidade. Não estou certo disso, cada vez mais descontente, sinto-me enganado e duvido que esta não seja mais uma maneira de nos sossegar, como fez o Kaiser tantas vezes.
Observo as pessoas: a fome e a infelicidade está pintada nos seus rostos, alguns perderam entes queridos na guerra mas a esperança num futuro melhor pode levar a uma nova, porém, desta vez muito mais fútil, uma guerra entre irmãos, entre democratas e comunistas. Chegamos ao parlamento, a multidão espera impacientemente em grupos, alguns exibem armas prontas a disparar, outros têm facas e paus que não pretendem esconder.
São 14h quando, de repente, um homem de meia idade mas com pouco cabelo e barba branca assoma à janela e faz um discurso empolgante que encerra da seguinte forma:
"O velho e o podre, a monarquia colapsou! O novo pode viver! Viva a República Alemã!"
Nesta altura, já se vêem mais pessoas na sacada e Phillipp Scheidemann, entusiasmado pelas suas próprias palavras e, apesar dos seus 53 anos de idade, subiu à beirada fina da varanda. O povo rejubila, chapéus são atirados ao ar, abraços são dados e longas vivas à republica são repetidas pela massa humana em êxtase.
"O velho e o podre, a monarquia colapsou! O novo pode viver! Viva a República Alemã!"
Nesta altura, já se vêem mais pessoas na sacada e Phillipp Scheidemann, entusiasmado pelas suas próprias palavras e, apesar dos seus 53 anos de idade, subiu à beirada fina da varanda. O povo rejubila, chapéus são atirados ao ar, abraços são dados e longas vivas à republica são repetidas pela massa humana em êxtase.
Eu, depois de um momento de uma alegria explosiva, olhei o céu e pensei com o coração a extravasar de fé e confiança: "Novos tempos para a Alemanha e para os alemãos chegaram!"
Crença ou ilusão, acreditava piamente que a guerra e as suas atrocidades tinham ficado para trás...

Proclamação da República por Philipp Scheidemann´
no dia 9 de Novembro de 1918 (foto retirada de Wikipedia)
no dia 9 de Novembro de 1918 (foto retirada de Wikipedia)