quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Amanhã vai ser um dia feliz e agrada-me pensar nele, aguardar pela sua chegada como uma criança espera por um doce. Só a própria espera me faz bem e me enche de entusiasmo. A lentidão do tempo a passar torna-me ansiosa mas é uma ansiedade boa, daquelas que só imaginar aquele momento próximo já enche o meu coração de alegria e felicidade. 
A minha mãe e irmã chegam amanhã ao fim da tarde a Berlim. Após mais de três meses de ausência e tantos novos acontecimentos vamos ter tanto para contar, umas às outras! Vou poder chorar, lamentar-me, rir, brincar no ombro de quem melhor me entende e compreende, com quem posso ser eu mesma. Evitei ligar para a minha mãe enquanto estive no hospital para não me ir abaixo e também para não a preocupar. Agora tudo passou e esperam-nos dias de reencontro, cumplicidade, alegria, compreensão, amor e também muito passeio... 

domingo, 15 de setembro de 2013



Fisicamente estou bem, não tive grandes dores nem antes nem depois da laparoscopia, as três pequenas incisões estão a cicatrizar bem (tive o cuidado de não as molhar durante os primeiros dias) e fui à médica realizar a análise à βhcg que já apresenta um valor negativo. O meu marido já regressou ao trabalho, fico sozinha com a minha filha e, finalmente, a vida está a voltar ao normal. Psicologicamente é um dia de cada vez, agora não choro sozinha como antes fazia, sinto-me com mais ânimo e consigo sorrir e brincar com a minha pequenina.

Fui muito bem tratada, os cuidados médicos na Alemanha são muito bons. Aqui as pessoas não vão ao hospital frequentemente, existem médicos sempre disponíveis para atender e são eles que enviam as pessoas para o hospital, quando o assunto requer outro tipo de tratamento. Quando se tem alta do hospital, dão uma carta dirigida ao médico e é lá que se faz a restante vigilância. Todas as pessoas descontam para ter seguro de saúde e possuem um cartão, que mostram quando se deslocam a estes locais, não se paga absolutamente nada. No meu caso, como ainda não possuía este, usei o cartão europeu  de seguro de doença que requeri na Segurança Social em Portugal e, por três dias de internamento paguei apenas 30 euros. Aconselho todos que viajam para países da União Europeia a solicitar este cartão, garantem a assistência médica num caso de urgência. No hospital, todos os médicos falavam Inglês e alguns enfermeiros também, tive a sorte de ter no meu quarto uma jovem alemã que, por vezes, traduzia para poder comunicar com os enfermeiros. Todos foram atenciosos e prestáveis mas não se importam muito com a simpatia, fazem o seu trabalho com eficácia e consciência e a eles devo a minha vida. Se esta gravidez continuasse podia tornar-se um caso grave e até pôr em risco a minha vida.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A minha filha foi muito desejada, tendo necessitado de um período de 1 ano e 5 meses para conseguir engravidar, pelo meio tive vários ciclos de coito programado, diversos exames e uma FIV/ICSI sem sucesso. Felizmente, no ciclo seguinte a esta tentativa, sem nada o prever, engravidei natural e espontaneamente. A gravidez, o parto e a amamentação decorreram de uma forma normal, sem nenhum percalço.

Agora, nunca pensei engravidar no segundo ciclo de tentativas e fiquei muito feliz mas também muito surpreendida com a facilidade e rapidez com que aconteceu. Fiz o teste de gravidez, não porque tivesse um atraso (isso é normal em mim) mas porque no dia que era suposto vir a menstruação tive um corrimento escuro e aguado que parou repentinamente, contudo foi aparecendo e desaparecendo nos dias seguintes. Já suspeitava que algo não estava bem e marquei consulta numa ginecologista/obstetra que falava Inglês mas não estava minimamente preparada para o que se seguiu. Estava com uma gravidez ectópica na trompa direita e fui encaminhada imediatamente para o hospital, onde fui sujeita nessa mesma noite (29 de Agosto) a uma laparoscopia. Foram momentos verdadeiramente difíceis, dos quais recordo especialmente o caminho longo do quarto ao bloco operatório onde interiormente me questionava como correria e se algum dia veria mais a minha filha. Toda eu tremia, estava atingida por um medo irracional…
A intervenção correu bem e, apesar de ter perdido muito sangue, não tive complicações, tendo tido alta no dia 31 de Agosto. No internamento no hospital mantive-me forte mas quando cheguei a casa desabei. Sentia-me vazia e só perguntava porquê eu? Ainda doí muito mas a minha filha e o meu marido são a minha força, neles encontro o apoio e o amparo que preciso para me levantar. E sei que irei conseguir…