quinta-feira, 25 de julho de 2013


Casa 

O meu marido teve muitas dificuldades ao procurar casa em Berlim. Ele já cá estava desde Novembro e tinha alguma pressa que nos juntássemos a ele.

O processo é demorado e complicado; para alugar casa em Berlim e, como a procura é maior que a oferta, os senhorios (na maior parte dos casos, são empresas que se encarregam do aluguer de um prédio inteiro) exigem algumas garantias. Primeiro, os inquilinos precisam de comprovar que não têm nenhuma dívida de casa noutro lugar, apresentando um documento (Schufa) que ainda demora bastante tempo a ser emitido. Depois, solicitam a apresentação de várias papeladas, nomeadamente, contrato de trabalho, recibos de vencimento...


Achamos que a mais rápida maneira de resolver foi solicitar à empresa do E que, em seu nome, alugasse o nosso apartamento e no mesmo prédio onde já moravam outros seus colegas de trabalho. A casa, apesar de espaçosa, tem alguns inconvenientes: possuí alcatifa, que se usa muito na Alemanha, não tem máquina de lavar roupa, tendo que descer a uma sala comunitária para efetuar a lavagem, o local é bastante isolado, embora se localize relativamente perto do centro de Berlim, os espaços comuns nem sempre estão bem limpos. Como nem tudo é mau, tem aqui atrás de casa um jardim muito agradável, com bastante vegetação, uma caixa de areia, um campo de ténis e futebol, um laguinho, uma pequena ponte, nenúfares e muitos sapos. É onde passamos quase todas as nossas tardes, uma vez que não conheço ninguém aqui, está bom tempo e estar fechada com uma criança em casa não é solução. A Mª Inês diverte-se muito a brincar com a água, a observar os sapinhos e passarinhos, a correr, a brincar na caixa de areia e a conviver com as outras crianças mas o momento alto é quando chega o pai e temos, finalmente a família reunida. Nesses momentos, percebo que vir foi a escolha mais acertada.


sábado, 13 de julho de 2013

  Ainda a mudaça

A nossa vida mudou porque mudámos de casa, de cidade, de país. Há um mês que estamos em Berlim. Foi acontecendo quase sem querermos ou fazermos algo para isso (não era um objetivo). O E esteve em Portugal a gerir um projeto e, entretanto, quiseram que a empresa fosse para a Alemanha realizar o mesmo trabalho. Por outro lado, eu fui colocada na Guarda em substituição, ia viver para Viseu e ficávamos juntos mas, pouco tempo depois, o E teve de vir temporariamente para Berlim e recebeu uma boa proposta para se manter aqui e eu fiquei desempregada em Dezembro.A hesitação deu lugar à vontade de experimentar, à curiosidade e a um espírito inconformista que me carateriza, a verdade é que não estava contente com o rumo da minha vida profissional e não via grandes alternativas em Portugal. E juntos (os três) decidimos vir e agarrar esta oportunidade. 

Os objetivos aqui passam por melhorar a qualidade de vida, aprender a língua, arranjar um bom emprego, proporcionar um melhor futuro à nossa filha, experimentar viver noutro país, o que nos enriquecerá profissional e pessoalmente. Não quero pensar que será uma situação a muito longo prazo mas tudo depende do que se passará no nosso país, da evolução desta crise.




Este blog tenta retratar as aventuras, as desilusões, as alegrias e tudo o mais que uma família de três (com um bebé incluído), que não estando desesperada (como muitas em Portugal, infelizmente), enfrenta perante a mudança de país e tudo o que isso implica.

O nome veio da união de Berlim com Inês, nome da nossa filha e assim surgiu BERLINÊS.


Não esquece a família e amigos que ficaram em Portugal e que assim mais facilmente poderão acompanhar a nossa “jornada” e minimizar um pouquinho a saudade.